Cartas docentes, narrativas negras: greve, movimentos e lutas de professoras e professores primários e o trabalho de experiência negra em Salvador na década de 1910

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Sousa, Ladjane Alves lattes
Orientador(a): Lima, Solyane Silveira lattes
Banca de defesa: Lima, Solyane Silveira lattes, Santana, Elizabete Conceição lattes, Miranda, Cláudia lattes, Miguel, Antonieta lattes, Alves, Kelly Ludkiewicz lattes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Educação (PPGE) 
Departamento: Faculdade de Educação
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41392
Resumo: A pesquisa historiográfica, desenvolvida a partir do campo da história da educação, analisou, a partir de fontes documentais, como as narrativas de professoras e professores primários da cidade de Salvador da década de 1910, predominantemente de autoria negra, demarcaram trajetórias cruzadas, experiências de associativismos docentes nas construções de movimentos, lutas e contribuições para a profissão docente em seus direitos trabalhistas e profissionais do magistério a partir do trabalho de experiência negra. As escavações epistemológicas (Miranda, 2020) nos possibilitaram compreender as trajetórias cruzadas reorganizando outras vias de agrupamentos e outros elos com as narrativas de resistências de autoria negra desses docentes. Reconhecemos as narrativas como expressões da intelectualidade dos professores elaboradas em suas experiências laborais. São textos sobretudo escritos; entre eles, cartas docentes que particularizaram a abordagem da tese, mas também narrativas visuais, que preservam memórias das experiências e das re-existências dos profissionais do magistério durante a década de 1910. Esta tese se inscreve tomando como ponto de partida as narrativas docentes, as quais versam sobre direitos profissionais do magistério no que se refere à justiça, equidade e pobreza quando esses trabalhadores ficaram parte de uma década sem o recebimento dos seus vencimentos. Isso nos exigiu pensar a relação entre trabalho, experiência e racialidade. Dessa forma, formulamos o conceito de trabalho de experiência negra, que diz respeito às experiências laborais instituídas das trajetórias cruzadas, nas quais existem aprofundamentos das desigualdades, disputas de narrativas e re-existências atravessadas pela categoria raça, as quais admitem interseccionalidade das e nas relações de trabalho. Como procedimentos metodológicos, dispusemos de referenciais da pesquisa documental (Le Goff, 1990) e da análise de narrativa (Bastos; Biar, 2015; Biar; Orton; Bastos, 2021) a partir de três categorias de análise formuladas para interpretação dos documentos: 1. a docência; 2. os direitos profissionais e a equidade no magistério; e 3. o poder público. Esta tese sustenta que a narrativa docente, expressivamente marcada pela autoria negra, autoria compreendida como atuação ativa que motiva a ocorrência de algo, desvela trajetórias cruzadas, experiências de associativismos de professoras e professores, negros e não negros, das escolas primárias públicas da capital da Bahia entre os anos de 1911 e 1920, forjando movimentos e lutas que contribuíram para a profissão docente em seus direitos trabalhistas e profissionais do magistério, agenciaram a defesa da educação e criaram o Centro de Defesa do Professorado Bahiano a partir do trabalho de experiência negra. Os principais conceitos e teorias utilizados foram: experiência histórica, de Thompson (1981); profissionalização docente e modelo de análise do processo histórico da profissionalização, formulados por Nóvoa (1992, 1999); intelectual, por Sirinelli (2003); associativismo docente, dos autores Lemos (2011), Vicentini e Lugli (2009) e Souza, R. (2011); desigualdade e racismo, com Carneiro (2011); teorias que discutem a interação entre eixos de subordinação, como raça, gênero e classe social, como interseccionalidade, com Collins e Bilge (2021) e Collins (2022); e lugar de fala, com Ribeiro (2017). Também foram usados como referências autores que discorrem sobre a história da profissão docente e da educação primária, como Silva (1997), Tavares (2008), Brandão (2012), Sousa (2012), Santana et al. (2013b), Santana, Sousa e Brandão (2020), Silva (2017), Anjos (2018), Cavalcante (2020), Miguel (2021) e Sousa e Lima (2024). Outras teorias e teóricos também possibilitaram pensar o objeto de análise e entender que a questão de pesquisa neste trabalho diz respeito às experiências das populações racializadas afro-latino-americanas.