Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2023 |
Autor(a) principal: |
Ticona, Juan Pablo Aguilar
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Orientador(a): |
Costa, Federico |
Banca de defesa: |
Barreto, Florisneide Rodrigues,
Siqueira, Isadora Cristina de,
Oliveira Filho, Jamary,
Teixeira, Maria da Glória Lima Cruz,
Costa, Federico |
Tipo de documento: |
Tese
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal da Bahia
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Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva (PPGSC-ISC)
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Departamento: |
Instituto de Saúde Coletiva - ISC
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: |
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Área do conhecimento CNPq: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41615
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Resumo: |
Antecedentes: Em 2015, foi relatado o primeiro caso confirmado de infecção pelo vírus Zika no território continental de América, especificamente no Nordeste do Brasil. No entanto, os fatores que contribuem para a alta taxa de infecção e sua distribuição geográfica heterogênea ainda não estão claros. Além disso, o vírus Zika se diferencia de outros arbovírus devido à possibilidade de transmissão congênita e sexual, tornando crucial a avaliação das crianças expostas para o desenvolvimento de medidas preventivas que limitem o impacto no desenvolvimento infantil. Objetivo: Avaliar a transmissão do vírus Zika e os fatores de riscos em comunidades urbanas vulneráveis e seus efeitos clínicos e de desenvolvimento em crianças nascidas durante a epidemia de 2015-2016 em Salvador, Brasil. Métodos: Duas coortes foram avaliadas na cidade de Salvador, Brasil. A primeira, realizada na comunidade de Pau da Lima, teve como objetivo avaliar a transmissão do vírus Zika e os participantes foram acompanhados por meio de seguimentos semestrais antes e após o surto de 2015. Na segunda coorte, conduzida no Hospital Geral Roberto Santos (HGRS), foram avaliados desfechos do desenvolvimento infantil, incluindo crescimento antropométrico, neurodesenvolvimento, e desfechos clínicos neurológicos, oftalmológicos e auditivos aos 2 e 3 anos após o nascimento. A exposição ao vírus Zika foi determinada usando o ensaio imunológico IgG3 para o ZIKV na coorte de Pau da Lima e o Teste de Neutralização por Redução de Placa (PRNT) com amostras maternas de sangue coletadas no nascimento e durante o seguimento na coorte hospitalar do HGRS. Resultados: Os resultados deste estudo foram descritos em quatro artigos. 1) Na coorte de Pau da Lima, foi identificado que indivíduos com empregos informais e insegurança alimentar tiveram maior chance de soropositividade para o ZIKV, enquanto aqueles com alto índice socioeconômico tiveram menor chance. 2) Na mesma coorte, foi identificado que homens que se envolviam em relações sexuais casuais tinham mais chances de serem positivos para o ZIKV e mulheres com menos de 6 anos de escolaridade formal tinham duas vezes mais chances de ter um resultado positivo. 3) Na coorte HGRS, focou no neurodesenvolvimento de crianças sem microcefalia, constatando que crianças expostas ao ZIKV tiveram um risco maior de 2 comprometimento neurodesenvolvimental global. 4) Na mesma coorte, foi caracterizado o neurodesenvolvimento de crianças com microcefalia, observando-se atraso grave no neurodesenvolvimento das crianças com SCZ. Além disso, maiores escores na avaliação neurológica foram associados a melhores escores cognitivos e motores do Bayley-III, e maior circunferência da cabeça no acompanhamento foi associada a melhores escores cognitivos e motores. Conclusão: Em resumo, esses trabalhos oferecem informações sobre os fatores sociais e do comportamento associados à transmissão do ZIKV em comunidades vulneráveis, assim como do papel da exposição intrauterina e seu impacto no neurodesenvolvimento de crianças com e sem microcefalia. Consequentemente, é crucial destacar a necessidade de medidas além das focadas no controle do vetor que levem em consideração fatores sociais e comportamentais para minimizar o impacto da doença. Além disso, é importante realizar avaliações de longo prazo em crianças expostas ao ZIKV para permitir intervenções precoces e efetivas. |