Planejamento territorial participativo: tecendo a utopia de uma comunidade cuidadora

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Pinho, Joelmir lattes
Orientador(a): Silva, Francisco Raniere Moreira da lattes
Banca de defesa: Silva, Francisco Raniere Moreira da lattes, Santos, André Luis Nascimento lattes, Giannella, Valéria lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Mestrado Multidisciplinar e Profissionalizante em Desenvolvimento e Gestão
Departamento: Escola de Administração
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/38001
Resumo: Ainda que metodologias de planejamento territorial participativo não sejam uma novidade, é fato que estas não têm sido capazes de dar conta das urgências que se apresentam para comunidades urbanas e rurais no Brasil e outras partes do planeta, posto que ainda se pautam por uma visão de mundo limitada por um paradigma linear e predominantemente utilitarista. Visando ampliar um diálogo cada vez mais necessário, este trabalho apresenta a metodologia de planejamento territorial participativo denominada Comunidades Cuidadoras, desenvolvida junto às comunidades Oitis e Catolé, na zona rural do município de Milagres, no Cariri cearense. O objetivo foi contribuir com a vivência e sistematização de uma experiência de planejamento territorial participativo nas referidas comunidades, à luz dos elementos constitutivos da Gestão Social e do conceito/utopia de comunidade cuidadora. Nesse percurso, o encontro com outros conceitos - como sustentabilidade, comunitarismo, bem viver e gestão dos bens comuns - foi essencial. Ainda que não se trate de escolhas engessadas ou receituários a serem seguidos, o exercício de pesquisa que resultou no presente trabalho pautou-se pelos princípios da pesquisa-ação e, de forma mais pontual, por elementos constitutivos da etnografia. A metodologia Comunidades Cuidadoras foi experienciada entre maio de 2022 e janeiro de 2023. O diálogo como fio condutor do processo, o reconhecimento dos saberes e fazeres dos múltiplos atores e atrizes que tomaram parte do percurso, o acolhimento das urgências do território e uma visão de mundo mais alargada, a partir da reflexão coletiva, referenciaram a caminhada e conduziram aos resultados apresentados no presente trabalho que é, também, um registro crítico-reflexivo da própria jornada e da concepção inicial da metodologia. Do ponto de vista científico, as contribuições deste trabalho se inserem no campo da reflexão crítica, ainda de forma breve, sobre os limites das metodologias de planejamento territorial participativo. Além disso, nos aponta a necessidade de problematização dos processos de planejamento territorial, a partir do questionamento do paradigma que nos trouxe até onde nos encontramos atualmente, enquanto espécie e enquanto planeta, sem nos afastarmos do diálogo com os contextos locais. No campo tecnológico, o trabalho aqui sistematizado apresenta uma metodologia de planejamento territorial participativo que pode ser entendida como uma Tecnologia de Gestão Social que inova ao propor caminhos que nos permitam reconhecer o potencial endógeno de cada território, acolher suas urgências e, ao mesmo tempo, dialogar com agendas mais amplas, a exemplo da emergência climática. Quanto à dimensão social, esse trabalho possibilitou o exercício coletivo do planejamento territorial, deixando como contribuição direta para as comunidades Oitis e Catolé, onde a pesquisa foi desenvolvida, um Plano de Ação Comunitário, Territorial e Organizacional – PACTO, parte integrante da metodologia Comunidades Cuidadoras. O Plano terá vigência de dois anos (2023-2024) e, ao lado dos projetos executivos a ele vinculados, representa o produto mais concreto desse percurso. Contudo, vale destacar os aspectos subjetivos, os aprendizados coletivos e o exercício de autorreconhecimento das potências das duas comunidades, especialmente a partir da pergunta geradora “o que podemos fazer por nós mesmos”.