POR UMA ANÁLISE CRÍTICA E AFRODIASPÓRICA DA TRADUÇÃO DO ROMANCE PONCIÁ VICÊNCIO DE CONCEIÇÃO EVARISTO

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: SOCORRO, JEFERSON SANTOS DO lattes
Orientador(a): FRANCA, DENISE CARRASCOSA
Banca de defesa: FRANCA, DENISE CARRASCOSA, SANTOS, JOSE HENRIQUE DE FREITAS, SOUZA, ANA LUCIA SILVA
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
Programa de Pós-Graduação: Pós-Graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT) 
Departamento: Instituto de Letras
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/37539
Resumo: Este trabalho é uma análise e reflexão teórico-crítica acerca do processo de tradução do romance Ponciá Vicêncio, da escritora afro-brasileira Conceição Evaristo (2003), para o inglês estadunidense, feita pela hispano-estadunidense Paloma Martinez-Cruz e publicado pela Host Publication em 2007. Para a análise em pauta, levamos em consideração a tradução como prática cultural atravessada pela relação interseccional entre o texto, os contextos (estético, político-econômico, social, histórico) mediados pela subjetividade, classe social, condição étnico-racial, gênero, interesses e motivações do sujeito tradutor. Traduzir textualidades afrodiaspóricas não é uma atividade apenas linguística, mas, sim, uma atividade ética, estético-política, ontológica que possibilita (re) conectibilidades múltiplas de modos de ser, ver e existir no mundo das diversas culturas que foram forçosamente dispersas no mundo pelos processos de escravização e colonização. Esse tipo de tradução tem sua complexidade extremada, visto que grande parte das textualidades apresenta teor político e ético com vistas a causar efeitos de sentidos que possam contribuir para a restituição da dignidade humana de maneira holística das populações negras na Afrodiáspora. Tal análise será feita levando em consideração as especificidades culturais, linguísticas, estéticas, contexto histórico-cultural e político de produção da narrativa intrinsecamente relacionada às questões afrodiaspóricas e ao projeto literário da escritora, posto que tenha flagrado incongruências tradutórias com as especificidades mencionadas, cujas reverberações são bastante significativas. O trabalho dialoga com teóricos e críticos da tradução e da literatura afro-brasileira a exemplo de Kwame Anthony Appiah (1993), Raquel de Souza (2017), Florentina Sousa (2006), Maria Nazaré Lima (2006), Cristian Salles (2017), entre outras. São trazidas à baila também duas intelectuais afrodiaspóricas, a afro-estadunidense Geri Augusto (2017) e a afro-brasileira Denise Carrascosa (2017), cujo pensamento orientou de forma transversal todo o trabalho.