Considerações estéticas e políticas na obra de Lima Barreto: a emergência de um contexto biopolítico

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Bispo, Lenon Sampaio lattes
Orientador(a): Duarte, Rosinês de Jesus, Souza, Arivaldo Sacramento de
Banca de defesa: Silva, Jorge Augusto de Jesus, Souza, Arivaldo Sacramento de, Souza, Débora de, Duarte, Rosinês de Jesus
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Pós-Graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT) 
Departamento: Instituto de Letras
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41441
Resumo: O presente trabalho propõe-se a analisar a relação política e estética na obra de Lima Barreto, mais especificamente nas obras O cemitério dos Vivos(2018), Diário Íntimo(2018) e Diário do Hospício(2018). Para isso, alguns núcleos são acionados estrategicamente para pensar essa relação, como a linguagem, a representação, a noção de literatura militante, o espaço narrativo e os conceitos de biopoder e biopolítica desenvolvidos por Michael Foucault. Em um primeiro momento, é construída a forma metodológica, a genealogia dos poderes, que tem por fundamento desnaturalizar os fenômenos analisados, fazer uma crítica a origem transcendental dos mesmos e analisar as relações de poder. A genealogia busca identificar os dispositivos (mecanismos e estratégias) que articulam as relações de poder e saber. A genealogia dos poderes tem por objetivo refletir sobre o conceito de história, o problema do saber e da verdade. A problematização do literário na obra de Lima Barreto, é, talvez, o ponto de saída e de chegada deste trabalho. O fazer literário e as críticas produzidas pelo autor corroboram para uma nova perspectiva do conceito literário. Ao apontar para uma perspectiva de literatura militante e negra, o autor constrói uma problematização da concepção de literatura brasileira; concepção esta que Regina Dalcastagnè(2012) demonstra que nunca foi plural, mas uma concepção homogênea, convertida em uma unidade que nunca correspondeu com a diversidade, diferença e pluralidade. Em tese, a concepção de literatura está ligada a uma visão de mundo e de sociedade. Se, para Lukács(2009), a Literatura da segunda metade do século XIX e começo do século XX era essencialmente burguesa, o fazer literário e o próprio entendimento teórico de Lima Barreto vão na direção oposta desse status quo. Este, talvez, seja o grande diferencial da literatura barreteana. Ao promover uma ideia de arte que está em consonância com a vida, com propósito humanista e de alteridade. De maneira sucinta, o trabalho aponta para a ideia de que, além do autor contribuir para um conceito mais real da literatura brasileira, ele, através de alguns elementos da teoria da narrativa: espaço, tempo, personagens, revoluciona a teoria da narrativa no sentido de se apropriar desse espaço, anteriormente burguês. Nesse sentido, torna-se, quase impossível, fazer uma análise crítica da sua obra e da literatura brasileira como um todo sem problematizar as relações estéticas e políticas envolvidas na literatura.