Cultura escrita e Educação de Jovens e Adultos: as narrativas negras para práticas antirracistas e antissexistas na produção de material didático para a EJA

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Fonseca, Diogo Santana lattes
Orientador(a): Souza, Ana Lúcia Silva lattes
Banca de defesa: Souza, Ana Lúcia Silva lattes, Santos, José Henrique de Freitas lattes, Muniz, Kassandra da Silva lattes
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Mestrado Profissional em Letras - (PROFLETRAS) 
Departamento: Instituto de Letras
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41168
Resumo: A presente pesquisa foi desenvolvida no âmbito do Programa de Mestrado Profissional em Letras – PROFLETRAS –, da Universidade Federal da Bahia – UFBA, e apresenta-se como um memorial de formação acadêmica, o qual é iniciado com a auto investigação do autor acerca das recordações que lhe foram significativas e decisivas na escolha de seu ofício e acerca de suas práticas de sala de aula, a partir de reflexões acerca da sua formação básica e acadêmica e das experiências já acumuladas na vida profissional, enquanto sujeito negro. Nesse percurso de resgate das memórias, o autor ressalta o papel primordial da sua genitora, uma mulher negra, nos seus processos de letramentos, de tal forma que, enquanto professor e pesquisador, percebe que as turmas de Educação de Jovens e Adultos (EJA) para as quais leciona são também compostas majoritariamente por mulheres negras, as quais sofrem apagamento estético, social e epistêmico nos livros didáticos dessa modalidade de ensino. Gera-se, então, o interesse do autor em investigar tal questão a partir de um olhar interseccional. O estudo tem como finalidade refletir sobre o impacto causado pelo racismo e sexismo nos/as estudantes das séries finais do Ensino Fundamental da EJA, pertencentes ao território de Brotas, tendo como produto a proposição de oficinas didáticas de leitura e escrita antirracistas e antissexistas, que valorizem os letramentos cotidianos de cada estudante envolvido/a, visando a tornar presente a história da África e do Brasil africano no chão da sala de aula, estimulando comportamentos de alteridade, de solidariedade e de tolerância, gerando debate e combatendo ao racismo, ao sexismo e às discriminações que ainda atingem a população negra, principalmente as mulheres, no Brasil. As narrativas biográficas foram escolhidas como aporte para o desenvolvimento das práxis de leitura e escrita, por influenciarem direta e cotidianamente a vida dos/as estudantes em suas práticas de letramento, por meio de diversos/as agentes. Dessa forma, o conceito de Escrevivência, defendido por Conceição Evaristo (2020) configura-se como base para a proposta deste trabalho. O presente estudo referencia-se nas concepções de letramentos sociais – negros e de reexistência – discutidas por Souza (2011) e Freitas (2022). A fundamentação teórica acerca da Pedagogia Antirracista e Antissexista na Educação de Jovens e Adultos (EJA) está pautada em bell hooks (2017), Sueli Carneiro (2011 e 2023), Nilma Gomes (2001, 2005, 2010 e 2017), Kabengele Munanga (2000, 2004, 2005 e 2006), Natalino Silva (2010, 2017 e 2023), Aldaíce Rocha (2018) e Severino Reis (2021). O estudo sobre material didático e as propostas das oficinas didático-pedagógicas estruturam-se a partir das contribuições de Ana Célia da Silva (2001, 2005, 2011 e 2019), Gabriel Nascimento (2019) e Conceição Evaristo (2020). Essa pesquisa de cunho propositivo possibilitou uma análise mais profunda sobre a prática docente, destacando a importância de se considerar o ensino de língua portuguesa como um instrumento capaz de promover a escuta, o diálogo, a reflexão e o empoderamento dos/das estudantes, despertando neles/as a autonomia como construtores/as de uma nova história, individual e coletiva, em prol de uma sociedade mais equânime, livre de opressões.