Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Ferreira, Thamara Claudia de Melo
 |
Orientador(a): |
Toralles, Maria Betânia Pereira
 |
Banca de defesa: |
Toralles, Maria Betânia Pereira
,
Araújo, Roberto Paulo Correia de
,
Freitas, Juliana Côrtes
 |
Tipo de documento: |
Dissertação
|
Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
UNIVERSIDADE FEDERAL DA BAHIA
|
Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pós-Graduação em Processos Interativos dos Órgãos e Sistemas (PPGORGSISTEM)
|
Departamento: |
Instituto de Ciências da Saúde - ICS
|
País: |
Brasil
|
Palavras-chave em Português: |
|
Área do conhecimento CNPq: |
|
Link de acesso: |
https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41321
|
Resumo: |
Introdução – Cerca de 10% dos novos casos de câncer de mama são relacionados a fatores hereditários, sendo o principal a síndrome de predisposição hereditária, a síndrome de câncer de mama e ovário hereditários, causada por mutações nos genes BRCA1 e BRCA2 (HBOC, do inglês Hereditary Breast and Ovarian Cancer). No entanto, apenas 10% das pacientes portadoras de câncer de mama evidenciam a presença de alterações germinativas nos genes BRCA1 ou BRCA2. Variantes patogênicas em outros genes, conhecidos por terem penetrância moderada, como PALB2, CHEK2 e ATM, também aumentam o risco de câncer de mama em 3 a 5% das mulheres direcionadas para avaliação de risco hereditário de câncer de mama ou ovário. O gene ATM (Ataxia-Telangiectasia Mutado) é responsável pela ataxia-telangiectasia (AT) doença rara, de herança autossômica recessiva, caracterizada por degeneração cerebelar progressiva, telangiectasias oculares e faciais, tendência a infecções sinopulmonares e predisposição ao câncer. Mutações bialéicas em ATM causam ataxia-telangiectasia, e mutações em heterozigose em ATM são mais comuns entre indivíduos com câncer de mama do que na população em geral. Mulheres heterozigotas para mutações em ATM têm aumento de 2 a 5 vezes do risco para câncer de mama. Objetivo – Investigar o panorama mutacional de variantes germinativas no gene ATM relacionadas ao câncer de mama, em uma população de pacientes encaminhadas a um serviço de referência do sistema público de saúde no Estado da Bahia. Material e métodos – Estudo descritivo com análise de pacientes submetidas à avaliação oncogenética num serviço público de referência, no período 07/2007 a 06/2024, através da análise de resultados de sequenciamento de nova geração (NGS). Resultados – Foram identificadas 15 variantes patogênicas ou provavelmente patogênicas no gene ATM e 31 variantes de significado incerto em 874 pacientes avaliadas para síndromes de predisposição ao câncer hereditário. Dentre as pacientes com variantes patogênicas, 12 eram portadoras de câncer de mama, e 75% delas tinham menos de 50 anos. Foram encontradas duas variantes patogênicas não reportadas em bancos de dados populacionais. Segundo autoclassificação de raça ou cor, 67% das integrantes da amostra se identificaram como afrodescendentes. Mais de uma família não aparentada compartilhou a mesma variante. Em apenas uma família houve relato de consaguinidade. Variantes deletérias do tipo nonsense e frameshift, que resultaram em proteínas truncadas, com perda da expressão proteica, foram a maioria das variantes encontradas e justificaram a base molecular para o desenvolvimento do câncer. Conclusão – Este trabalho identificou ATM como o gene de moderada penetrância, mais frequente em nossa população, acometendo mulheres jovens, com alta prevalência numa população de maioria afrodescendente, com alta variabilidade de mutações e expressões fenotípicas no gene ATM, correlacionando os achados clínicos e genômicos que apontam as diferentes contribuições de populações europeias e africanas para a linhagem da população brasileira. |