Santas, Benditas e Aflitas: devoções populares às almas na cidade de Vitória-ES

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Thompson, Barbara lattes
Orientador(a): Tavares, Fátima Regina Gomes lattes
Banca de defesa: Sampaio, Dilaine Soares, Silveira, Emerson Sena, Perez, Lea Freitas, Carneiro, Sandra Maria Corrêa de Sá, Tavares, Fátima Regina Gomes
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) 
Departamento: Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH)
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41100
Resumo: Esta Tese analisa as trocas rituais que articulam as almas dos mortos, os vivos e outros entes tangíveis e intangíveis, como oferendas (objetos votivos), orixás, santos, pretos velhos e exus. Por meio da noção maussiana de dádiva, interpreto os cultos às almas como troca e obrigação entre vivos e mortos nas formas populares de devoção às almas no contexto urbano e contemporâneo praticadas em três lugares rituais da cidade de Vitória-ES: os cemitérios públicos, os altares domésticos e os terreiros de umbanda. Promessa-graça-oferenda são os três atos rituais. O devoto, ao solicitar o auxílio das almas, um conjunto de mortos anônimos, promete recompensá-las com oferendas assim que o pedido for atendido. Quando a graça é alcançada, o devoto realiza a entrega de oferendas, caracterizando o pagamento de promessa e o selamento do acordo com as almas. Além das relações entre humanos e não humanos, tangíveis e intangíveis, apresento os perfis das almas e dos devotos, bem como as condições das transações que são construídas, preservadas e/ou desfeitas. Para atingir tal objetivo, desenvolvi uma “etnografia de longa duração”, entre os anos de 2015 e 2023, fundamentada na noção teórica-metodológica de agenciamento, que descentraliza a ação humana no mundo, e reconhece a atuação de entes diversos. As visitas aos cemitérios aconteceram predominante durante a celebração do Dia de Finados, e às segundas-feiras, dia popularmente associado às almas. No ambiente doméstico, as visitas ocorreram na casa de familiares e amigos. Por fim, visitei quatro terreiros de umbanda mais antigos da capital. Nas incursões em campo realizei cerca de 80 entrevistas com roteiro semiaberto, além dos registros fotográficos. A pesquisa etnográfica evidencia a agência dos seres intangíveis e objetos na vida social dos vivos, os fluxos e entrecruzamentos das almas, dos vivos, das oferendas e das entidades e orixás da umbanda, problematizando a centralidade da ação humana nos cultos dedicados à memória dos mortos não individualizados. Nesse contexto, as relações não são contínuas, mas intermitentes, com as tênues fronteiras entre os mundos tangível e intangível sendo manejadas em um regime de coparticipação e coexistência entre almas e entes espirituais auxiliadores das almas, devotos e oferendas.