A trajetória escolar de estudante ribeirinho da UFAM e a construção da identidade
Ano de defesa: | 2022 |
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Autor(a) principal: | |
Outros Autores: | , |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Amazonas
Faculdade de Psicologia Brasil UFAM Programa de Pós-graduação em Psicologia |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/9091 |
Resumo: | Não podemos tratar os campos brasileiros como se fossem homogêneos, a Amazonia sozinha abarca diversos grupos étnicos e populações tradicionais com identidades socioculturais e políticas particulares. Falar da trajetória escolar inclui uma imensa variedade de percursos e escolhas que variam desde a origem social do aluno, infraestrutura da escola, profissão dos pais, características climáticas entre outros fatores. Adotando a perspectiva da Psicologia Rural e Psicologia Social Crítica, nosso objetivo geral foi: Investigar como os estudantes ribeirinhos que estudam na UFAM significam a sua trajetória de escolarização e vivências no ensino superior. Objetivos específicos: a) Conhecer a trajetória de escolarização de estudantes ribeirinhos desde a educação básica até o ingresso no ensino superior, b) Descrever as vivências desses alunos no cotidiano da UFAM; c) Compreender de que maneira a vida acadêmica afeta no processo de construção de suas identidades. Esta pesquisa foi do tipo qualitativa, exploratória e em caráter de estudo de caso. Os instrumentos utilizados foram 1. questionário geral do PROCAD-AM aplicado de forma online e presencial, ao qual gerou um banco de dados com as informações dos participantes (nome, campus, idade, local de nascimento e moradia, pertence ou é originário de alguma comunidade amazônidas e etc.); 2. Entrevista individual com narrativa aberta. Partimos da pergunta norteadora: “conte-me sobre a sua trajetória de vida desde a infância até a chegada do ensino superior”; 3. Entrevista individual mediada por imagens ou objetos da escolha do participante, que representasse o momento de transição do ensino médio para o ensino superior. Quanto aos resultados do questionário PROCAD – AM, tivemos 124 participantes, sendo 57 respondentes online e 67 presencial. Desse número total, apenas 23 pessoas se identificaram como ribeirinhos. Conseguimos entrar em contato com 7 pessoas que se enquadravam nos critérios de inclusão, 2 demonstraram interesse em participar e apenas 1 seguiu até o final das entrevistas. A análise foi construtivo-interpretativa, pela qual identificamos os sentidos e significados da narrativa desse estudo de caso em 5 momentos da trajetória escolar do depoente: 1. Ensino Fundamental e a Vida na Comunidade em Tonantins/AM; 2 Saída da Comunidade para o Ensino Médio Técnico em Tabatinga/AM; 3. Retorno a Tonantins/AM e Início da Docência na Zona Rural; 4. Ensino Normal Superior: o PARFOR; 5. Identidade Política de Professor Ribeirinho. Por estas categorias narramos a trajetória de Nandinho, os caminhos que o levaram até o ensino superior, abordando o papel da educação na construção identitária segundo a teoria de identidade-metamorfose-emancipação, junto das vivências e os significados encontrados pelo caminho, que é atravessado pelas políticas públicas educacionais de interiorização. Concluímos que a trajetória escolar perpassa a construção identitária do sujeito e vice e versa, conforme ele avança nos níveis educacionais, o que contribui para mudar sua percepção sobre os papéis que deseja assumir em sua vida, enfrentar o dilema de permanecer em sua comunidade ou migrar em busca de oportunidades “melhores”, ou ainda perceber que a saída destes espaços não é a resposta de melhoria, assim como também o ajuda a perceber seu próprio papel dentro da sociedade. Pudemos ver ainda a importância dos familiares na construção identitária e discutir o mito da meritocracia e a importância de políticas públicas de acesso, permanência e uma educação pautada na valorização, contexto e saberes do mundo rural. |