Entre diálogos e silenciamentos: o processo de formação contínua de indígenas professores (as) da Secretaria Municipal de Educação de Manaus-AM
Ano de defesa: | 2023 |
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Autor(a) principal: | |
Outros Autores: | , |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Amazonas
Faculdade de Educação Brasil UFAM Programa de Pós-graduação em Educação |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/10102 |
Resumo: | A presente pesquisa aborda o processo de formação contínua de indígenas professores (as) no âmbito da Secretaria Municipal de Educação de Manaus. Tem como objetivo central Compreender o processo de formação contínua do indígena professor (a) na relação entre as necessidades formativas de sua práxis, as ações formativas institucionais da Semed Manaus e a elaboração de sua identidade docente. Os objetivos específicos incluem: Descrever os fundamentos do processo de formação contínua do (da) indígena professor (a) e sua repercussão em suas práticas educativas; Identificar as necessidades formativas dos (das) indígenas professores (as) e como comparecem na formação contínua ofertada pela Semed Manaus; Analisar como o (a) indígena professor (a) elabora sua identidade docente na interação entre suas práticas educativas e a formação contínua ofertada pela Semed Manaus. Trata-se de uma investigação qualitativa – bibliográfica e de campo - tendo como procedimento técnico a etnografia com a utilização de observação participante e entrevistas semiestruturadas, que se constituíram de modo hibrido. Tendo em vista, se tratar de um campo de estudo envolto de sentidos epistemológicos, existenciais, políticos e, sobretudo, educativos ancorados nas ancestralidades de diferentes povos indígenas amazônicos, optou-se pelo suporte epistemológico do pensamento decolonial – pelo caminho da interculturalidade crítica, buscando construir caminhos para pensarmos a produção de conhecimentos no contexto dos povos indígenas amazônicos, desvinculando-se da herança de colonialidades (poder/saber/ser) operadas pela modernidade euro-usa-cêntrica. O campo da pesquisa empírica compôs se dos encontros formativos institucionais da Secretaria Municipal de Educação de Manaus, voltados aos indígenas professores (as) dos Espaços de Estudo da Língua Materna e Conhecimentos Tradicionais Indígenas - EELMCTI. Ações formativas virtuais e presenciais, ofertadas pela Divisão de Desenvolvimento Profissional do Magistério - DDPM e pela Gerência de Educação Escolar Indígena - GEEI. Os colaboradores da pesquisa são dez indígenas professores (as); dois assessores (as) pedagógicos da GEEI e duas formadoras da DDPM. Os resultados apontam que processo de formação contínua do (da) indígena professor (a) transita entre relações estabelecidas com a instituição, o cotidiano dos Espaços Indígenas e, a constituição de sua identidade docente decolonial, extrapolando questões de escolarização e as próprias ações formativas institucionais, uma vez que transcende o saber escolarizado assentado na perspectiva ocidental moderna/colonial e cartesiana. Sua formação contínua se pauta em quatro esteios formativos que sustentam, de alguma forma, a construção da práxis e saber diferenciado, e contribuem na constituição do ser educador indígena: a autoformação, o saber ancestral, a GEEI, e a DDPM. Na constituição das práticas educativas dos (as) indígenas professores (as), é possível constatar a construção de processos de decolonialidade desabrochando: expressos no planejamento, no desenvolvimento das práticas de currículo, na produção de materiais, bem como no despontar para a interculturalidade crítica. Porém, o ensino das línguas indígenas constitui um dos maiores desafios. As necessidades formativas que emergem do chão da escola diferenciada são elencadas como trilhas formativas: ancestral, política, didática diferenciada, linguística e tecnológica, apontadas como caminhos para a decolonização de ações formativas voltadas aos docentes indígenas. As ações formativas desenvolvidas pela instituição, a partir da GEEI e da DDPM, já despertam para a construção de práticas formativas mais próximas das vivências culturais indígenas. Contudo, ainda reproduzem a colonialidade, manifestando-a por meio de processos de balcanização; reprodução de práticas de escolarização, na “adaptação” de ações formativas dos demais professores (as) da rede, em ações formativas descontínuas; silenciamentos; ausência de participação ativa dos (as) indígenas professores (as) no planejamento das ações formativas, na elaboração e avaliação dos instrumentos de acompanhamento do processo por eles efetivado. Sua participação ainda se concretiza, predominantemente, de forma indireta. Urge, portanto, que suas vozes sejam ouvidas e potencializadas pela instituição na construção de processos formativos mais democráticos, participativos e justos, socialmente, assim como de uma formação contínua especifica para suas realidades socioculturais em contexto citadino. |