A compreensão das práticas e iniciativas locais para construção do desenvolvimento situado na Amazônia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Souza, Agnaldo Corrêa de
Outros Autores: http://lattes.cnpq.br/8352387853110268
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Amazonas
Instituto de Filosofia, Ciências Humanas e Sociais
Brasil
UFAM
Programa de Pós-graduação em Sociedade e Cultura na Amazônia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/8896
Resumo: Esta tese apresenta um estudo sobre as práticas e iniciativas locais dos atores sociais do Sítio da Valéria, localizado no interior do município de Parintins, fronteira entre os Estados do Amazonas e Pará. As interpretações sobre o sítio estudado serviram para proposição da construção de um possível modelo de desenvolvimento situado na Amazônia. Este modelo surge como crítica aos modelos de desenvolvimento transpostos dos países de economia capitalista situados no hemisfério Norte que não valorizaram as especificidades existentes em cada sítio de pertencimento na Amazônia. Tem como base a Teoria dos Sítios simbólicos de Pertencimento do economista marroquino Hassan Zaoual. A abordagem dos sítios, leva em consideração o papel das crenças, o universo simbólico, as práticas e experiências dos atores situados, bem como a organização social e econômica. Esta teoria ajuda a olhar a realidade a partir das relações entre os indivíduos em cada sítio de pertencimento; busca compreender o entrelaçamento entre as práticas e iniciativas sociais do passado de uma localidade, para se lançar sobre o presente como resposta às eventuais crises vividas por uma determinada população. O universo teórico metodológico, além de seguir as diretrizes da teoria dos sites, está alinhado com a abordagem abrangente da fenomenologia/compreensão de Alfred Schutz, que apresenta uma forma prática de observar o universo simbólico a partir de três conceitos fundamentais: as reversas de experiências, a tipicidade da vida cotidiana e as estruturas de pertinência. Elencada as diretrizes interacionista da teoria dos sítios de Zaoual e da fenomenologia de Schutz, o campo de pesquisa se mostrou como uma entidade viva e dinâmica que muda de acordo com as necessidades da vida vivida. Diante desse arcabouço teórico-metodológico, a organização do campo de estudo vislumbrou diversas manifestações de experiências vividas pelas populações da localidade estudada, da qual compôs o quadro fenomenológico manifestados nas práticas e iniciativas da localidade. Guiados pela pedagogia do monitoramento, as experiências observadas no campo a partir dos relatos de moradores locais, assim como pelo retrato da história do município sobre o contexto dos processos de desenvolvimento econômico desde a colonização até o período republicano foram resgatados para evidenciar a existência dos desenvolvimentos transpostos nessa parte da Amazônia. Esses modelos de base capitalista com suas organizações, práticas e ideológicas transpostas não se sustentaram, apresentando muitas falhas, como a exclusão do homem situado. Para elucidar essas experiências fracassadas, apresentamos a configuração da Teoria dos Sítios, da qual contribuiu para tirar o véu que encobria os sítios locais. As práticas e atividades do turismo receptivo no lugar denominado como região da Valéria, usada como atrativo turístico durante o período de alta estação dos cruzeiros na Amazônia serviu para ligar a teoria dos sítios. Sobre essas atividades refletimos questões que permeiam o contexto socioeconômico, para lançar nossa proposta de desenvolvimento situado, a partir do turismo. Nossa proposta poderá servir a comunidade local, profissionais do trade turístico, aos governos municipal e estadual para discutirem e criarem políticas de Estado nas práticas do turismo em sítios de pertencimento.