Entre o adormecer e o despertar: etnoconhecimento, território e identidade indígena no Médio Rio Negro
Ano de defesa: | 2022 |
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Autor(a) principal: | |
Outros Autores: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Amazonas
Centro de Ciências do Ambiente Brasil UFAM Programa de Pós-graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/9564 |
Resumo: | A região do médio rio Negro, área onde o município de Barcelos está localizado, foi fortemente atingida pelo colonialismo etnocentrista digerindo até o presente as sequelas de um período que se estendeu do século XVII até o século XIX. O conhecimento indígena do território foi explorado, considerando que o enriquecimento econômico estava diretamente atrelado às formas de produção e manutenção do território realizada pelos nativos. O uso de plantas medicinais é uma herança indígena de tempos imemoriais. A colonização eurocentrista longe de podar esse hábito o explorou economicamente sobretudo com a coleta e comercialização das chamadas drogas do sertão. O eixo principal, inicialmente, foi o uso de plantas medicinais, mas questões relacionadas à identidade indígena no médio rio Negro surgiram durante a pesquisa de campo alterando a estrutura teórica do trabalho. O objetivo geral foi analisar o uso de plantas medicinais e a relação com o etnoconhecimento indígena no médio rio Negro, estado do Amazonas e os objetivos específicos foram: relacionar a formação territorial do médio rio Negro com as identidades indígenas adormecidas; mostrar a organização do território indígena por meio do trabalho de cultivo e extrativismo; e discutir as (des)continuidades no uso de plantas medicinais. As estratégias metodológicas foram organizadas em abordagem teórica e técnicas de pesquisa, sendo a primeira baseada no olhar, ouvir e escrever (OLIVEIRA, 1996) e a segunda as técnicas de entrevistas semiestruturadas, observação direta e observação e turnê-guiada. A pesquisa de campo foi realizada em 2018 e em 2020, respectivamente, nas comunidades Dom Pedro II e Manacauaca em Barcelos (AM) e no Distrito Sanitário Especial Indígena (DSEI) em São Gabriel da Cachoeira (AM). Nas comunidades, foi identificado que a identidade indígena está entre o adormecer o despertar considerando, por um lado, os preconceitos e perseguições historicamente realizados e, por outro lado, a resiliência e a crescente luta por direitos de manutenção do território (demarcação, saúde e educação). Além da autodeclaração, existem outras formas de reconhecer o habitus indígena, como: práticas, etnoconhecimento, ocupação do território e organização do trabalho, uso de artefatos indígenas, modo de vida, cosmologias e mitologias indígenas. Com base nisso, a identidade indígena se tornou um conceito transversal aliado ao uso de plantas medicinais. Os indígenas utilizam plantas medicinais para o tratamento de enfermidades cuja responsabilidade é voltada a mulher e o uso se refere ao autocuidado, a manutenção do território e ao acionamento da memória social. O uso de fármacos está se tornando crescente devido ao constante fornecimento desses medicamentos pelo DSEI, o que pode contribuir para o enfraquecimento da memória social. Embora haja negações identitárias o território indígena revela a identidade por meio dos quintais agroflorestais que são microterritórios dos terreiros. O uso de plantas medicinais é parte do habitus que se manteve dentre as (des)continuidades indígenas. Portanto, o uso de plantas medicinais é uma atividade de trabalho realizada pelos indígenas, organizada no calendário que respeita e considera o ambiente. O despertar identitário abrange memória social, conhecimentos e saberes, trabalho, modo de vida, conservação ambiental e manutenção territorial, enfim, diversas características que diferenciam o indígena do não indígena que vão além da fisionomia ou de estereótipos reproduzidos historicamente. |