Percepção de moradores da orla do bairro da União de Parintins-AM sobre os ciclos sazonais do rio Amazonas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Santos, Alessandra Alves dos
Outros Autores: http://lattes.cnpq.br/7649665569887053, https://orcid.org/0009-0006-4385-7348
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Amazonas
Centro de Ciências do Ambiente
Brasil
UFAM
Programa de Pós-graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/10659
Resumo: O fenômeno do ritmo sazonal das águas na Amazônia fica evidente nas enchentes e nas vazantes dos rios. Esse ritmo proporciona mudanças substanciais na vida das pessoas e altera o ecossistema local. Este estudo se deu com moradores da orla do bairro da União localizada na cidade de Parintins-AM sobre esses ciclos sazonais do rio. Essa orla é o cartão postal e o portal de entrada dos turistas que vêm pra cidade nos festivais do Boi Bumbá. Isso tudo ocorre no período da enchente, quando lá se concentram os flutuantes festivos, os barcos de pequeno e médio porte deixando o local com um burburinho entusiasmante. Na vazante vem o “deserto” social, o baixo movimento e o lixo aparente. A transição de "mais água" para "mais terra" carrega vestígios deixados pela interação humana em suas atividades sociais. O objetivo geral desse estudo foi compreender as percepções dos moradores sobre a mudança do cenário geofísico e práticas socioambientais em função da sazonalidade do rio. A pesquisa exploratória-descritiva teve duas etapas. A primeira etapa foi realizada um levantamento socioambiental do espaço físico, a partir da técnica walkthrough. Na segunda etapa foram entrevistados 26 moradores (14 homens e 12 mulheres) de 19 a 67 anos de idade. Os resultados mostram que a mudanças sazonais são vivenciados no corpo e pelo acordo dos moradores. O período da enchente é o momento mais esperado, por ser um tempo de ganhos econômicos, por ter muita movimentação de pessoas e proporcionar aos moradores aproximação com o rio. Essa movimentação social atrelada à subida das águas produz sensações de alegria. Alguns desagrados, no entanto, estão presentes, entre eles a poluição, o barulho e o risco de inundação. O período da vazante é um tempo de pouca movimentação e poucas vendas, todavia por não ter movimentação o morador tem mais tempo para descansar e apreciar a paisagem que o rio e as águas lhes permitem. O desalento na vazante é o lixo deixado pelos flutuantes, embarcações e outros que ali passam. O medo de invasão de animais considerados perigosos como jacarés, cobras, ou indesejados sapos, os impedem de se sentir protegidos. Para a maioria dos moradores, os problemas de lixo são diminuídos com o trabalho de algumas instituições que fazem mutirão, mas que estes raramente participam. As ações são consideradas positivas e que favorecem a vida cotidiana, mas reconhecem que pouco fazem para melhorar o ambiente, embora tenham consciência que esses problemas poderiam ser evitados a partir da mudança de comportamento das pessoas e uma eficiente gestão política da cidade. O estudo mostra o quanto a comunidade da orla é carente de processos educativos e de maior empoderamento social no sentido de refletir e atuar de forma mais sustentável seja nos períodos de enchente ou vazantes do rio.