Na lida, em silêncio e na (in)visibilidade : as pescadoras artesanais de camarão do Rio Solimões/Amazonas
Ano de defesa: | 2024 |
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Autor(a) principal: | |
Outros Autores: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso embargado |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Amazonas
Centro de Ciências do Ambiente Brasil UFAM Programa de Pós-graduação em Ciências do Ambiente e Sustentabilidade na Amazônia |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/10438 |
Resumo: | A pesca artesanal do camarão (Macrobrachium amazonicum) é praticada pela maioria de mulheres em várias comunidades ribeirinhas da calha do rio Solimões/Amazonas, faz parte do modo de vida varzeiro amazônico. Nossa pesquisa identificou 11 (onze) municípios pesqueiros de camarão no Amazonas, dentre os quais, definimos 04 (quatro) como nossa área de estudo - Careiro da Várzea, Iranduba, Itacoatiara e Manacapuru. Nesses lugares de pesquisa, detectamos 11 (onze) comunidades pesqueiras dos crustáceos e entrevistamos 26 (vinte e seis) mulheres pescadoras de 10 (dez) comunidades. Essa pesca representa uma das principais fontes de renda para as famílias das pescadoras, sendo realizada no período da vazante, nos meses de agosto a outubro. Nosso objetivo com a investigação é dar visibilidade e contribuir com o processo de reconhecimento do trabalho dessas mulheres pescadoras artesanais, ampliando e aprofundando o conhecimento sobre o trabalho que desenvolvem com este tipo de pesca. A metodologia utilizada foi de cunho qualitativo. Realizamos estudo bibliográfico, fizemos uso da observação direta, realizamos entrevistas estruturadas e semiestruturadas, conversamos com as pescadoras individualmente e em grupo. Registramos nossos encontros e algumas das várias atividades que as pescadoras realizam por meio de filmagens e imagens fotográficas, além de fazermos as marcações de pontos para a elaboração dos mapas das comunidades onde estivemos presentes. Os dados foram analisados tendo por base a perspectiva social e histórica, em um processo contínuo e complexo, exigindo de nós uma postura reflexiva, crítica e permanente na busca de significados, nexos sobre os dados estudados. Nossas análises refletem o momento social e histórico em que foram realizadas. As pescadoras realizam o trabalho no processo de pesca do camarão, desde a preparação das iscas até sua comercialização, mas a maioria delas não possui o Registro Geral da Pesca (RGP) e, consequentemente não tem acesso ao Programa do Seguro Defeso do Pescador Artesanal (PSDPA). A pesca do camarão não é pauta de discussão, nem tem qualquer tipo de documento que comprove formalmente sua existência, tanto nas instituições governamentais, quanto nas entidades representativas da categoria pesqueira, Colônias, Sindicatos e Associações. Nossa pesquisa considera que a ausência de registros, invisibiliza e contribui para a falta de reconhecimento da especificidade desse tipo de trabalho pesqueiro amazônico, das pescadoras artesanais que desenvolvem esta atividade e da economia que é gerada em torno desta prática. e economia. Nosso estudo aponta também para a situação de vulnerabilidade socioambiental das mulheres pescadoras e do recurso natural pesqueiro com o qual trabalham, o camarão, uma vez que ambos não dispõem de políticas protetivas específicas, já que para o Estado eles não existem formalmente. A participação das mulheres nos espaços políticos de representação pesqueira é marcada pelo silêncio em torno da pesca do camarão e pelo patriarcado. Nesses espaços, observa-se também as relações de parentesco no comando das entidades. Não identificamos nem um movimento das pescadoras de camarão em torno da busca por seus direitos. |