Investigação epidemiológica e relação entre polimorfismos genéticos nos antígenos leucocitários humanos (HLA) classe II (DRB1* e DQB1*) em indivíduos com tuberculose pulmonar, extrapulmonar e sem tuberculose no Estado do Amazonas
Ano de defesa: | 2023 |
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Autor(a) principal: | |
Outros Autores: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Federal do Amazonas
Instituto de Ciências Biológicas Brasil UFAM Programa de Pós-graduação em Imunologia Básica e Aplicada |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | https://tede.ufam.edu.br/handle/tede/9739 |
Resumo: | A tuberculose (TB) é uma doença infecciosa e transmissível causada por micobactérias do complexo Mycobacterium tuberculosis. A forma clínica mais frequente é a tuberculose pulmonar (TBP), entretanto outros órgãos e/ou sistemas podem ser acometidos, ocasionando a tuberculose extrapulmonar (TBExP). Apesar de ser uma enfermidade antiga, a tuberculose continua sendo um importante problema de saúde pública mundial. No Brasil, em 2022, mais de 78 mil casos novos foram notificados e ocorreram cerca de 2,2 óbitos/100 mil habitantes em decorrência da TB. Nesse mesmo ano, o Amazonas registrou 84,1 casos/100 mil habitantes e 4,0 óbitos por TB/100 mil habitantes, os maiores coeficientes da doença no País. Esses dados estimulam pesquisas em imunologia, uma vez que a maioria dos indivíduos infectados por M. tuberculosis consegue controlar a infecção e menos de 10% evoluem para doença ativa. Além disso, a TB apresenta amplo espectro clínico, sugerindo que fatores imunogenéticos, como as moléculas de HLA- Human Leukocyte Antigen (antígeno leucocitário humano) classe II possa estar envolvida na evolução da doença. Essas moléculas estão constitutivamente presentes nas células apresentadoras de antígenos e formam complexos com peptídeos que serão apresentados aos linfócitos T helper (Th). Na TB, a resposta imune por linfócitos Th1 é importante para o controle da infecção. Por este motivo, o objetivo desta pesquisa foi investigar a distribuição dos alelos do gene de HLA classe II (-DRB1 e -DQB1) em indivíduos com TB. Este estudo incluiu 519 participantes, sendo 195 indivíduos com TBP, 67 com TBExP e 257 controles sem TB, todos recrutados em centro de referência do Amazonas. Amostras de escarro permitiram identificar micobactérias envolvidas, enquanto amostras sanguíneas permitiram avaliar os alelos de HLA. Os resultados obtidos revelaram que HLA-DRB1*04 foi o alelo mais frequente em indivíduos com TBP (23,8%) quando comparado ao grupo sem TB (14,6%) (p=0,0005; OR 1,833; IC95% 1,305 a 2,556) e comparado aos indivíduos com TBExP (12,7%) (p=0,009; OR 2,155; IC95% 1,257 a 3,847). HLA-DRB1*07 foi o alelo mais frequente nos controles sem TB (10,7%) que nos indivíduos com TBP (4,6%) (p=0,0014; OR 0,404; IC95% 0,234 a 0,686). HLA-DQB1*02 foi o alelo mais frequente nos controles sem TB (15,2%) comparando com indivíduos com TBP (10,0%) (p=0,0281; OR 0,621; IC95% 0,408 a 0,942). HLA-DQB1*0302 foi mais frequente em indivíduos com TBP (22,1%) comparando com controles (13,0%) (p=0,0005; OR 1,887; IC95% 1,330 a 2,661) e na comparação com TBExP (11,9%) (p=0,0150; OR 2,086; IC95% 1,188 a 3,624). Não houve associação do HLA com a forma clínica TBExP, mas este grupo apresentou o maior número de indivíduos blanks/homozigotos para o alelo HLA-DRB1 (7,5%) (p=0,0415; OR 2,510; IC95% 1,145 a 5,768). Os achados permitem concluir que indivíduos com os alelos HLA-DRB1*04 e DQB1*0302 apresentam maiores chances de evoluírem para TBP enquanto os alelos HLA-DRB1*07 e HLA-DQB1*02 parecem ter efeito protetor somente para a forma TBP. |