O fazer artesanal como trabalho (ou labor?) na hipermodernidade: potências, tensões e ambiguidades

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Luczinski, Giovana Fagundes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Instituto de Psicologia
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/15173
Resumo: Esta pesquisa busca mergulhar no universo do trabalho artesanal, através de um percurso teórico sobre o tema e do contato com artesãos que se dispuseram a compartilhar a experiência do seu fazer. O mundo do trabalho contemporâneo configura-se como o pano de fundo dessas vivências, na medida em que afeta as condições materiais e subjetivas da sociedade, através das inúmeras mudanças que tem ocorrido nas últimas décadas. As configurações da sociedade hipermoderna, em uma economia flexível e globalizada, impõem desafios a todas as atividades profissionais, o que inclui aqueles que trabalham com artesanato. Essa tese investiga, numa perspectiva fenomenológica, a relação que os artesãos estabelecem com seu fazer artesanal e o mercado de trabalho na contemporaneidade. A partir de entrevistas, observações participantes e do diálogo teórico, discute-se o fazer artesanal como modo de trabalho específico, em confronto com o ideal de produtividade e performance disseminado na sociedade capitalista hipermoderna. São discutidos os pontos chave desse ideal, como as promessas de liberdade, criatividade e autenticidade, em diálogo com a experiência vivida dos artesãos. A compreensão de trabalho adotada nessa tese parte das distinções de Hannah Arendt entre labor, trabalho e ação, refletindo-se sobre a alternância dessas atividades no fazer artesanal assumido como atividade profissional. A partir dos temas encontrados nas análises das entrevistas, aliados a um diálogo interdisciplinar com a literatura, destaca-se a importância do trabalho como criação e meio de socialização e singularização, constituindo pontes para o âmbito da ação, tal como entendido por Hannah Arendt. Temas como temporalidade, singularidade, ética e corporeidade permeiam as discussões sobre a especificidade do fazer artesanal, que se relaciona com a dimensão narrativa, a experiência estética e a arte. Esta é pensada não apenas através dos objetos criados, mas como ação no mundo, que faz da vida uma obra em permanente construção