Revelando processos evolutivos do complexo Mimus gilvus (Vieillot, 1808) no Brasil: uma interação entre a adaptação morfológica, a diversidade genética e o canto
Ano de defesa: | 2015 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico::Instituto de Biologia Roberto Alcantara Gomes BR UERJ Programa de Pós-Graduação em Ecologia e Evolução |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/4946 |
Resumo: | A variação de uma espécie por meio de um gradiente geográfico tem sido um dos enfoques de estudo dos biólogos evolutivos, interessados em revelar as causas desta variação. Diferentes processos como a deriva, o fluxo gênico, a seleção natural e sua interação com o ambiente podem influenciar a maneira com que uma espécie varia e se estrutura no espaço. Mimus gilvus apresenta uma ampla distribuição no Brasil, estendendo-se desde as latitudes 2° norte até os 23° sul, ocupando diferentes tipos de hábitats com duas subespécies reconhecidas para o país (Cody 2005). No norte, em Roraima, o táxon M. g. melanopterus (Lawrence 1849) habita áreas abertas antropogênicas e a savana Amazônica, enquanto M. g. antelius (Oberholser 1919) é restrita ao litoral, desde o Pará até o Rio de Janeiro, ocupando áreas de vegetação natural aberta, particularmente de restinga (ecossistema associado à Mata Atlântica). Devido a estas condições, Mimus gilvus é um modelo interessante para revelar processos ecológicos e evolutivos, incluindo estudos de variação genética, morfológica e do canto num gradiente ambiental. A presente tese foi dividida em três capítulos com o objetivo de contribuir ao entendimento dos processos de divergência de M. gilvus no Brasil, a partir do estudo filogeográfico das populações de Mimus gilvus antelius, e a relação entre a divergência genética com a variação morfológica e geográfica do canto. No primeiro capitulo foi realizada uma análise filogeográfica e uma avaliação da diversidade genética do táxon M. g. antelius empregando cinco marcadores moleculares (ND2, COI, TGF, GAPDH e Fib-7). Os resultados indicaram que a subespécie apresentou baixa diversidade genética e uma moderada estruturação populacional. Os genes mitocondriais mostraram diferenciação dos indivíduos nas localidades do extremo norte (Salinas-PA e Icapuí-CE) em relação às demais, estabelecendo-se duas linhagens genéticas, provavelmente resultado dos ciclos glaciais. Uma análise bayesiana feita empregando como grupo externo o M. g. melanopterus de Roraima, mostrou três linhagens monofiléticas, uma população Norte e outra Sul do táxon M. g. antelius e um agrupamento de M. g. melanopterus. No segundo capítulo foram utilizados os resultados do capítulo 1, para comparar se variação morfológica foi consistente com a filogenética. Para isto foram obtidas medidas morfométricas de 114 indivíduos adultos em nove localidades, incluindo indivíduos dos dois táxons de M. gilvus distribuídos no Brasil. Os resultados mostraram uma forte concordância entre os dados morfométricos e genéticos, havendo separação em três linhagens. A interação entre a distância geográfica e o comportamento de sedentarismo podem ter gerado uma redução no fluxo gênico nas populações de M. gilvus no Brasil, direcionando os processos de divergência genética e fenotípica num padrão de isolamento por distância e não por adaptação. No terceiro capítulo foram obtidas medidas de características acústicas dos cantos de 81 machos das mesmas nove localidades. Os resultados destas medidas foram comparados entre localidades e entre linhagens encontrando uma concordância entre os dados genéticos e acústicos, com um mesmo padrão de divergência de isolamento por distância. Foi encontrada uma marcada diferença nos cantos entre subespécies, sobretudo em caracteres altamente associados a processos adaptativos como a frequência, sugerindo possíveis diferenças no nível de espécie que precisam ser confirmadas por estudos futuros. |