Pode chegar, sá menina : entre conversas, aspectos linguístico-identitários das comunidades rurais do 3º Distrito de Nova Friburgo
Ano de defesa: | 2017 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Tese |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Instituto de Letras BR UERJ Programa de Pós-Graduação em Letras |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/6172 |
Resumo: | Este trabalho se dedicou a investigar, no âmbito da Sociolinguística, a variedade dialetal das comunidades rurais do 3º Distrito de Nova Friburgo, partindo da hipótese de que nela havia uma arquicomunidade de fala. Pretendia-se identificar se a variedade falada pelas famílias agricultoras da região orientava-se para o prestígio ou para a manutenção da identidade, de acordo com os estudos de Labov (2008) e com os preceitos de comunidades de prática e de redes sociais. Para tanto, a Tese exigiu uma pesquisa bibliográfica em torno: da Sociolinguística; das discussões sobre o conceito de identidade e sua compreensão interdisciplinar; e da identidade linguística, sob o prisma da orientação e avaliação que o falante constrói sobre sua própria variante. Já no que tange ao levantamento de dados, foram realizadas 39 entrevistas com moradores do território analisado, contando com 19 representantes da faixa etária 1 ( >35 anos) e 22 da faixa etária 2 (<20 anos); 20 mulheres e 19 homens. A etnografia empregada na coleta de dados permitiu perceber a existência não de uma comunidade homogênea de fala, mas comunidades de prática em uma arquicomunidade que abarca sujeitos, especialmente os mais jovens, com redes de relações tão diversas que os fazem adaptarem suas próprias identidades. Os resultados demonstraram que a juventude domina mais de um código oral e tenta acioná-los de acordo com o contexto enunciativo. Essa ação aponta para duas conclusões: a geração mais nova, se não domina todas as regras da língua padrão, ao menos reconhece o ambiente em que sua variedade é aceita mais facilmente e conhece os mecanismos para adequar sua fala, mesmo que não consiga êxito em suas realizações; e, se há problemas com a aceitabilidade dessa variedade é porque ela sofre grande preconceito social. Assim, como provavelmente os mais velhos foram os que mais ficaram expostos a avaliação negativa de sua fala, eles reproduzem a estigmatização que sofreram (LABOV, 2008; CARDOSO, 2015). Ela parece funcionar como uma tática, já que é imposta (CERTEAU, 2008), na antecipação da valoração negativa que os moradores da região presumem ter o seu falar na sociedade, buscando, portanto, concordância, complementaridade com seu interlocutor (BORTONI-RICARDO, 2011). Já os jovens vivenciam o que Haesbaert (2011) chamou de hibridismo identitário e utilizam, como estratégia (CERTEAU, 2008) contra o preconceito, sua capacidade de acomodação e convergência de fala (BORTONI-RICARDO, 2011), configurando a heterogeneidade nos processos identificatórios pós-modernos, como previra Hall (2006). Todavia, as escolhas feitas não são sempre em função da resignação e, em algumas situações, podem ser compreendidas como resistência (BORTONI-RICARDO, 2011; LABOV, 2008; HALL, 2006) ou como uma aceitação revoltada (BOURDIEU, 2010). Essas conclusões se basearam no levantamento do uso dos aspectos linguísticos identitários na região e nas avaliações e atitudes dos próprios falantes. Caso o preconceito persista, há a disposição de se restringir a fala regional aos contextos íntimos e locais, a não ser que os jovens a utilizem como forma de resistência. |