Violência doméstica em vídeos de um grupo teatral moçambicano.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: José, Zeferino Barros
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico::Instituto de Medicina Social
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Saúde Coletiva
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/4373
Resumo: A violência doméstica é um problema para o poder público nos países de língua portuguesa, a maioria deles elaborando leis que criminalizam essa prática altamente lesiva para as vítimas, inclusive do ponto de vista da saúde pública. Em Moçambique o marco jurídico desta criminalização da violência doméstica é uma lei de 2009, embora desde a Constituição de 2004 já houvesse questionamentos aos efeitos nocivos da assimetria de gênero para as mulheres. Um grupo teatral na cidade de Nampula produz vídeos na língua macua contendo cenas de violência contra a mulher, doméstica e de gênero antes mesmo dessas e outras normativas terem sido promulgadas no país, chamado Timbila e vulgarmente conhecido como Subuhana. Esta pesquisa aborda o tema violência doméstica, a partir de uma análise fílmica de vídeos produzidos por esse grupo teatral moçambicano. Com o objetivo de compreender as representações sobre violência doméstica veiculadas nos vídeos desse grupo teatral, particularmente em 2 dos 57 produzidos entre 2003 e 2016, intitulados violência doméstica e sexual (2014) e violência doméstica (2015), o autor realizou uma análise fílmica dessa vasta produção audiovisual, ou seja, de uma parcela das atividades voltadas para a educação, a crítica e a conscientização da população desenvolvidas por esse grupo. Em termos metodológicos, esta pesquisa é uma etnografia fílmica, envolvendo um universo de 57 vídeos e uma amostra constituída por dois (2) vídeos que perfazem um total de nove (9) cenas, das quais: cinco (5) do vídeo violência doméstica e sexual (2014) - e - quatro (4) do vídeo - violência doméstica (2015). Para investigar o problema naquela sociedade machista, desenvolveu a pesquisa a partir das abordagens sobre gênero, patriarcado, dominação masculina, bem como conceitos de violência estrutural e judicialização dos conflitos conjugais e intrafamiliares. Os resultados da pesquisa indicam que os vídeos do Subuhana são uma iniciativa para se pensar em políticas públicas que tenham em vista repensar, rever ou refazer a tradição de modo a que se possa agregar um elemento novo à cultura, pois estão transmitindo mensagens e imagens em relação a sistema de crenças e práticas culturais que despertam atenção da mulher na luta contra a dominação masculina. Concluindo, as representações sobre violência doméstica tem como vítima principal a mulher e, confunde-se, na maioria das vezes, com violência conjugal e eventualmente familiar, com total ausência de uniões homoafetivas nos vídeos e presença ocasional de abuso sexual contra menor de idade e estupro contra mulher, sendo que a violência psicológica ganha destaque em relação a física e a sexual.