Coerção: política e tratamento para crianças e adolescentes usuários de drogas no Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2018
Autor(a) principal: Geszti, Laura Araujo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Instituto de Psicologia
BR
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Psicanálise
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/14583
Resumo: A pesquisa desenvolvida partiu da experiência junto à ERIJAD Equipe de Referência Infanto-Juvenil para Ação e Atenção ao uso de álcool e outras drogas entre os anos de 2010 e 2015 para então empreender uma análise crítica do que vem se tornando a política oficial de drogas no Brasil, no que diz respeito às crianças e adolescentes. A proposta de acompanhamento dos casos junto a esta equipe de saúde mental se apresentava de modo distinto à condução que usualmente se identifica no campo público para o tratamento de drogas. Esta diz respeito, sobretudo, às ações de caráter coercitivo, configurando-se predominantemente por estratégias de abstinência e longas internações. Na contramão desta perspectiva, apoiada nos referenciais psicanalíticos, assim como nos da reforma psiquiátrica italiana, a ERIJAD se propunha ao particular de cada caso e ao seu cuidado no contexto da polis através da atenção psicossocial. As coordenadas de acesso ao sujeito e seu manejo foram encontradas a partir da metodologia da Psicanálise, considerando, sobretudo, a transferência e o desejo do analista. Através da apresentação de um caso clínico procurou-se demonstrar como a clínica psicanalítica na atenção psicossocial irá se forjar no a posteriori, se apresentando necessariamente avessa aos protocolos, reiterando assim a crítica frente às intervenções que se utilizam de estratégias prontas, as quais apresentam pouca efetividade na adesão aos cuidados identificados. Destacou-se neste ponto o advento da regulamentação da RAPS (Rede de Atenção Psicossocial) em 2011 e o status especializado que o CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) então passou a ter. Não mais comportando a dimensão da contingência, uma das condições para a ascensão do sujeito, tal dispositivo passa a operar como os demais serviços, em seus diferentes setores, conduzindo suas práticas de modo a não incluírem o sujeito na cena. O elo das práticas coercitivas voltadas a determinados segmentos sociais, em seus diferentes níveis e expressões, se apresenta no contexto da presente pesquisa como índice analítico do que vem sendo proposto enquanto política pública às crianças e adolescentes usuárias de drogas no Brasil. Registros de experiências como as da ERIJAD procuram oferecer elementos que venham a contribuir criticamente às referidas práticas coercitivas, apontando os efeitos da clínica psicanalítica no cuidado e atenção no campo público de saúde mental