Avaliação do ambiente alimentar de hospitais públicos do município do Rio de Janeiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: José, Maria Eduarda Ribeiro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro Biomédico::Instituto de Nutrição
Brasil
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Alimentação, Nutrição e Saúde
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/16713
Resumo: O ambiente alimentar organizacional se refere a ambientes disponíveis apenas para grupos específicos, como por exemplo o hospital. Os trabalhadores de hospitais passam longas jornadas no ambiente de trabalho, o que pode prejudicar sua saúde e seu autocuidado. Assim, o ambiente alimentar no qual estes trabalhadores estão inseridos é de grande importância para a promoção da alimentação saudável e da saúde. O objetivo do presente trabalho foi avaliar o ambiente alimentar de hospitais públicos. A coleta de dados aconteceu entre janeiro e abril de 2019, foi feita por pesquisadoras que foram previamente treinadas e utilizando tablets e foram avaliados 24 hospitais públicos da rede municipal do Rio de Janeiro. Utilizou-se um instrumento desenvolvido especificamente para este ambiente, com avaliação de refeitórios, estabelecimentos comerciais, máquinas de autosserviço, copas, entorno e entrevista com trabalhadores e gestores. O instrumento abarca as seguintes dimensões: disponibilidade, acessibilidade física, acessibilidade financeira, comodidade, informação nutricional, propaganda, infraestrutura para alimentação, ambiência e acesso à água. Avaliou-se o entorno dos hospitais e os estabelecimentos encontrados foram agrupados em 3 grupos, de acordo com o tipo de itens alimentares prioritariamente comercializados. Os dados do conjunto de hospitais foram descritos por meio de medidas de frequência absoluta e relativa e medidas de tendência central e de dispersão. Adicionalmente, foram feitas comparações entre hospitais, levando-se em conta o Índice de Desenvolvimento Social (IDS) dos bairros onde estes estão localizados. As diferenças significativas foram identificadas com base na comparação entre os intervalos de confiança (IC 95%). Dos 24 hospitais visitados, 50% estavam localizados em área de alto IDS. Somente 92,0% dos hospitais dispunham de refeitório para alimentação dos trabalhadores, 87,5% contavam com copas de apoio, 37,5% tinham estabelecimentos comerciais e 25,0% dos hospitais tinham máquinas de autosserviço. A presença de filtro de água ou bebedouro foi encontrada em menos de 50% das copas, em um pouco mais da metade dos refeitórios (54,2%) e não foram encontrados nos estabelecimentos comerciais. Alta disponibilidade de alimentos e/ou bebidas ultraprocessados foram evidenciados nos refeitórios, nas máquinas de autosserviço e em pelo menos metade dos estabelecimentos comerciais. De maneira geral, não foram observadas diferenças entre hospitais localizados em áreas de alto ou baixo índice de desenvolvimento social. No entorno, foram encontrados principalmente estabelecimentos do tipo misto e que comercializavam principalmente ultraprocessados, e os tipos de estabelecimentos mais presentes foram: lanchonetes, restaurantes, bares e padaria. Na opinião dos trabalhadores sobre o ambiente alimentar hospitalar, o pior resultado se referiu à temperatura dos espaços para alimentação. Ainda, 67% relatou utilizar o serviço de delivery e 33% relataram existir comércio informal dentro dos hospitais. Quanto aos gestores, 52% elaboravam os editais para contratação de empresas para administração do refeitório, 26% participaram na elaboração dos editais para estabelecimentos comerciais e nenhum deles participavam na licitação. Conclui-se que o ambiente alimentar dos hospitais municipais do Rio de Janeiro não é promotor de alimentação saudável, independente do índice de desenvolvimento social da área onde os hospitais se localizavam