Trabalhar é pertencer? Um estudo sobre o processo de socialização e a inclusão social de refugiados venezuelanos no Rio de Janeiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Profilo, Thamara Luciana da Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Centro de Educação e Humanidades::Instituto de Psicologia
Brasil
UERJ
Programa de Pós-Graduação em Psicologia Social
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.bdtd.uerj.br/handle/1/18173
Resumo: Os deslocamentos forçados apresentam um quadro desafiador a ser enfrentado pelas sociedades contemporâneas, alcançando marcas inéditas desde a criação do ACNUR em 1950. Segundo o mais recente relatório do ACNUR, estima-se que até meados de 2021, cerca de 84 milhões de pessoas foram forçadas a fugir por motivos de perseguições, conflitos, violações dos Direitos Humanos ou eventos que prejudicam a ordem pública. Esse panorama se intensificou com a grave crise humanitária na Venezuela e aproximadamente 5,7 milhões de pessoas deixaram o país em busca de proteção em outros Estados, principalmente no Brasil. Os refugiados se encontram em uma situação de extrema vulnerabilidade, pois a saída de seu país representa muitas perdas, como o trabalho, a família, a identidade social. Essas transformações também geram mudanças na identidade individual desses refugiados, pois há uma alteração no modo como eles veem a si próprios, como sujeitos integrados, gerando uma instabilidade na ideia de si mesmo. Ao chegarem em um novo país, vivenciam muitas dificuldades para começarem suas vidas do zero e se inserirem nesse novo contexto social. O “trabalho”, enquanto facilitador da inclusão social e constituinte da identidade social do indivíduo, aparece nesse cenário como um dispositivo facilitador do processo de socialização. Com esse intenso deslocamento em direção ao Brasil, surgem questões voltadas para o bem-estar e a inclusão social desses sujeitos. Assim, em uma perspectiva da Psicologia Social, mediante os estudos sobre identidade e a relação com o processo de socialização dos refugiados, e da Psicologia do Trabalho e das Organizações, propomos pensar uma das questões que englobam o tema do refúgio: o trabalho. Dessa forma, a partir da pesquisa de campo e com a aplicação de questionário, o objetivo deste estudo foi investigar se o trabalho (ato de trabalhar), opera como um dispositivo facilitador para o processo de socialização e para a inclusão social de refugiados de origem venezuelana na cidade do Rio de Janeiro. As análises sugerem que, apesar dessa amostra estar há quase três anos no Brasil, ainda se encontra em uma fase relacionada à subsistência. A literatura nos mostra que de fato, sim, o trabalho é um facilitador para o processo de socialização, mas a complexidade que o fenômeno do refúgio apresenta, juntamente aos resultados apresentados, é possível supor que esses refugiados ainda percebem o trabalho como apenas um dispositivo de sobrevivência.