Estudo fitoquímico, toxicológico e farmacológico das raízes de Cereus Jcaru DC. (Cactaceae)

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Santos, Edvania Emannuelle Pinheiro
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso embargado
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual da Paraíba
Centro de Ciências Biológicas e da Saúde - CCBS
Brasil
UEPB
Programa de Pós-Graduação em Ciências Farmacêuticas - PPGCF
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://tede.bc.uepb.edu.br/jspui/handle/tede/4951
Resumo: A pesquisa em produtos naturais desempenha um papel crucial na descoberta de substâncias com potencial terapêutico. No semiárido do Nordeste brasileiro, as raízes do Mandacaru (Cereus jamacaru) é usado na medicina popular para tratar alguns tipos de inflamações. Assim, o objetivo desta pesquisa foi realizar um estudo fitoquímico das raízes dessa planta e avaliar sua toxicidade, bem como suas atividades anti-inflamatória, antinociceptiva e antipirética. A coleta foi realizada em Esperança, Paraíba, e após secagem e trituração, o extrato hidroetanólico bruto (EHB) foi obtido. Esse extrato foi fracionado e submetido a uma cromatografia de alta eficiência acoplada à espectrometria de massas (CLAE-EM) e análise de rede molecular via plataforma GNPS (The Global Natural Product Social). Foi então confirmada a presença de uma família molecular de saponinas na fração metanol-água (FMA), incluindo o jamacarusídeo A e análogos do jamacarusídeo B, previamente isolados dos cladódios de C. jamacaru. Na fase farmacológica, realizou-se o ensaio de toxicidade aguda da FMA na dose de 2000 mg/kg, avaliando-se consumo de água, ração, ganho de peso, comportamento e avaliação bioquímica e hematológica dos animais testados. Também foram realizadas a atividade antinociceptiva (por meio de ensaios de imersão de cauda, contorção abdominal induzida pelo ácido acético e teste da formalina), anti-inflamatória (ensaios de edema de pata e peritonite induzidos por carragenina e modelo do bolsão de ar) e antipirética. Em todos esses ensaios a FMA foi utilizada nas doses de 50, 100 e 200 mg/kg. A FMA não demonstrou toxicidade aguda nem alterações significativas nos parâmetros hematológicos e bioquímicos. Na atividade antinociceptiva, a FMA mostrou eficácia nas doses de 50, 100 e 200 mg/kg em todos os ensaios realizados. Em relação à atividade anti-inflamatória, a FMA foi eficaz em todos os ensaios e doses testadas, obtendo-se na dose mais alta (200 mg/kg) resultados semelhantes para a dexametasona. Quanto à atividade antipirética, a FMA promoveu redução da temperatura em todas as doses após 30 minutos. Os resultados obtidos corroboram o uso tradicional do Mandacaru como agente analgésico, anti-inflamatório e antipirético, sugerindo que a presença de saponinas na FMA está associada a esses efeitos. Assim, C. jamacaru revela-se uma fonte promissora na busca por novos agentes terapêuticos.