Experiências das famílias com usuários atendidos nos dispositivos de atenção psicossocial

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Barros, Márcia Maria Mont´Alverne de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=91019
Resumo: A pesquisa teve como objeto de estudo as experiências das famílias de usuários com transtornos mentais nos dispositivos de atenção psicossocial. A atual política de saúde mental do Brasil possibilitou aproximação e convivência mais intensiva das famílias com os familiares com transtornos mentais. Assim, identificam-se importantes desafios nesse novo cenário. O estudo teve como objetivo principal compreender as experiências e cuidado de famílias de usuários com transtornos mentais nos dispositivos de atenção psicossocial e seus desdobramentos: des (velar) experiências, dificuldades e facilidades vivenciadas por famílias no cuidado cotidiano aos usuários com transtornos mentais; descrever estratégias e tecnologias de cuidado desenvolvidas pelas famílias na produção de ações para melhorias das condições de vida de familiares com transtornos mentais e cuidadores; identificar como as famílias avaliavam as formas de atendimento do tratamento prestado na Rede de Atenção Integral à Saúde Mental (RAISM) aos familiares com transtornos mentais e às famílias; examinar como ocorriam os fluxos de atenção às famílias e aos familiares com transtornos mentais na rede de serviços de saúde; entender como as famílias se posicionavam no acompanhamento do tratamento do familiar com transtorno mental; identificar como acontecia o relacionamento das famílias com os trabalhadores da saúde da RAISM; e descrever a participação das famílias no tratamento dos familiares com transtornos mentais. O trabalho de investigação foi realizado em Sobral, Ceará, em Centro de Atenção Psicossocial. A pesquisa contemplou 20 famílias/cuidadoras de usuários adultos com transtornos mentais graves, com histórico de atendimento no hospital psiquiátrico Casa de Repouso Guararapes e em tratamento nos dias atuais no mencionado CAPS. Utilizaram-se para a coleta de dados: entrevista semiestruturada, grupo focal e observação participante. A pesquisa atendeu aos princípios éticos, conforme preconiza a Resolução 196/1996 do Conselho Nacional de Saúde. Na análise do material empírico, utilizou-se a fenomenologia hermenêutica de Paul Ricoeur. Os resultados apontaram que no cerne da convivência da família com o familiar com transtorno mental havia dificuldades enfrentadas pelas famílias no tratamento domiciliar: baixa autonomia, agressividade e dependência do usuário com transtorno mental nas atividades de autocuidado; situação de vigilância do cuidador, com supervisão de comportamentos problemáticos. Evidenciou-se que predominantemente os cuidadores não dispunham de suporte familiar no cuidado, assim como assumiam diferentes responsabilidades no cotidiano. Havia relação de confiança das famílias com a equipe de saúde mental e o reconhecimento dos cuidadores pelo trabalho prestado. O cuidado era entendido pelas famílias como de responsabilidade delas e dos serviços de saúde. Identificaram-se, pelas narrativas, grupos de famílias que desejavam a reedição da instituição psiquiátrica para a internação do familiar com transtorno mental, por períodos de longa data. Por outro lado, percebeu-se também mudança de olhar sobre a atenção desenvolvida no hospital psiquiátrico pesquisado. Este assumia significação de negligência, maus-tratos e era encarado como produtor de sofrimento para os cuidadores e familiares com transtornos mentais. As famílias encontravam-se distantes do olhar e do cuidado prioritário da equipe de saúde mental da RAISM. Faz-se necessária realização de planejamento permanente de estratégias e desenvolvimento de ações que visem inserção de famílias no cuidado.&nbsp;<div>Palavras-chave: Família. Experiências. Saúde mental. Reforma psiquiátrica. Pesquisa qualitativa.</div>