Motorista - Cobradores: saúde mental de trabalhadores rodoviários que desempenham dupla função

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2013
Autor(a) principal: Sousa, Alexandre Araújo Cordeiro de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=75181
Resumo: <div style="">As doenças relacionadas ao trabalho vêm ganhando novos destaques, enfoques e naturezas na atualidade. A saúde do trabalhador rodoviário vem sido tema de vários estudos, contudo quando adentramos ao campo da saúde mental e trabalho, ainda é tímida a produção do conhecimento. No que se refere aos rodoviários que desempenham dupla função, inexistem estudos que abordem a temática. A dupla função se configura como o acúmulo de papeis, quais sejam a de condutor e cobrador de tarifas. Este estudo teve por objetivos compreender os impactos psicológicos do exercício da dupla função (motorista/cobrador) no desempenho do processo de trabalho e na saúde mental dos trabalhadores rodoviários; descrever as características socioeconômicas, as condições e o processo de trabalho dos trabalhadores rodoviários que exercem a dupla função; descrever as características psicossanitárias dos trabalhadores rodoviários que exercem a dupla função; e analisar a relação entre os perfis de trabalho e os psicossanitários. Optou-se por um enfoque analítico-crítico, de abordagem quanti-qualitativa. Diante da complexidade do objeto a ser estudado, optou-se pela triangulação de métodos. O estudo foi desenvolvido com rodoviários que trabalham no transporte coletivo da cidade de Fortaleza-Ceará, os quais desempenham dupla função no processo de trabalho. A amostra foi obtida por meio do cálculo amostral para população finita, totalizando 156 participantes. A coleta de dados foi composta por duas etapas. Na primeira, aplicou-se formulário para caracterização do perfil socioeconômico, do processo de trabalho e psicossanitário. Na segunda, houve a observação etnográfica do processo de trabalho desempenhado por estes rodoviários em uma linha de ônibus. Os dados provenientes das duas fases de coleta foram tabulados, sistematizados e analisados à luz da Antropologia Hermenêutica e da Epidemiologia Social. Foram considerados, durante todo o desenvolvimento da investigação, os preceitos éticolegais da Resolução 196/1996, do Conselho Nacional de Saúde, que tratam dos encaminhamentos quando as pesquisas que envolvem seres humanos. Constatou-se uma prevalência de 31,4% de Transtornos Mentais Comuns na amostra estudada por meio da aplicação do inventário SRQ-20. Houve associação estatística significativa com o perfil de morbidade psíquico positivo segundo SRQ-20, considerando p &lt; 0,05, quando cruzadas jornada de trabalho e frequência de dupla pegada. Infere-se que várias características do capitalismo contemporâneo exercem influência direta na gênese do adoecimento mental nos trabalhadores. A flexibilização dos horários, o banco de horas, jornadas de trabalho maiores que a permitida por lei, condições ergonômicas desfavoráveis, são reflexos da precarização do trabalho e demonstraram associação estatística para perfil de morbidade psíquica positivo. A experiência da observação etnográfica possibilitou a aproximação do pesquisador com o cotidiano desses trabalhadores, onde se pôde verificar modos de enfrentamento, criação de resiliências e adaptação destes aos entraves e dificuldades impostos pelas condições e pelo processo de trabalho. DESCRITORES: Saúde Mental; Saúde do Trabalhador; Epidemiologia Social; Antropologia.&nbsp;</div>