Avaliação econômica do controle vetorial do Aedes aegypti: análise das abordagens Eco-bio-social e tradicional de uma capital do Nordeste brasileiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Sousa, Izautina Vasconcelos De
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso embargado
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Estadual do Ceará
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://siduece.uece.br/siduece/trabalhoAcademicoPublico.jsf?id=109337
Resumo: As arboviroses dengue, chikungunya e zika, transmitidas pelo mosquito Aedes aegypty, constituem um importante problema de saúde pública no plano global. O crescimento dos gastos em saúde conforma considerável desafio para as entidades governamentais, Sistema Único de Saúde (SUS) e toda a sociedade civil, à demanda por um desenvolvimento de estratégias eficazes e efetivas no combate ao vetor. Objetivou-se realizar uma análise da prevenção das arboviroses provocadas pelo Aedes aegypti, da abordagem inovadora de controle vetorial pela intervenção Eco-Bio-Social, com a intervenção tradicional em Fortaleza-Ceará (Brasil). Calcular o custo para as famílias de pacientes acometidos por arboviroses na rede pública de Fortaleza; identificar os gastos federais das internações hospitalares no SUS relacionados às arboviroses no Ceará; analisar o custo-efetividade da abordagem inovadora de controle vetorial pela intervenção Eco-Bio-Social, comparada à intervenção tradicional de prevenção das arboviroses provocadas pelo mosquito Aedes aegypti, no Município de Fortaleza-Ceará (Brasil). Trata-se de um estudo transversal, com abordagem econômica, empregando como técnicas: uma análise do financiamento federal com internações hospitalares relacionadas às arboviroses no Ceará e uma análise de custo-efetividade, comparando a abordagem Eco-Bio-Social da tradicional de prevenção das arboviroses. A pesquisa foi desenvolvida no citado Município para obtenção dos custos assistenciais hospitalares, custos dos programas do Governo municipal em ações de promoção e prevenção e controle das arboviroses, despesas das famílias e com o emprego de uma intervenção comunitária. O sujeito da pesquisa é caracterizado por família acometida por dengue, chikungunya ou zika no ano de 2017. Os dados foram coletados por meio da aplicação do questionário para as famílias. Os indicadores secundários procederam do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS), referentes a 2017-2019. Os dispêndios do Governo municipal foram relativos ao orçamento da Secretaria Municipal de Saúde, para o ano de 2017 e a intervenções Eco-Bio-Social foram fornecidos pelo Instituto de Estudos, Pesquisas (IEPRO). Para estimar o custo-efetividade, adotou-se uma perspectiva social, ao passo que o custo incremental foi calculado para cada estratégia, sendo as aplicações financiais expressas em reais (R$). A análise de sensibilidade foi procedida de maneira uni e multivariada e os dados dos questionários foram organizados e tabulados no programa Microsoft Excel 2016. No estudo de custo das famílias, foram entrevistadas 398 pessoas acometidas por arbovírus. A média do custo total da família com a doença (dengue, zika e/ou chikungunya) foi representada por R$542,00, originando um valor total para as pessoas acometidas por arboviroses em Fortaleza de R$40.807.180,00. Quanto aos gastos com internações hospitalares no Estado do Ceará no período de 2010-2019, estes cobriram 40.425 internações hospitalares. O ano de 2011 apresentou o maior número de casos (9.295) de internação e o maior gasto total com as doenças, com representatividade nos gastos com serviços profissionais de 19,7% em relação ao gasto total de R$ 4,49 milhões. O tempo médio de internação hospitalar registrou 4,1 dias. Em relação ao estudo de custo-efetividade a intervenção eco-bio-social houve um custo de R$ 137.451,00, com média per capita de R$ 7,00, enquanto o programa de controle vetorial do Governo municipal custou R$ 53.259.090,73, apresentando custo médio per capita de R$ 20,00. Os custos médicos diretos foram de R$ 35.468.365,00, enquanto indiretos foram de R$ 19.812.682,56. Logo, observa-se um custo incremental de R$ 73.967,00 por casos evitados. Essa estimativa está abaixo do valor equivalente do 1-3 PIB per capita do Brasil (ano de 2019), portanto, considerada custo-efetiva.