Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2024 |
Autor(a) principal: |
Otero, Júlia Charão |
Orientador(a): |
Não Informado pela instituição |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: |
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Link de acesso: |
https://repositorio.udesc.br/handle/UDESC/20503
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Resumo: |
Esta dissertação propõe uma investigação com o objetivo geral de reconhecer as visões de feminino que se manifestam através de imagens de Iemanjá nos espaços públicos de Florianópolis. A partir do objetivo geral, decorrem os seguintes objetivos específicos: conhecer a divindade feminina Iemanjá, contextualizando-a na cosmologia iorubá e nos itãs religiosos, caracterizando-a em suas especificidades no continente africano e no território brasileiro; examinar imagens de Iemanjá no decorrer da história, desde sua origem africana, passando pelo sincretismo brasileiro até a Contemporaneidade; inventariar e analisar imagens de Iemanjá nos espaços públicos de Florianópolis; contribuir para a valorização e a preservação de identidades e diversidades culturais na ilha de Santa Catarina, positivando os distintos corpos femininos. Para tanto, a execução da pesquisa qualitativa é baseada no método hipotético-dedutivo, no qual se adotam os procedimentos metodológicos de: documentação indireta, incluindo o exame de fontes documentais e iconográficas, junto da revisão bibliográfica; documentação direta, abarcando o levantamento de dados in loco e o registro fotográfico; e reflexão crítica a partir dos dados coletados. Tal trabalho contribui para a valorização do patrimônio afrodiaspórico em Florianópolis através do estudo da imagem da orixá mais popular do Brasil. Os constantes ataques ao patrimônio afrodiaspórico na cidade revelam uma contínua tentativa de apagamento e invisibilização da cultura preta. Portanto, trazer a discussão para o âmbito acadêmico pode criar arcabouço teórico para entendimento do racismo estrutural também no campo das artes e como isso afeta na representação imagética feminina como um todo. Os resultados revelam que há forças de resistência na ilha que empretecem as suas estátuas da iabá, mas que também são alvos recorrentes de vandalismo. Os atos chegam a ser violentos com uso de marretadas e decapitação das imagens, demonstrando uma necessidade de aniquilamento do diferente, do que não é espelho. A partir das 16 imagens de Iemanjá analisadas, constatamos que, apesar de algumas delas apresentarem pele enegrecida, o padrão geral de beleza segue o eurocêntrico. E mesmo aquelas embranquecidas são alvo de iconoclastia, demonstrando que o racismo condena a origem da divindade. Ainda verificamos uma violência maior por parte de fiéis evangélicos. Já o modelo de feminino retratado é passivo e recatado, ligado ao sincretismo com Nossa Senhora dos Navegantes, enquanto os traços originários sensuais e de fúria são raramente apresentados nas imagens e, quando o são, são feitos de forma sutil. |