Experiência de sobreviventes de queimaduras acerca da transição de alta hospitalar para o contexto domiciliar
Ano de defesa: | 2023 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Escola de Ciências Médicas e da Vida Brasil PUC Goiás Programa de Pós-Graduação STRICTO SENSU em Atenção à Saúde |
Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Palavras-chave em Português: | |
Link de acesso: | http://tede2.pucgoias.edu.br:8080/handle/tede/5006 |
Resumo: | A experiência de sobreviver às queimaduras graves envolve adaptações acerca das deficiências nas funções corporais, emocionais e sociais resultantes do evento traumático. O agravo reflete no cotidiano com impactos severos ao indivíduo e seus cuidadores. Objetivo: compreender a experiência vivenciada por sobreviventes de queimaduras graves no processo de transição de alta hospitalar para o contexto domiciliar. Método: Estudo de caso qualitativo interpretativo, realizado em centro de referência para queimados do estado de Goiás. Os participantes foram sobreviventes em acompanhamento ambulatorial, com período de alta superior a 30 e inferior a 180 dias. O estudo tem a aprovação com o CAAE: 25927221.2.3001.5082. A coleta de dados foi realizada no período de janeiro a junho de 2022, utilizando prontuário eletrônico e entrevista semiestruturada, sendo gravadas e transcritas e posteriormente analisadas por meio de análise temática interpretativa, de acordo com as seis etapas recomendada por Braun e Clarke. Resultados: Participaram 13 sobreviventes, oito mulheres e cinco homens, com idade variando entre 22 e 42 anos. Prevaleceram as queimaduras térmicas, por manuseio de solução inflamável como álcool, seguidos de manuseio de substância aquecidas e descarga de corrente elétrica. O cenário mais frequente foi o ambiente domiciliar e o contexto laboral. O período de internação variou de cinco a 69 dias e as áreas mais afetadas foram face e extremidades. Foram identificados três temas: 1) desafio: dificuldades, adaptações e superação dos limites. A vivência da hospitalização refere-se ao enfrentamento dos desafios relacionados a aceitação ao tratamento, ao estresse emocional, às dificuldades financeiras, ao afastamento de familiares em decorrência do período pandêmico, em lidar com a dor e a vivência de sentimentos positivos e negativos em relação ao tratamento. A alta hospitalar foi caracterizada pelo reconhecimento de um critério único por parte dos sobreviventes para a expectativa pelo retorno para a casa sendo a pega do enxerto, e o desafio da responsabilidade pelo tratamento em âmbito domiciliar. O retorno para a vida cotidiana foi marcado pelas dificuldades, adaptações e superação dos limites que envolveram o enfrentamento das deficiências relacionadas às repercussões mentais, emocionais físicas, financeiras e sociais. Foram mencionados à fase de readaptação significados de um processo demorado e doloroso. Ao processo de lidar com a dor intensa foi destacado significado de resultado insuficiente quanto aos medicamentos prescritos. A fase de aceitação das cicatrizes despertou sentimentos ambíguos de rejeição e ressignificação. Expressaram mudanças psicológicas como nervosismo, agressividade e impulsividade. A dificuldade financeira foi tratada como um fardo emocional frente a perda do papel de provedor. O retorno ao trabalho e aos estudos foi narrado correspondente às barreiras da nova realidade. O apoio recebido pelos familiares foi entendido com sentimento de gratidão e acolhimento. A experiência da queimadura significou uma ruptura do jeito habitual de viver, mudando rotinas, condições e ambientes |