Frequência da Eosinofilia Esofágica em Pacientes Pediátricos Submetidos à Endoscopia Digestiva Alta em um Serviço Terciário.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2015
Autor(a) principal: Strozzi, Daniel
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Pontifícia Universidade Católica de Goiás
Ciências da Saúde
BR
PUC Goiás
Programa de Pós-Graduação STRICTO SENSU em Ciências Ambientais e Saúde
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://localhost:8080/tede/handle/tede/3033
Resumo: A eosinofilia esofágica é uma condição inflamatória crônica do esôfago, presente tanto em crianças como adultos. Esta condição é encontrada em pacientes com sintomas de doenças gastroesofágicas, como a esofagite eosinofílica, a esofagite eosinofílica responsiva à inibidores de bomba de prótons e a doença do refluxo gastroesofágico. No entanto, a frequência desta condição em pacientes pediátricos no Brasil não é conhecida. Assim, o objetivo deste estudo foi de determinar a frequência da eosinofilia esofágica em pacientes pediátricos (0 15 anos) com sintomas de doenças gastroesofágicas, em um serviço terciário na região central do Brasil. Foram examinados os prontuários de 2.425 pacientes submetidos à endoscopia digestiva alta com biópsia. Para o diagnóstico da eosinofilia esofágica as biópsias foram histologicamente avaliadas para determinar o número de eosinófilos por campo de grande aumento (400 x). Subsequentemente, a frequência da eosinofilia esofágica foi calculada. A frequência foi então comparada com as variáveis sexo e idade e os diagnósticos endoscópicos encontrados. Finalmente, os casos de eosinofilia esofágica foram correlacionados à variação de temperatura nos meses do ano em que os pacientes foram diagnosticados. A prevalência da eosinofilia esofágica foi estimada em 5,2% (126 do total de 2.425 pacientes apresentaram ≥15 eosinófilos por campo de grande aumento na biópsia esofágica). A porcentagem de pacientes do sexo masculino diagnosticados foi 2,5 vezes maior do que o percentual de pacientes do sexo feminino (71,4 e 28,6%, respectivamente). No entanto, a idade dos pacientes não foi um fator significativo analisado isoladamente. Foi observada uma diferença significativa entre os diagnósticos endoscópicos dos pacientes com eosinofilia esofágica, onde 73% apresentaram esofagite erosiva, 21,4% apresentaram esofagite não-erosiva e apenas 5,6% apresentaram um esôfago normal. Além disso, entre os pacientes com esofagite erosiva e não-erosiva eram predominantemente do sexo masculino. Não houve diferenças entre o sexo dos pacientes com o esôfago normal. A análise CART (classification and regression trees) demonstrou que o diagnóstico endoscópico foi a variável independente mais importante (100%), seguido pelo sexo (65%) e idade (27,3%) dos pacientes com esofagite eosinofílica. A análise CART mostrou também que a maioria dos pacientes diagnosticados apresentavam esofagite erosiva, eram do sexo masculino com idade acima de 7 anos. Em contraste, os pacientes mais jovens (0-6 anos de idade), do sexo feminino com esofagite não-erosiva ou esôfago normal apresentaram o menor percentual de eosinofilia esofágica. A correlação dos casos de eosinofilia esofágica com a média de temperatura mensal foi moderada e inversamente proporcional (Pearson s correlation R2 = - 0.6) pois, em temperaturas mais baixas houve um aumento moderado de casos de eosinofilia esofágica. Concluindo, este estudo relata, pela primeira vez, que eosinofilia esofágica é uma condição relativamente frequente em pacientes pediátricos na região central do Brasil que apresentaram sintomas associados a doenças gastroesofágicas. Este estudo também confirma que o diagnóstico preciso da eosinofilia esofágica requer tanto a avaliação dos sinais clínicos quanto a análise histológica das biópsias para determinar o número de eosinófilos na mucosa esofágica.