Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2011 |
Autor(a) principal: |
Comaru, Claudia Marques |
Orientador(a): |
Rotenberg, Lúcia |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Link de acesso: |
https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/24252
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Resumo: |
Na era da globalização, novos processos produtivos surgem sob a lógica da produção da acumulação flexível, que passa a interferir nas relações de trabalho, permitindo a flexibilidade dos vínculos de trabalho. Estudos apontam consequências deletérias das “novas formas de trabalho” à saúde dos trabalhadores. No entanto, estudos que tenham como foco o vínculo profissional e a saúde são escassos. Este estudo tem como objetivo analisar a associação entre o tipo de vínculo de trabalho e o estresse psicossocial percebido por profissionais de enfermagem utilizando o Modelo Desequilíbrio esforçorecompensa (DER), tendo como objetivos específicos (i) Caracterizar os vínculos de trabalho segundo variáveis sociodemográficas e ocupacionais; (ii) Descrever o estresse psicossocial no trabalho na população segundo variáveis sociodemográficas e ocupacionais e (iii) Verificar a associação entre os tipos de vínculo e o DER nos dois hospitais avaliados. O estudo foi realizado em dois hospitais públicos na cidade do Rio de Janeiro entre junho de 2005 e março de 2006. A coleta de dados baseia-se no preenchimento de um questionário que inclui diversas escalas, dentre elas a escala Desequilíbrio Esforço-recompensa. Neste estudo foram analisadas a razão DER e as dimensões esforço e recompensa. Foi analisada exclusivamente a amostra feminina de enfermeiras, auxiliares e técnicas de enfermagem, constituída de 1008 mulheres no Hospital 1 e 246 mulheres no Hospital 2. Foram analisados os vínculos permanente, terceirizado e contratado (Hospital 1) e permanente e cooperativado (Hospital 2). Nas análises, as profissionais terceirizadas e contratadas (Hospital 1) e cooperativadas (Hospital 2) foram comparadas às do quadro permanente. Análises descritivas segundo o vínculo empregatício e segundo nível de DER baseiam-se em testes de qui-quadrado (significância de 0.05). As análises multivariadas baseiam-se em regressões logísticas. Todas as análises foram realizadas através do pacote estatístico SPSS. As trabalhadoras terceirizadas, contratadas e cooperativadas são mais jovens, com maior proporção de solteiras e sem filhos. A análise multivariada revelou que trabalhar com contrato temporário ou terceirizado atuou como fator de proteção em relação ao Alto DER após ajuste por variáveis de confundimento (Hospital 1). Em relação às dimensões da escala, observamos menores chances de referir Alto Esforço entre as profissionais terceirizadas e temporárias quando comparadas às permanentes (OR=0,52 IC95% 0,32-0,86 e OR=0,43 IC95% 0,25-0,73, respectivamente). Quanto à recompensa, os resultados apontam maiores chances de Baixa Recompensa entre os terceirizados (Hospital 1), com valor limítrofe (OR=1,62 IC95% 0,99-2,65). Em conjunto, o estudo revela que a situação aparentemente desvantajosa no que concerne ao tipo de contrato das profissionais terceirizadas, cooperativadas e com contrato temporário não se expressa de forma direta e linear nos resultados da escala DER. Aspectos da reestruturação do trabalho, como a alta rotatividade da força de trabalho, podem contribuir na formação de um cotidiano de trabalho de maior estresse. A complexidade no estudo dos impactos do trabalho à saúde dos profissionais com vínculos flexíveis exige novas investigações no sentido de elucidar aspectos do ambiente psicossocial no trabalho de enfermagem em hospitais públicos. |