Estudo do efeito farmacológico e da toxicidade do extrato de Euterpe oleracea em modelo experimental de câncer de mama

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2017
Autor(a) principal: Perini, Jéssica Alessandra
Orientador(a): Perini, Jamila
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/34344
Resumo: O câncer de mama é um problema de saúde pública, com uma alta incidência e sendo a principal causa de morte por câncer em mulheres no Brasil e no mundo. Dentre os processos envolvidos no microambiente tumoral da mama, destacam-se a angiogênese e a inflamação, tendo o fator de crescimento vascular endotelial (VEGF), a ciclo-oxigenase 2 (COX-2) e os macrófagos, como os principais fatores desses processos. Recentemente, o extrato de Euterpe oleracea (açaí), um fruto abundantemente encontrado na região amazônica, apresentou efeito antitumoral in vitro em linhagens de células de carcinoma mamário humano. Desse modo, o presente estudo teve como objetivo estabelecer um modelo experimental de carcinoma mamário e avaliar o potencial efeito farmacológico do açaí no câncer de mama. Foram utilizadas 40 ratas Wistar, distribuídas aleatoriamente em 2 grupos: tratado com 200 mg/kg de extrato de açaí e controle que recebeu apenas o veículo, ambos via gavagem durante 16 semanas. Um dia depois do início do tratamento, foi induzido o tumor mamário com administração de 25 mg/kg de DMBA (7,12-dimetil benzo antraceno) via subcutânea na região mamária. Ao final do tratamento o tumor foi coletado para as análises macroscópica, histológicas e imunohistoquímica (VEGF, receptor do fator de crescimento endotelial vascular - FLK, COX-2 e metaloproteinase de matriz 9 - MMP-9); sangue para a dosagem dos níveis glicêmicos e lavado peritoneal para as análises bioquímica (óxido nítrico), citometria de fluxo (F4-80/MAC2+) e ELISA (VEGF, prostaglandina E2 - PGE2 e interleucina 10 - IL-10). As amostras do coração, fígado e rins foram coletadas para análises toxicológicas. O estabelecimento tumoral foi confirmado, após 16 semanas da indução, pela avaliação macroscópica e histológica, com uma taxa de indução tumoral e óbitos de 93,2% e 43,8%, respectivamente. Após tratamento com açaí, na análise histológica verificou-se uma diminuição das células inflamatórias, uma menor imunomarcação para VEGF, FLK e COX-2, diminuição no número de macrófagos e níveis significativamente menores de VEGF, PGE2 e IL-10, no grupo tratado com açaí comparado ao controle. O açaí aumentou a sobrevida dos animais (P = 0,002, Teste de longrank), reduziu significativamente o número de óbitos (P = 0,0036, Teste Qui-quadrado) e protegeu o fígado e os rins dos efeitos tóxicos causados pelo carcinógeno DMBA. Esses resultados indicam que o açaí reduziu o processo inflamatório e angiogênico, provavelmente pela a redução significativa no número de macrófagos, inibindo a sinalização VEGF/FLK e os níveis de PGE2, contribuindo para a redução do carcinoma mamário. Concluímos que o açaí é um potencial agente terapêutico coadjuvante para ser testado no tratamento do câncer de mama.