Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: |
2022 |
Autor(a) principal: |
Morais, João Henrique de Araujo |
Orientador(a): |
Cruz, Oswaldo Gonçalves |
Banca de defesa: |
Não Informado pela instituição |
Tipo de documento: |
Dissertação
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Tipo de acesso: |
Acesso aberto |
Idioma: |
por |
Instituição de defesa: |
Não Informado pela instituição
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Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Não Informado pela instituição
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Link de acesso: |
https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/52211
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Resumo: |
A Covid-19 foi identificada pela primeira vez no Brasil em fevereiro de 2020, na cidade de São Paulo. A doença se concentrou primeiramente nos grandes centros, mas se espalhou de forma rápida para o restante do país, atingindo de forma diferencial as populações socioeconomicamente vulneráveis. O grupo ocupacional dos trabalhadores de frigoríficos esteve entre os mais afetados, devido a características da dinâmica e do ambiente de trabalho. Visto a histórica contribuição das análises espaciais e espaço-temporais para o entendimento da dinâmica de doenças infecciosas, o estudo se propôs a estimar, através de modelagem estatística sob a perspectiva Bayesiana, a distribuição espaço-temporal de Síndrome Respiratória Aguda Grave causada por Covid-19 (SRAG-COVID) no estado de São Paulo entre março de 2020 e agosto de 2021. Atentou-se para as especificidades do processo de disseminação pelo território e para a relação dessa distribuição com fatores socioeconômicos, demográficos e a presença de frigoríficos. No período de estudo registrou-se 509.855 casos e 147.070 óbitos por SRAG-COVID. Houve aglomerados iniciais de casos e óbitos na Região Metropolitana de São Paulo e um posterior movimento rumo às regionais do interior do estado. Essas regionais foram as mais afetadas durante o ano de 2021, ano que, até o mês de agosto, havia registrado 57,38% mais casos e 95,67% mais óbitos do que o ano de 2020 completo. Para a modelagem, considerou-se mais adequado o modelo com componentes espacial e temporal estruturados e uma interação espaço-tempo a nível de região de saúde. Os coeficientes das covariáveis foram mantidos fixos no tempo. Municípios maiores e de melhor índice socioeconômico se mostraram mais afetados em todo o período para casos e óbitos, e a presença de frigoríficos se apresentou como um fator associado ao aumento da incidência e mortalidade por SRAG-COVID nos municípios, mesmo após considerar potenciais variáveis confundidoras. O estudo contribuiu para a descrição da dinâmica espaço-temporal da doença no estado e trouxe destaque à manifestação do efeito das precárias condições de trabalho sobre os desfechos da Covid-19 em nível ecológico, trazendo para a discussão a histórica invisibilização desses trabalhadores e a contraditória definição de essencialidade do trabalho que não serve aos interesses da população, mas à manutenção dos patamares de acumulação. |