Prevalência de alterações oculares em lactentes no primeiro ano de vida

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Garcia, Isabel Silveira Dias
Orientador(a): Zin, Andrea Araujo
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Não Informado pela instituição
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Link de acesso: https://www.arca.fiocruz.br/handle/icict/56203
Resumo: Objetivo: Analisar a prevalência de anormalidades oculares em um grupo de lactentes e descrever quais delas não seriam detectadas pelo teste do reflexo vermelho (TRV); analisar os aspectos críticos para o cuidado das anormalidades oculares encontradas. Introdução: Dados globais em relação à prevalência e causas de alterações oculares são escassos, em função da dificuldade de realizar trabalhos de base populacionais. Estima-se que atualmente existam cerca de 1.4 milhões de crianças com deficiência visual em todo o mundo e que metade dos casos sejam atribuídos à causas que têm prevenção ou tratamento. A deficiência visual na infância tem impacto direto sobre todos os aspectos do desenvolvimento infantil. O TRV é um método de rastreio de alterações na transparência dos meios oculares implementado no estado do Rio de Janeiro desde 2002. Ele tem auxiliado na prevenção da deficiência visual na infância, através da detecção precoce de alterações na transparência dos meios oculares. Métodos: Foi realizado um estudo transversal, dentro de um estudo de coorte prospectivo que avaliou mulheres gestantes e seus recém-nascidos (ZIP Study International Cohort Study of Children Born to Women Infected with Zika Virus During Pregnancy). As gestantes do estudo original foram recrutadas em 8 clínicas da família do município do Rio de Janeiro e seus recém-nascidos foram submetidos a um exame oftalmológico no primeiro ano de vida. Foi realizado o exame externo para avaliação das pálpebras, esclera, córnea, conjuntiva e cristalino, além da avaliação da motilidade extra ocular e oftalmoscopia indireta para avaliação do fundo de olho sob midríase. Foi feita uma análise descritiva e da prevalência das alterações oculares encontradas, analisando quais delas trariam comprometimento ao desenvolvimento visual e necessitariam de acompanhamento oftalmológico até resolução total do quadro. Além disso, quais dessas alterações não seriam detectadas apenas com o exame de rastreio disponível atualmente, o TRV. A refração, apesar de ter sido realizada durante a avaliação dos lactentes, não foi analisada. A partir das análises realizadas, foi feita uma avaliação dos aspectos críticos para o cuidado das alterações encontradas. Resultados: Foram avaliados 561 lactentes entre 09/03/2017 e 27/02/2019. A mediana de idade dos lactentes foi 1 mês (IQR 25-75: 1-2 meses). A prevalência de alterações oculares encontradas ao exame oftalmológico nos lactentes foi 5,7% (32/561), sendo 1,6% (9/561) passíveis de identificação pelo TRV. Todas as anormalidades posteriores e as que demandam a dilatação das pupilas para o seu diagnóstico não foram detectadas pelo TRV. Estas correspondem a 72% (23/32) de todas as alterações oculares encontradas. E foram elas: sinéquia posterior de íris, hipoplasia de nervo óptico, relação escavação/disco óptico aumentada, palidez de disco óptico bilateral, hemorragia retiniana, atenuação vascular, anormalidades da mácula e retinopatia da prematuridade. Noventa e quatro por cento (30/32) dos lactentes que apresentaram alteração ao exame precisaram de encaminhamento para acompanhamento oftalmológico. Conclusão: O TRV não identifica as alterações do segmento posterior do olho, que representam a maioria das anormalidades encontradas e que, apesar de não necessitarem de cirurgia, precisam de acompanhamento.