“Tihik quando bebe Kaxmuk não tem pai, nem mãe, nem irmão” : percepções sociais das consequências do uso da cachaça no povo indígena Maxakali/MG/Brasil

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Bibliographic Details
Main Author: Oliveira, Roberto Carlos de
Publication Date: 2019
Other Authors: Nicolau, Belinda F., Levine, Alissa, Mendonça, Ana Valéria Machado, Videira, Victoria, Vargas, Andréa Maria Duarte, Ferreira, Efigênia Ferreira e
Format: Article
Language: por
eng
Source: Repositório Institucional da UnB
Download full: https://repositorio.unb.br/handle/10482/36434
https://doi.org/10.1590/1413-81232018248.16992017
http://orcid.org/0000-0003-2407-8905
http://orcid.org/0000-0003-2833-2317
http://orcid.org/0000-0001-6076-8546
http://orcid.org/0000-0002-1879-5433
http://orcid.org/0000-0003-4150-5120
http://orcid.org/0000-0002-4371-9862
http://orcid.org/0000-0002-0665-211X
Summary: Este artigo explora um dos aspectos mais interessantes e menos estudados no Brasil: as consequências das experiências complexas e contraditórias da substituição total de bebidas tradicionais indígenas pela cachaça, introduzida pelo contato interétnico. Contribui com a carência de ampliação de estudos na temática, analisando as consequências negativas do uso de álcool Maxakali. Enquanto estudos antropológicos enfatizam funções do beber tradicional e contemporâneo como “lubrificantes” sociais, as percepções sociais Maxakali ressaltam consequências negativas do uso da cachaça vendida ou trocada no contato interétnico. Interpretou-se no cotidiano, símbolos e significados dessas consequências, narradas por 21 lideranças em grupos focais. Com a substituição da Kaxmuk pelos Maxakali, ocorreram adaptações surgidas pelo contato interétnico, com relações negativas para quem bebe, suas família, aldeia e comunidade. No mundo-da-vida, as consequências negativas apresentaram-se em forma de acidentes, desarmonias conjugais, negligências, além de comportamentos violentos, doenças e mortes. Este estudo reforça a importância de produção de conhecimentos aprofundados e abrangentes visando a identificação de grupos vulneráveis em busca de soluções participantes.
Description
Summary:Este artigo explora um dos aspectos mais interessantes e menos estudados no Brasil: as consequências das experiências complexas e contraditórias da substituição total de bebidas tradicionais indígenas pela cachaça, introduzida pelo contato interétnico. Contribui com a carência de ampliação de estudos na temática, analisando as consequências negativas do uso de álcool Maxakali. Enquanto estudos antropológicos enfatizam funções do beber tradicional e contemporâneo como “lubrificantes” sociais, as percepções sociais Maxakali ressaltam consequências negativas do uso da cachaça vendida ou trocada no contato interétnico. Interpretou-se no cotidiano, símbolos e significados dessas consequências, narradas por 21 lideranças em grupos focais. Com a substituição da Kaxmuk pelos Maxakali, ocorreram adaptações surgidas pelo contato interétnico, com relações negativas para quem bebe, suas família, aldeia e comunidade. No mundo-da-vida, as consequências negativas apresentaram-se em forma de acidentes, desarmonias conjugais, negligências, além de comportamentos violentos, doenças e mortes. Este estudo reforça a importância de produção de conhecimentos aprofundados e abrangentes visando a identificação de grupos vulneráveis em busca de soluções participantes.