Padronização de um modelo de dor central associado a neurodegeneração: avaliação do potencial efeito antinociceptivo da VD-hemopressina
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| Publication Date: | 2025 |
| Format: | Doctoral thesis |
| Language: | por |
| Source: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Download full: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42138/tde-14102025-080426/ |
Summary: | A doença de Alzheimer (DA) é uma desordem neurodegenerativa caracterizada pela perda progressiva de memória e deterioração das funções cognitivas. A dor é um problema comum entre pessoas com demência, manifestando-se na DA principalmente como dor neuropática central (DC), decorrente de lesões no sistema nervoso central. Essa condição leva ao desenvolvimento de quadros de hipersensibilidade, como a alodinia, sendo considerada uma das formas mais desafiadoras de dor para tratamento. A ativação glial e a neuroinflamação na medula espinal não são apenas características da DC, mas também eventos recorrentes na DA, especialmente quando há comprometimento das funções do hipocampais. O hipocampo, além de seu papel fundamental na memória e no aprendizado, está funcionalmente conectado a diversas regiões envolvidas no controle e processamento da dor, incluindo o locus coeruleus (LC). O LC, por sua vez, é a principal fonte de noradrenalina para o sistema nervoso central e desempenha um papel crucial na modulação descendente da dor. Desordens inflamatórias no hipocampo, frequentemente observadas na DA, podem alterar o funcionamento da via noradrenérgica originada no LC. Essa disfunção leva a um desequilíbrio nos mecanismos inibitórios da dor e contribui para a propagação da neuroinflamação na medula espinal, onde a ativação da glia exacerba o quadro doloroso. Assim, o eixo hipocampoLCmedula espinal emerge como uma via crítica na interação entre processos neurodegenerativos e o desenvolvimento da DC na DA. Peptídeos da família da hemopressina (Hp) apresentam grande potencial terapêutico tanto para o tratamento da dor neuropática quanto da DA, por sua capacidade de modular o sistema endocanabinoide. A hemopressina (Hp) atua como agonista inverso e a VDhemopressina (VD-Hp) como agonista do receptor canabinoide do tipo 1 (CB1R), promovendo efeitos anti-inflamatórios e modulando a transmissão nervosa. No entanto, ainda há lacunas quanto aos efeitos desses peptídeos na DC associada à DA, o que justifica a realização de estudos investigativos. Para isso, ratos Wistar machos (90 dias, 250350 g) foram submetidos a injeção bilateral intracerebroventricular de estreptozotocina (icv-STZ), visando mimetizar os processos neurodegenerativos característicos da DA esporádica. Para padronização do modelo de DC, foram avaliadas alodinia mecânica (monofilamentos de Von Frey), térmica ao frio (teste do spray de acetona) e ao quente (teste da placa quente) nos 7º e 14º dias após a icv-STZ. A avaliação cognitiva foi realizada pelo teste de reconhecimento de objetos nos dias 6 e 7, juntamente com o teste de campo aberto (3 minutos iniciais da fase de habituação), para verificar a atividade geral. Também foi avaliado o envolvimento do sistema noradrenérgico por meio da administração de duloxetina (20 mg/kg, i.p.) no 7º dia após a cirurgia. O protocolo consistiu em uma avaliação aguda (1, 3 e 6h pós-administração) e uma crônica (tratamento por 7 dias consecutivos com avaliações nos dias 7, 8, 10, 12 e 14). Os testes de Von Frey, spray de acetona e placa quente foram empregados em ambas as avaliações. Amostras de hipocampo, medula espinal e LC foram coletadas para análise ao final dos experimentos. Para avaliar o efeito antinociceptivo agudo da Hp e VD-Hp, os peptídeos foram administrados via intraperitoneal (0,25 mg/kg) no 7º dia após a cirurgia, e a alodinia foi avaliada 1, 3 e 6 horas após a aplicação. No protocolo crônico, os peptídeos foram administrados diariamente por 7 dias consecutivos, iniciando no 7º dia pós-cirurgia. Os testes nociceptivos foram realizados nos dias 7, 8, 10, 12 e 14. Ao final do período experimental, foram coletadas amostras do hipocampo, LC e medula espinal para análises por imunofluorescência, imunohistoquímica e immunoblotting, com foco na neuroinflamação e na expressão de CB1R. Os resultados demonstraram que o modelo de DC associado à neurodegeneração induziu comprometimento cognitivo relacionado à memória de curta e longa duração, sem alterações significativas na atividade geral. Os testes nociceptivos confirmaram a presença de alodinia mecânica e térmica (ao frio e ao quente) durante todo o período avaliado. No 14º dia, o grupo icv-STZ apresentou aumento na marcação de IBA-1 na área CA1 do hipocampo e na medula espinal. A expressão de GFAP também foi aumentada na área CA1, mas diminuída na medula espinal. A duloxetina, tanto em tratamento agudo quanto crônico, promoveu reversão da alodinia mecânica e térmica, além de também elevar os níveis de tirosina hidroxilase (TH) no LC. A avaliação aguda com Hp e VD-Hp revelou reversão significativa dos limiares nociceptivos mecânicos e térmicos (frio e quente) nas avaliações realizadas 1, 3 e 6 horas após a administração. De forma semelhante, o tratamento crônico também resultou em reversão sustentada da alodinia durante todo o período de avaliação. Além disso, os peptídeos foram capazes de reverter o déficit cognitivo relacionado à memória, sem prejuízo na atividade geral dos animais. A análise imunofluorescente do hipocampo mostrou que a icv-STZ induziu redução significativa na expressão de CB1R, a qual foi revertida com os tratamentos, sugerindo um efeito central dos peptídeos. Na medula espinal, observou-se uma diminuição da dupla marcação de CB1R em astrócitos, sendo essa expressão restaurada após tratamento com Hp e VD-Hp. Além disso, os peptídeos reduziram a neuroinflamação na medula espinal por meio da ativação de CB1R, com diminuição significativa da colocalização de NF-kB e IL-6 em GFAP. O immunoblotting exibiu uma diminuição de GFAP e CB1R acompanhada do aumento de IL-6. A Hp e VD-Hp aumentaram os níveis de GFAP e CB1R e reduziram a IL-6. Por fim, ambos os peptídeos restauraram os níveis de TH no LC observada por imunohistoquímica. Os resultados deste estudo demonstram de forma clara o potencial terapêutico dos peptídeos da família da Hp no manejo da DC associada à DA. O modelo experimental estabelecido (icv-STZ), reproduziu com sucesso os principais aspectos da patologia, incluindo comprometimento cognitivo e a presença de alodinia mecânica e térmica persistente. Em conjunto, os dados obtidos ressaltam a eficácia da Hp e da VD-Hp na modulação do eixo hipocampoLCmedula espinal, evidenciando seu duplo benefício no alívio da DC e na melhora do desempenho cognitivo em um modelo de DA. Estes achados não apenas contribuem para a compreensão dos mecanismos subjacentes à interação entre neurodegeneração e dor, mas também apontam para novas perspectivas terapêuticas envolvendo a modulação do sistema endocanabinoide no tratamento da dor associada à DA |
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Padronização de um modelo de dor central associado a neurodegeneração: avaliação do potencial efeito antinociceptivo da VD-hemopressinaStandardization of a Central Pain Model Associated with Neurodegeneration: Evaluation of the Potential Antinociceptive Effect of VDHemopressinAlzheimer\'s DiseaseCentral Neuropathic PainDoença de AlzheimerDor neuropática centralHemopressinHemopressinaA doença de Alzheimer (DA) é uma desordem neurodegenerativa caracterizada pela perda progressiva de memória e deterioração das funções cognitivas. A dor é um problema comum entre pessoas com demência, manifestando-se na DA principalmente como dor neuropática central (DC), decorrente de lesões no sistema nervoso central. Essa condição leva ao desenvolvimento de quadros de hipersensibilidade, como a alodinia, sendo considerada uma das formas mais desafiadoras de dor para tratamento. A ativação glial e a neuroinflamação na medula espinal não são apenas características da DC, mas também eventos recorrentes na DA, especialmente quando há comprometimento das funções do hipocampais. O hipocampo, além de seu papel fundamental na memória e no aprendizado, está funcionalmente conectado a diversas regiões envolvidas no controle e processamento da dor, incluindo o locus coeruleus (LC). O LC, por sua vez, é a principal fonte de noradrenalina para o sistema nervoso central e desempenha um papel crucial na modulação descendente da dor. Desordens inflamatórias no hipocampo, frequentemente observadas na DA, podem alterar o funcionamento da via noradrenérgica originada no LC. Essa disfunção leva a um desequilíbrio nos mecanismos inibitórios da dor e contribui para a propagação da neuroinflamação na medula espinal, onde a ativação da glia exacerba o quadro doloroso. Assim, o eixo hipocampoLCmedula espinal emerge como uma via crítica na interação entre processos neurodegenerativos e o desenvolvimento da DC na DA. Peptídeos da família da hemopressina (Hp) apresentam grande potencial terapêutico tanto para o tratamento da dor neuropática quanto da DA, por sua capacidade de modular o sistema endocanabinoide. A hemopressina (Hp) atua como agonista inverso e a VDhemopressina (VD-Hp) como agonista do receptor canabinoide do tipo 1 (CB1R), promovendo efeitos anti-inflamatórios e modulando a transmissão nervosa. No entanto, ainda há lacunas quanto aos efeitos desses peptídeos na DC associada à DA, o que justifica a realização de estudos investigativos. Para isso, ratos Wistar machos (90 dias, 250350 g) foram submetidos a injeção bilateral intracerebroventricular de estreptozotocina (icv-STZ), visando mimetizar os processos neurodegenerativos característicos da DA esporádica. Para padronização do modelo de DC, foram avaliadas alodinia mecânica (monofilamentos de Von Frey), térmica ao frio (teste do spray de acetona) e ao quente (teste da placa quente) nos 7º e 14º dias após a icv-STZ. A avaliação cognitiva foi realizada pelo teste de reconhecimento de objetos nos dias 6 e 7, juntamente com o teste de campo aberto (3 minutos iniciais da fase de habituação), para verificar a atividade geral. Também foi avaliado o envolvimento do sistema noradrenérgico por meio da administração de duloxetina (20 mg/kg, i.p.) no 7º dia após a cirurgia. O protocolo consistiu em uma avaliação aguda (1, 3 e 6h pós-administração) e uma crônica (tratamento por 7 dias consecutivos com avaliações nos dias 7, 8, 10, 12 e 14). Os testes de Von Frey, spray de acetona e placa quente foram empregados em ambas as avaliações. Amostras de hipocampo, medula espinal e LC foram coletadas para análise ao final dos experimentos. Para avaliar o efeito antinociceptivo agudo da Hp e VD-Hp, os peptídeos foram administrados via intraperitoneal (0,25 mg/kg) no 7º dia após a cirurgia, e a alodinia foi avaliada 1, 3 e 6 horas após a aplicação. No protocolo crônico, os peptídeos foram administrados diariamente por 7 dias consecutivos, iniciando no 7º dia pós-cirurgia. Os testes nociceptivos foram realizados nos dias 7, 8, 10, 12 e 14. Ao final do período experimental, foram coletadas amostras do hipocampo, LC e medula espinal para análises por imunofluorescência, imunohistoquímica e immunoblotting, com foco na neuroinflamação e na expressão de CB1R. Os resultados demonstraram que o modelo de DC associado à neurodegeneração induziu comprometimento cognitivo relacionado à memória de curta e longa duração, sem alterações significativas na atividade geral. Os testes nociceptivos confirmaram a presença de alodinia mecânica e térmica (ao frio e ao quente) durante todo o período avaliado. No 14º dia, o grupo icv-STZ apresentou aumento na marcação de IBA-1 na área CA1 do hipocampo e na medula espinal. A expressão de GFAP também foi aumentada na área CA1, mas diminuída na medula espinal. A duloxetina, tanto em tratamento agudo quanto crônico, promoveu reversão da alodinia mecânica e térmica, além de também elevar os níveis de tirosina hidroxilase (TH) no LC. A avaliação aguda com Hp e VD-Hp revelou reversão significativa dos limiares nociceptivos mecânicos e térmicos (frio e quente) nas avaliações realizadas 1, 3 e 6 horas após a administração. De forma semelhante, o tratamento crônico também resultou em reversão sustentada da alodinia durante todo o período de avaliação. Além disso, os peptídeos foram capazes de reverter o déficit cognitivo relacionado à memória, sem prejuízo na atividade geral dos animais. A análise imunofluorescente do hipocampo mostrou que a icv-STZ induziu redução significativa na expressão de CB1R, a qual foi revertida com os tratamentos, sugerindo um efeito central dos peptídeos. Na medula espinal, observou-se uma diminuição da dupla marcação de CB1R em astrócitos, sendo essa expressão restaurada após tratamento com Hp e VD-Hp. Além disso, os peptídeos reduziram a neuroinflamação na medula espinal por meio da ativação de CB1R, com diminuição significativa da colocalização de NF-kB e IL-6 em GFAP. O immunoblotting exibiu uma diminuição de GFAP e CB1R acompanhada do aumento de IL-6. A Hp e VD-Hp aumentaram os níveis de GFAP e CB1R e reduziram a IL-6. Por fim, ambos os peptídeos restauraram os níveis de TH no LC observada por imunohistoquímica. Os resultados deste estudo demonstram de forma clara o potencial terapêutico dos peptídeos da família da Hp no manejo da DC associada à DA. O modelo experimental estabelecido (icv-STZ), reproduziu com sucesso os principais aspectos da patologia, incluindo comprometimento cognitivo e a presença de alodinia mecânica e térmica persistente. Em conjunto, os dados obtidos ressaltam a eficácia da Hp e da VD-Hp na modulação do eixo hipocampoLCmedula espinal, evidenciando seu duplo benefício no alívio da DC e na melhora do desempenho cognitivo em um modelo de DA. Estes achados não apenas contribuem para a compreensão dos mecanismos subjacentes à interação entre neurodegeneração e dor, mas também apontam para novas perspectivas terapêuticas envolvendo a modulação do sistema endocanabinoide no tratamento da dor associada à DAAlzheimers disease (AD) is a neurodegenerative disorder characterized by progressive memory loss and cognitive decline. Pain is a common issue among individuals with dementia and manifests in AD primarily as central neuropathic pain (CNP), resulting from lesions in the central nervous system. This condition leads to the development of hypersensitivity symptoms, such as allodynia, and is considered one of the most challenging types of pain to treat. Glial activation and neuroinflammation in the spinal cord are not only hallmarks of CNP but also recurrent events in AD, particularly when hippocampal functions are impaired. The hippocampus, in addition to its fundamental role in memory and learning, is functionally connected to various regions involved in pain processing and modulation, including the locus coeruleus (LC). The LC, in turn, is the primary source of norepinephrine in the central nervous system and plays a crucial role in descending pain modulation. Inflammatory disorders in the hippocampus, frequently observed in AD, may alter the functioning of the noradrenergic pathway originating from the LC. This dysfunction leads to an imbalance in inhibitory pain mechanisms and contributes to the spread of neuroinflammation in the spinal cord, where glial activation exacerbates pain. Thus, the hippocampusLC spinal cord axis emerges as a critical pathway in the interaction between neurodegenerative processes and the development of CNP in AD. Peptides from the hemopressin (Hp) family show great therapeutic potential for the treatment of both neuropathic pain and AD due to their ability to modulate the endocannabinoid system. Hemopressin acts as an inverse agonist, whereas VD-hemopressin (VD-Hp) acts as an agonist of the cannabinoid type 1 receptor (CB1R), promoting anti-inflammatory effects and modulating neurotransmission. However, there are still gaps regarding the effects of these peptides on CNP associated with AD, which justifies further investigative studies. For this purpose, male Wistar rats (90 days old, 250350 g) were subjected to bilateral intracerebroventricular (icv) injection of streptozotocin (icv-STZ), aiming to mimic the neurodegenerative processes characteristic of sporadic AD. To standardize the CNP model, mechanical allodynia (Von Frey filaments), cold allodynia (acetone spray test), and heat allodynia (hot plate test) were evaluated on days 7 and 14 post-icv-STZ. Cognitive assessment was conducted using the object recognition test on days 6 and 7, along with the open field test (first 3 minutes of the habituation phase) to assess general activity. The involvement of the noradrenergic system was also evaluated through administration of duloxetine (20 mg/kg, i.p.) on day 7 post-surgery. The protocol included both an acute assessment (1, 3, and 6 hours post-administration) and a chronic evaluation (7 consecutive days of treatment, with assessments on days 7, 8, 10, 12, and 14). Von Frey, acetone spray, and hot plate tests were used in both evaluations. Spinal cord and LC samples were collected for analysis at the end of the experiments. To assess the acute antinociceptive effect of Hp and VD-Hp, the peptides were administered intraperitoneally (0.25 mg/kg) on day 7 post-surgery, and allodynia was evaluated 1, 3, and 6 hours after administration. In the chronic protocol, the peptides were administered daily for 7 consecutive days, starting on day 7 post-surgery. Nociceptive tests were conducted on days 7, 8, 10, 12, and 14. At the end of the experimental period, hippocampal and spinal cord samples were collected for analysis by immunofluorescence and immunoblotting, focusing on neuroinflammation and CB1R expression. The results showed that the CNP model associated with neurodegeneration induced cognitive impairment affecting both short-and long-term memory, without significant changes in general activity. Nociceptive tests confirmed the presence of mechanical and thermal allodynia (cold and heat) throughout the evaluation period. On day 14, the icv-STZ group showed increased IBA- 1 staining in the CA1 area of the hippocampus and in the spinal cord. GFAP expression was also increased in the CA1 area but decreased in the spinal cord. Duloxetine, both in acute and chronic treatments, reversed mechanical and thermal allodynia and increased tyrosine hydroxylase (TH) levels in the LC. Acute evaluation with Hp and VD-Hp revealed significant reversal of mechanical and thermal (cold and heat) nociceptive thresholds at 1, 3, and 6 hours post-administration. Similarly, chronic treatment resulted in sustained reversal of allodynia throughout the evaluation period. In addition, the peptides were able to reverse memory-related cognitive deficits without impairing the animals general activity. Immunofluorescence analysis of the hippocampus showed that icv-STZ induced a significant reduction in CB1R expression, which was reversed by the treatments, suggesting a central effect of the peptides. In the spinal cord, a reduction in CB1R double labeling in astrocytes was observed, with this expression being restored after treatment with Hp and VD-Hp. Moreover, the peptides reduced spinal cord neuroinflammation via CB1R activation, as indicated by a significant decrease in NF-kB and IL-6 colocalization in GFAP-positive cells. Immunoblotting showed decreased levels of GFAP and CB1R, accompanied by increased IL-6. Hp and VD-Hp treatment increased GFAP and CB1R levels and reduced IL-6 expression. Finally, both peptides restored TH levels in the LC as observed by immunohistochemistry. The results of this study clearly demonstrate the therapeutic potential of Hp family peptides in managing CNP associated with AD. The established experimental model (icv-STZ) successfully reproduced key aspects of the pathology, including cognitive impairment and persistent mechanical and thermal allodynia. Taken together, the data highlight the efficacy of Hp and VD-Hp in modulating the hippocampusLCspinal cord axis, demonstrating their dual benefit in alleviating CNP and improving cognitive performance in an AD model. These findings not only contribute to a better understanding of the mechanisms underlying the interaction between neurodegeneration and pain but also point to new therapeutic perspectives involving endocannabinoid system modulation for the treatment of AD-associated pain.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPDale, Camila SquarzoniOliveira, Victhor Teixeira de2025-08-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42138/tde-14102025-080426/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-16T12:57:02Zoai:teses.usp.br:tde-14102025-080426Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-16T12:57:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Padronização de um modelo de dor central associado a neurodegeneração: avaliação do potencial efeito antinociceptivo da VD-hemopressina Standardization of a Central Pain Model Associated with Neurodegeneration: Evaluation of the Potential Antinociceptive Effect of VDHemopressin |
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A doença de Alzheimer (DA) é uma desordem neurodegenerativa caracterizada pela perda progressiva de memória e deterioração das funções cognitivas. A dor é um problema comum entre pessoas com demência, manifestando-se na DA principalmente como dor neuropática central (DC), decorrente de lesões no sistema nervoso central. Essa condição leva ao desenvolvimento de quadros de hipersensibilidade, como a alodinia, sendo considerada uma das formas mais desafiadoras de dor para tratamento. A ativação glial e a neuroinflamação na medula espinal não são apenas características da DC, mas também eventos recorrentes na DA, especialmente quando há comprometimento das funções do hipocampais. O hipocampo, além de seu papel fundamental na memória e no aprendizado, está funcionalmente conectado a diversas regiões envolvidas no controle e processamento da dor, incluindo o locus coeruleus (LC). O LC, por sua vez, é a principal fonte de noradrenalina para o sistema nervoso central e desempenha um papel crucial na modulação descendente da dor. Desordens inflamatórias no hipocampo, frequentemente observadas na DA, podem alterar o funcionamento da via noradrenérgica originada no LC. Essa disfunção leva a um desequilíbrio nos mecanismos inibitórios da dor e contribui para a propagação da neuroinflamação na medula espinal, onde a ativação da glia exacerba o quadro doloroso. Assim, o eixo hipocampoLCmedula espinal emerge como uma via crítica na interação entre processos neurodegenerativos e o desenvolvimento da DC na DA. Peptídeos da família da hemopressina (Hp) apresentam grande potencial terapêutico tanto para o tratamento da dor neuropática quanto da DA, por sua capacidade de modular o sistema endocanabinoide. A hemopressina (Hp) atua como agonista inverso e a VDhemopressina (VD-Hp) como agonista do receptor canabinoide do tipo 1 (CB1R), promovendo efeitos anti-inflamatórios e modulando a transmissão nervosa. No entanto, ainda há lacunas quanto aos efeitos desses peptídeos na DC associada à DA, o que justifica a realização de estudos investigativos. Para isso, ratos Wistar machos (90 dias, 250350 g) foram submetidos a injeção bilateral intracerebroventricular de estreptozotocina (icv-STZ), visando mimetizar os processos neurodegenerativos característicos da DA esporádica. Para padronização do modelo de DC, foram avaliadas alodinia mecânica (monofilamentos de Von Frey), térmica ao frio (teste do spray de acetona) e ao quente (teste da placa quente) nos 7º e 14º dias após a icv-STZ. A avaliação cognitiva foi realizada pelo teste de reconhecimento de objetos nos dias 6 e 7, juntamente com o teste de campo aberto (3 minutos iniciais da fase de habituação), para verificar a atividade geral. Também foi avaliado o envolvimento do sistema noradrenérgico por meio da administração de duloxetina (20 mg/kg, i.p.) no 7º dia após a cirurgia. O protocolo consistiu em uma avaliação aguda (1, 3 e 6h pós-administração) e uma crônica (tratamento por 7 dias consecutivos com avaliações nos dias 7, 8, 10, 12 e 14). Os testes de Von Frey, spray de acetona e placa quente foram empregados em ambas as avaliações. Amostras de hipocampo, medula espinal e LC foram coletadas para análise ao final dos experimentos. Para avaliar o efeito antinociceptivo agudo da Hp e VD-Hp, os peptídeos foram administrados via intraperitoneal (0,25 mg/kg) no 7º dia após a cirurgia, e a alodinia foi avaliada 1, 3 e 6 horas após a aplicação. No protocolo crônico, os peptídeos foram administrados diariamente por 7 dias consecutivos, iniciando no 7º dia pós-cirurgia. Os testes nociceptivos foram realizados nos dias 7, 8, 10, 12 e 14. Ao final do período experimental, foram coletadas amostras do hipocampo, LC e medula espinal para análises por imunofluorescência, imunohistoquímica e immunoblotting, com foco na neuroinflamação e na expressão de CB1R. Os resultados demonstraram que o modelo de DC associado à neurodegeneração induziu comprometimento cognitivo relacionado à memória de curta e longa duração, sem alterações significativas na atividade geral. Os testes nociceptivos confirmaram a presença de alodinia mecânica e térmica (ao frio e ao quente) durante todo o período avaliado. No 14º dia, o grupo icv-STZ apresentou aumento na marcação de IBA-1 na área CA1 do hipocampo e na medula espinal. A expressão de GFAP também foi aumentada na área CA1, mas diminuída na medula espinal. A duloxetina, tanto em tratamento agudo quanto crônico, promoveu reversão da alodinia mecânica e térmica, além de também elevar os níveis de tirosina hidroxilase (TH) no LC. A avaliação aguda com Hp e VD-Hp revelou reversão significativa dos limiares nociceptivos mecânicos e térmicos (frio e quente) nas avaliações realizadas 1, 3 e 6 horas após a administração. De forma semelhante, o tratamento crônico também resultou em reversão sustentada da alodinia durante todo o período de avaliação. Além disso, os peptídeos foram capazes de reverter o déficit cognitivo relacionado à memória, sem prejuízo na atividade geral dos animais. A análise imunofluorescente do hipocampo mostrou que a icv-STZ induziu redução significativa na expressão de CB1R, a qual foi revertida com os tratamentos, sugerindo um efeito central dos peptídeos. Na medula espinal, observou-se uma diminuição da dupla marcação de CB1R em astrócitos, sendo essa expressão restaurada após tratamento com Hp e VD-Hp. Além disso, os peptídeos reduziram a neuroinflamação na medula espinal por meio da ativação de CB1R, com diminuição significativa da colocalização de NF-kB e IL-6 em GFAP. O immunoblotting exibiu uma diminuição de GFAP e CB1R acompanhada do aumento de IL-6. A Hp e VD-Hp aumentaram os níveis de GFAP e CB1R e reduziram a IL-6. Por fim, ambos os peptídeos restauraram os níveis de TH no LC observada por imunohistoquímica. Os resultados deste estudo demonstram de forma clara o potencial terapêutico dos peptídeos da família da Hp no manejo da DC associada à DA. O modelo experimental estabelecido (icv-STZ), reproduziu com sucesso os principais aspectos da patologia, incluindo comprometimento cognitivo e a presença de alodinia mecânica e térmica persistente. Em conjunto, os dados obtidos ressaltam a eficácia da Hp e da VD-Hp na modulação do eixo hipocampoLCmedula espinal, evidenciando seu duplo benefício no alívio da DC e na melhora do desempenho cognitivo em um modelo de DA. 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Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP) |
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