Efeitos da modulação de PINK1 na progressão da doença de Alzheimer e na função mitocondrial utilizando Drosophila melanogaster como modelo
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| Data de Publicação: | 2024 |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Idioma: | por |
| Título da fonte: | Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP |
| Texto Completo: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17131/tde-17012025-113435/ |
Resumo: | A doença de Alzheimer (DA) é uma neuropatologia crônica e progressiva, que se manifesta principalmente pela perda de memória e cognição. Os principais hallmarks da doença são emaranhados fibrilares intracelulares e agregados beta-amiloide extracelulares com propriedades neurotóxicas, que durante a progressão da doença associam-se a um quadro de inflamação, estresse oxidativo e levam à morte neuronal. Devido ao declínio da produção de ATP e aumento do estresse oxidativo na progressão da patologia, acredita-se que a disfunção mitocondrial possa ser considerada um importante marcador da DA, podendo preceder o acúmulo de beta-amilóide e de NFTs. Dessa forma, o trabalho teve como objetivo investigar a relação entre o processo de mitofagia e a progressão da DA. Por meio do sistema de expressão UAS-Gal4, realizamos a modulação positiva e negativa da expressão do gene PINK1 em dois modelos de Drosophila melanogaster para a DA - um deles expressando de maneira pan-neural as proteínas humanas APP e BACE; e outro apenas o peptídeo Aβ42. Foram avaliados fenótipos comportamentais, como sobrevivência, escalada (locomoção) e memória, além de caracterização funcional das mitocôndrias no sistema nervoso central por meio da avaliação do consumo de oxigênio e da quantificação da produção de espécies reativas de oxigênio (EROs). Os resultados mostraram que, para o modelo APP-BACE, a super-expressão de PINK1 foi capaz de aumentar a expectativa de vida e reverter parcialmente o fenótipo de memória, mas não melhorou a locomoção dos animais. Apesar de não alterar o consumo de O2 nas cabeças dos animais, a modulação positiva de PINK1 reduziu significativamente a elevada produção de H2O2 no modelo. O RNAi de PINK1, nestes animais, foi responsável por um declínio mais acentuado na taxa de sobrevivência, e não produziu alterações significativas nos outros fenótipos analisados. No modelo Aβ42, as duas modulações aumentaram a sobrevivência dos animais, e o RNAi de PINK1 reverteu o baixo consumo de O2 e aumentou a produção de EROs pelas cabeças dos indivíduos. A superexpressão de PINK1, nesse caso, não gerou alterações significativas nos demais fenótipos (à exceção da sobrevivência). Em conjunto, esses resultados indicam que a modulação positiva da mitofagia mediada por PINK1/Parkin é capaz de aumentar a taxa de sobrevivência dos animais com DA; no entanto, por si só, não oferece recuperação completa do fenótipo, indicando possivelmente que as mitocôndrias sejam parte do caráter sistêmico e multifatorial da DA. |
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Efeitos da modulação de PINK1 na progressão da doença de Alzheimer e na função mitocondrial utilizando Drosophila melanogaster como modeloEffects of PINK1 modulation on Alzheimer\'s disease progression and mitochondrial function using Drosophila melanogaster as a modelAlzheimer's diseaseDisfunção mitocondrialDoença de AlzheimerMitochondrial disfunctionMitofagiaMitophagyA doença de Alzheimer (DA) é uma neuropatologia crônica e progressiva, que se manifesta principalmente pela perda de memória e cognição. Os principais hallmarks da doença são emaranhados fibrilares intracelulares e agregados beta-amiloide extracelulares com propriedades neurotóxicas, que durante a progressão da doença associam-se a um quadro de inflamação, estresse oxidativo e levam à morte neuronal. Devido ao declínio da produção de ATP e aumento do estresse oxidativo na progressão da patologia, acredita-se que a disfunção mitocondrial possa ser considerada um importante marcador da DA, podendo preceder o acúmulo de beta-amilóide e de NFTs. Dessa forma, o trabalho teve como objetivo investigar a relação entre o processo de mitofagia e a progressão da DA. Por meio do sistema de expressão UAS-Gal4, realizamos a modulação positiva e negativa da expressão do gene PINK1 em dois modelos de Drosophila melanogaster para a DA - um deles expressando de maneira pan-neural as proteínas humanas APP e BACE; e outro apenas o peptídeo Aβ42. Foram avaliados fenótipos comportamentais, como sobrevivência, escalada (locomoção) e memória, além de caracterização funcional das mitocôndrias no sistema nervoso central por meio da avaliação do consumo de oxigênio e da quantificação da produção de espécies reativas de oxigênio (EROs). Os resultados mostraram que, para o modelo APP-BACE, a super-expressão de PINK1 foi capaz de aumentar a expectativa de vida e reverter parcialmente o fenótipo de memória, mas não melhorou a locomoção dos animais. Apesar de não alterar o consumo de O2 nas cabeças dos animais, a modulação positiva de PINK1 reduziu significativamente a elevada produção de H2O2 no modelo. O RNAi de PINK1, nestes animais, foi responsável por um declínio mais acentuado na taxa de sobrevivência, e não produziu alterações significativas nos outros fenótipos analisados. No modelo Aβ42, as duas modulações aumentaram a sobrevivência dos animais, e o RNAi de PINK1 reverteu o baixo consumo de O2 e aumentou a produção de EROs pelas cabeças dos indivíduos. A superexpressão de PINK1, nesse caso, não gerou alterações significativas nos demais fenótipos (à exceção da sobrevivência). Em conjunto, esses resultados indicam que a modulação positiva da mitofagia mediada por PINK1/Parkin é capaz de aumentar a taxa de sobrevivência dos animais com DA; no entanto, por si só, não oferece recuperação completa do fenótipo, indicando possivelmente que as mitocôndrias sejam parte do caráter sistêmico e multifatorial da DA.Alzheimer\'s disease (AD) is a chronic and progressive neuropathology, primarily characterized by memory and cognition loss. The main hallmarks of the disease are intracellular fibrillary tangles and extracellular beta-amyloid aggregates with neurotoxic properties, which, during disease progression, are associated with inflammation, oxidative stress, and lead to neuronal death. Due to the decline in ATP production and increased oxidative stress during the progression of the pathology, mitochondrial dysfunction is believed to be an important marker of AD, potentially preceding the accumulation of beta-amyloid and NFTs. Therefore, this study aimed to investigate the relationship between the mitophagy process and the progression of AD. Using the UAS-Gal4 expression system, we performed both positive and negative modulation of the PINK1 gene expression in two Drosophila melanogaster models for AD - one expressing the human proteins APP and BACE pan-neurally, and the other expressing only the Aβ42 peptide. Behavioral phenotypes, such as survival, climbing (locomotion), and memory, were evaluated, as well as the functional characterization of mitochondria in the central nervous system through the assessment of oxygen consumption and the quantification of reactive oxygen species (ROS) production. The results showed that, for the APP-BACE model, PINK1 overexpression was able to increase lifespan and partially reverse the memory phenotype but did not improve the locomotion of the animals. Although it did not alter O2 consumption in the heads of the animals, positive modulation of PINK1 significantly reduced the elevated ROS production in the model. PINK1 RNAi in these animals resulted in a more pronounced decline in survival rate, with no significant changes in the other phenotypes analyzed. In the Aβ42 model, both modulations increased the survival of the animals, and PINK1 RNAi reversed the low O2 consumption and increased H2O2 production in the heads of the individuals. PINK1 overexpression, in this case, did not generate significant changes in the other phenotypes (except for survival). Together, these results indicate that positive modulation of PINK1/Parkin-mediated mitophagy can increase the survival rate of animals with AD; however, on its own, it does not offer complete recovery of the phenotype, possibly indicating that mitochondria are part of the systemic and multifactorial nature of AD.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAlberici, Luciane CarlaSpegiorim, Giulia Covolo2024-08-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17131/tde-17012025-113435/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-04-29T20:01:02Zoai:teses.usp.br:tde-17012025-113435Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-04-29T20:01:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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