INFLUÊNCIAS CULTURAIS – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO DE PARASITOSE INTESTINAL
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| Publication Date: | 2015 |
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Summary: | Introdução: A incidência de parasitoses intestinais decresceu nas últimas décadas em Portugal, sobretudo devido à melhoria das condições higieno-sanitárias. Apesar de escassos estudos de prevalência, considera-se que Portugal é um país com baixa taxa de parasitismo. Este caso pretende ilustrar como, por vezes, uma pequena suspeita clínica pode ser importante no diagnóstico, como a abordagem holística é importante na compreensão das atitudes dos utentes, e especialmente como o património cultural pode influenciar a adesão e compreensão da terapêutica. Caso Clínico: Menino de 5 anos, pertencente a uma família nuclear na fase III do ciclo de Duvall, classe média, segundo a escala de Graffar. Os progenitores são oriundos do leste da Europa, residindo em Portugal desde 2009. Na consulta de vigilância, a mãe referiu que, por vezes, notava “fitas brancas” nas fezes e questionou sobre a desparasitação intestinal. A criança não apresentava história de diarreia crónica nem alterações ao exame objetivo, nomeadamente rebate no peso. Dada a suspeita, foi pedido exame parasitológico de fezes, que revelou a presença de Hymenolepsis nana, um parasita da família das ténias. Foi contactado o hospital de referência, uma vez que o tratamento adequado (praziquantel) é de uso hospitalar. Contudo, dada a inexistência do fármaco, foi dada indicação de cumprir 3 dias de albendazol, com repetição 15 dias depois, no mesmo esquema. A criança manteve-se assintomática e sem afetação do crescimento estaturo-ponderal. Foi reavaliada cerca de um mês depois, sem alterações assinaláveis. Contudo, a mãe insistiu que deveria repetir novo ciclo de tratamento, porque leu que se deve fazer profilaxia de infeção por Giardia e na sua terra se fazia assim. Embora tenha sido explicado que não é indicado e que pode haver efeitos secundários, não se conseguiu demovê- -la do seu objetivo e a criança foi medicada. Discussão: Atualmente, a OMS recomenda a profilaxia de rotina apenas em países com taxas de parasitismo superiores a 20%. As desparasitações de rotina podem provocar diarreia crónica e levar ao desenvolvimento de resistências, pelo que são desaconselhadas. Porém, perante a suspeita clínica, mesmo com exame parasitológico inicial negativo, é lícito fazer prova terapêutica. É importante atentar sempre nas expectativas e cultura de cada pessoa, dado que influenciam a tomada de decisões. Esta mãe, apesar de concordar acerca dos riscos, insistiu na administração do fármaco, mesmo sendo desaconselhado. |
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INFLUÊNCIAS CULTURAIS – A PROPÓSITO DE UM CASO CLÍNICO DE PARASITOSE INTESTINALResumo dos postersIntrodução: A incidência de parasitoses intestinais decresceu nas últimas décadas em Portugal, sobretudo devido à melhoria das condições higieno-sanitárias. Apesar de escassos estudos de prevalência, considera-se que Portugal é um país com baixa taxa de parasitismo. Este caso pretende ilustrar como, por vezes, uma pequena suspeita clínica pode ser importante no diagnóstico, como a abordagem holística é importante na compreensão das atitudes dos utentes, e especialmente como o património cultural pode influenciar a adesão e compreensão da terapêutica. Caso Clínico: Menino de 5 anos, pertencente a uma família nuclear na fase III do ciclo de Duvall, classe média, segundo a escala de Graffar. Os progenitores são oriundos do leste da Europa, residindo em Portugal desde 2009. Na consulta de vigilância, a mãe referiu que, por vezes, notava “fitas brancas” nas fezes e questionou sobre a desparasitação intestinal. A criança não apresentava história de diarreia crónica nem alterações ao exame objetivo, nomeadamente rebate no peso. Dada a suspeita, foi pedido exame parasitológico de fezes, que revelou a presença de Hymenolepsis nana, um parasita da família das ténias. Foi contactado o hospital de referência, uma vez que o tratamento adequado (praziquantel) é de uso hospitalar. Contudo, dada a inexistência do fármaco, foi dada indicação de cumprir 3 dias de albendazol, com repetição 15 dias depois, no mesmo esquema. A criança manteve-se assintomática e sem afetação do crescimento estaturo-ponderal. Foi reavaliada cerca de um mês depois, sem alterações assinaláveis. Contudo, a mãe insistiu que deveria repetir novo ciclo de tratamento, porque leu que se deve fazer profilaxia de infeção por Giardia e na sua terra se fazia assim. Embora tenha sido explicado que não é indicado e que pode haver efeitos secundários, não se conseguiu demovê- -la do seu objetivo e a criança foi medicada. Discussão: Atualmente, a OMS recomenda a profilaxia de rotina apenas em países com taxas de parasitismo superiores a 20%. As desparasitações de rotina podem provocar diarreia crónica e levar ao desenvolvimento de resistências, pelo que são desaconselhadas. Porém, perante a suspeita clínica, mesmo com exame parasitológico inicial negativo, é lícito fazer prova terapêutica. É importante atentar sempre nas expectativas e cultura de cada pessoa, dado que influenciam a tomada de decisões. Esta mãe, apesar de concordar acerca dos riscos, insistiu na administração do fármaco, mesmo sendo desaconselhado.Unidade Local de Saúde de Santo António2015-12-01info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/articlehttps://doi.org/10.25753/BirthGrowthMJ.v24.i0.9645por2183-9417Reis, Ana RitaVidal, Maria Eduardainfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)instname:FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiainstacron:RCAAP2024-05-07T09:39:48Zoai:ojs.revistas.rcaap.pt:article/9645Portal AgregadorONGhttps://www.rcaap.pt/oai/openaireinfo@rcaap.ptopendoar:https://opendoar.ac.uk/repository/71602025-05-28T14:39:26.015999Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) - FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiafalse |
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Introdução: A incidência de parasitoses intestinais decresceu nas últimas décadas em Portugal, sobretudo devido à melhoria das condições higieno-sanitárias. Apesar de escassos estudos de prevalência, considera-se que Portugal é um país com baixa taxa de parasitismo. Este caso pretende ilustrar como, por vezes, uma pequena suspeita clínica pode ser importante no diagnóstico, como a abordagem holística é importante na compreensão das atitudes dos utentes, e especialmente como o património cultural pode influenciar a adesão e compreensão da terapêutica. Caso Clínico: Menino de 5 anos, pertencente a uma família nuclear na fase III do ciclo de Duvall, classe média, segundo a escala de Graffar. Os progenitores são oriundos do leste da Europa, residindo em Portugal desde 2009. Na consulta de vigilância, a mãe referiu que, por vezes, notava “fitas brancas” nas fezes e questionou sobre a desparasitação intestinal. A criança não apresentava história de diarreia crónica nem alterações ao exame objetivo, nomeadamente rebate no peso. Dada a suspeita, foi pedido exame parasitológico de fezes, que revelou a presença de Hymenolepsis nana, um parasita da família das ténias. Foi contactado o hospital de referência, uma vez que o tratamento adequado (praziquantel) é de uso hospitalar. Contudo, dada a inexistência do fármaco, foi dada indicação de cumprir 3 dias de albendazol, com repetição 15 dias depois, no mesmo esquema. A criança manteve-se assintomática e sem afetação do crescimento estaturo-ponderal. Foi reavaliada cerca de um mês depois, sem alterações assinaláveis. Contudo, a mãe insistiu que deveria repetir novo ciclo de tratamento, porque leu que se deve fazer profilaxia de infeção por Giardia e na sua terra se fazia assim. Embora tenha sido explicado que não é indicado e que pode haver efeitos secundários, não se conseguiu demovê- -la do seu objetivo e a criança foi medicada. Discussão: Atualmente, a OMS recomenda a profilaxia de rotina apenas em países com taxas de parasitismo superiores a 20%. As desparasitações de rotina podem provocar diarreia crónica e levar ao desenvolvimento de resistências, pelo que são desaconselhadas. Porém, perante a suspeita clínica, mesmo com exame parasitológico inicial negativo, é lícito fazer prova terapêutica. É importante atentar sempre nas expectativas e cultura de cada pessoa, dado que influenciam a tomada de decisões. Esta mãe, apesar de concordar acerca dos riscos, insistiu na administração do fármaco, mesmo sendo desaconselhado. |
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