Transformação da paisagem silvopastoril no Parque Natural de Montesinho num cenário de alterações climáticas
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| Publication Date: | 2022 |
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| Language: | por |
| Source: | Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) |
| Download full: | http://hdl.handle.net/10198/26033 |
Summary: | A transformação da paisagem rural resulta da perceção e interpretação humana das alterações climáticas, e consequentes opções na utilização dos seus recursos. A compreensão destas atitudes, e opções na gestão da terra, é fundamental para o desenvolvimento de cenários e de políticas de adaptação. O território do Parque Natural de Montesinho (PNM) é uma região de transição entre as biogeografias temperadas e mediterrânicas, uma situação privilegiada, portanto, para informar sobre a evolução da paisagem face às alterações climáticas; e de facto, a paisagem deste território alterou-se significativamente nas últimas décadas. Este trabalho analisa as alterações entre 1995 e 2021 no território do PNM com utilização silvopastoril. Com base em 45 quadriculas de 100 hectares distribuídas pelos 5 pisos bioclimáticos, verificou-se que cerca de 18.5% do território amostrado tem hoje um uso diferente relativamente a 1995. As maiores transformações (86%) foram as observadas nas regiões intermédias bioclimaticamente do PNM – supramediterrânico húmido - enquanto nos extremos bioclimáticos - supratemperado húmido e hiperhumido, e mesomediterrâneo sub-húmido - elas correspondem apenas a 14% das transformações totais. As principais transformações foram a substituição de culturas de sequeiro por pomares de castanheiro (21%), o abandono de terras de sequeiro agora ocupadas por urzais (10%), a evolução dos urzais para giestais (9%) e a carvalhais (6%), e o repovoamento de urzais e estevais por pinhais (6%). Em geral, as transformações da paisagem sugerem uma opção por utilizações da terra mais extensivas, mais bem-adaptadas à atual realidade social, ao despovoamento rural e à falta de mão de obra, bem como à redução da rentabilidade da cultura frumentária, em contraponto com o aumento da rentabilidade de culturas permanentes (castanha e.g.). Tendo em conta a sua interdependência, estas transformações na paisagem requerem adaptações do sistema silvopastoril à nova realidade, quer em termos da disponibilidade, quer da distribuição dos recursos forrageiros. Se, por um lado, as novas áreas de arbustivas resultantes do abandono da agricultura podem beneficiar mais os caprinos que os ovinos, já as novas florestações e plantações de soutos colocam sérios problemas de circulação dos rebanhos pelo termo de cada aldeia. Por outro lado, o desenvolvimento de giestais altos e talhadias de carvalho pode, no longo prazo, inviabilizar tanto o pastoreio por ovelhas como por cabras, exigindo meios auxiliares de gestão desta vegetação, como são a limpeza mecânica ou a queima prescrita. Por outro lado, a continuidade de grandes áreas de vegetação arbustiva irá aumentar o risco de incêndio. Estes resultados revelam que as importantes transformações na paisagem do PNM demandam medidas urgentes de políticas públicas de planeamento e gestão desta área classificada, cuja origem e justificação reside precisamente na utilização sustentada desta paisagem humanizada. |
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