Psicopatologia, personalidade e processamento emocional em reclusos condenados por homícidio versus grupo sem história criminal

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Pires, Maria Dulce Marques
Data de Publicação: 2017
Idioma: por
Título da fonte: Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10773/22158
Resumo: A literatura aponta para a existência de défices no processamento emocional em ofensores violentos, principalmente a nível das emoções do medo, tristeza e surpresa, sendo que os estudos variam nos resultados encontrados conforme as metodologias aplicadas e as características das amostras. A psicopatologia e a caracterização do contexto prisional tornam-se variáveis fundamentais a serem consideradas quando se realiza um estudo de processamento emocional. A literatura sugere que as perturbações mentais, nomeadamente as perturbações de personalidade, e especificamente a psicopatia, se encontram associadas a défices de processamento emocional. O presente estudo teve, portanto, como objetivo principal estudar os sintomas psicopatológicos, a personalidade e processamento emocional face a diferentes tipos de estímulos com significado emocional dos indivíduos condenados por homicídio em comparação com um grupo recrutado na comunidade, sem história criminal. A investigação foi realizada com 30 homens reclusos condenados por homicídio, com autorização da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e com 30 homens recrutados na comunidade como grupo de controlo emparelhado por faixa etária, nível de escolaridade e grupo profissional, sem história criminal. Foram utilizados instrumentos de “papel e lápis” (e.g., Millon III) para aferir a sintomatologia, as características de personalidade e os índices de psicopatia, e por fim as tarefas comportamentais de processamento emocional (e.g., Go/No-Go). Os indivíduos condenados por homicídio apresentaram pontuações significativamente mais elevadas na escala Compulsiva e de Stresse Pós-Traumático, em comparação com o grupo de controlo. A nível de características da personalidade, salienta-se no grupo de reclusos, a faceta da Impulsividade, do domínio do Neuroticismo. O grupo de reclusos apresentou indícios de psicopatia, já o grupo de controlo apresenta ausência de psicopatia, pelo que a psicopatia parece ser o elemento que diferencia ambas as amostras. Em termos de processamento emocional, os indivíduos condenados por homícidio apresentam diferenças significativas em comparação com o grupo de controlo a nível dos tempos de reação no reconhecimento do medo (i.e., Ekman60Faces), falsos alarmes da deteção da tristeza e nº omissões na deteção da alegria (i.e., Go/No-Go), e tempos de reação no reconhecimento da surpresa (i.e., Ekman60Faces), a nível da avaliação da valência das imagens de conteúdo emocional neutro, e avaliação de arousal das imagens de conteúdo emocional positivo (i.e., avaliação de arousal e valência), o que vai ao encontro da literatura em geral. Verificam-se associações significativas entre as escalas de psicopatologia, personalidade e psicopatia em ambos os grupos, o que sugere a existência de variáveis moderadoras no processamento emocional em ambos os grupos, contudo de forma diferenciada. Recomendase para futuros estudos, o controlo da tipologia de crime. O tratamento dos indivíduos condenados por homicídio é fundamental para a reabilitação e sua reinserção futura na sociedade.
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O presente estudo teve, portanto, como objetivo principal estudar os sintomas psicopatológicos, a personalidade e processamento emocional face a diferentes tipos de estímulos com significado emocional dos indivíduos condenados por homicídio em comparação com um grupo recrutado na comunidade, sem história criminal. A investigação foi realizada com 30 homens reclusos condenados por homicídio, com autorização da Direção Geral de Reinserção e Serviços Prisionais e com 30 homens recrutados na comunidade como grupo de controlo emparelhado por faixa etária, nível de escolaridade e grupo profissional, sem história criminal. Foram utilizados instrumentos de “papel e lápis” (e.g., Millon III) para aferir a sintomatologia, as características de personalidade e os índices de psicopatia, e por fim as tarefas comportamentais de processamento emocional (e.g., Go/No-Go). Os indivíduos condenados por homicídio apresentaram pontuações significativamente mais elevadas na escala Compulsiva e de Stresse Pós-Traumático, em comparação com o grupo de controlo. A nível de características da personalidade, salienta-se no grupo de reclusos, a faceta da Impulsividade, do domínio do Neuroticismo. O grupo de reclusos apresentou indícios de psicopatia, já o grupo de controlo apresenta ausência de psicopatia, pelo que a psicopatia parece ser o elemento que diferencia ambas as amostras. Em termos de processamento emocional, os indivíduos condenados por homícidio apresentam diferenças significativas em comparação com o grupo de controlo a nível dos tempos de reação no reconhecimento do medo (i.e., Ekman60Faces), falsos alarmes da deteção da tristeza e nº omissões na deteção da alegria (i.e., Go/No-Go), e tempos de reação no reconhecimento da surpresa (i.e., Ekman60Faces), a nível da avaliação da valência das imagens de conteúdo emocional neutro, e avaliação de arousal das imagens de conteúdo emocional positivo (i.e., avaliação de arousal e valência), o que vai ao encontro da literatura em geral. Verificam-se associações significativas entre as escalas de psicopatologia, personalidade e psicopatia em ambos os grupos, o que sugere a existência de variáveis moderadoras no processamento emocional em ambos os grupos, contudo de forma diferenciada. Recomendase para futuros estudos, o controlo da tipologia de crime. O tratamento dos indivíduos condenados por homicídio é fundamental para a reabilitação e sua reinserção futura na sociedade.The literature points to the existence of emotional processing deficits in violent offenders, mainly at the level of the emotions of fear, sadness and surprise. Studies vary according to the applied methodologies and the characteristics of the samples. Psychopathology and prisio context characteristics become essential variables to be considered when carrying out an emotional processing study. The literature suggests that mental disorders, namely personality disorders, and specifically psychopathy, are associated with emotional processing deficits. The main objetive of the present study was to investigate psychopathologic symptoms, personality and emotional processing of various types of emotional stimuli in individuals convicted of homicide, in comparison with a group recruited from the community, with no criminal history. The investigation was carried out with 30 male inmates convicted of homicide, with authorization from General Directorate of Reinsertion and Prision Services, and with 30 male individuals recruited in the community as a control group matched by age, schooling level and professional group. ‘Paper and pencil’ instruments (e.g., Milon-III) were used to measure symptomatology, personality traits and psychopathy indexes, as well as behavioral tasks of emotional processing (e.g., Go/No-Go). Individuals convicted of homicide had significantly higher scores on the Compulsive and Post Traumatic Stress scales compared to the control group. Concerning to personality characteristics, in the Neuroticism domain, Impulsivity facet, is higher in the group of inmates. The group of inmates presented evidence of psychopathy, which is absent in the control group, so psychopathy seems to be a distinctive characteristic between both samples.Regarding emotional processing, individuals convicted of homicide presented significant differences compared to the control group in the reaction times for fear recognition (i.e., Ekman60Faces), false alarms for sadness detection and number of omissons in happiness detection (i.e., Go/No-Go), and reaction times in surprise recognition (i.e., Ekman60Faces), and at the level of neutral valence evaluation and positive arousal evaluation,which is generally in line with previous studies. There are significant associations between the psychopathology, personality and psychopathy in both groups, which suggests the existence of moderating variables in the emotional processing in both groups, but different. It is recommended for future studies the control of the typology of crime. The treatment of individuals convicted by homicide is essential for the rehabilitation and their future reintegration in society.Universidade de Aveiro2018-02-14T11:40:20Z2017-01-01T00:00:00Z2017doctoral thesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/10773/22158TID:101319240porPires, Maria Dulce Marquesinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)instname:FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiainstacron:RCAAP2024-05-06T04:12:37Zoai:ria.ua.pt:10773/22158Portal AgregadorONGhttps://www.rcaap.pt/oai/openaireinfo@rcaap.ptopendoar:https://opendoar.ac.uk/repository/71602025-05-28T14:00:43.716726Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) - FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiafalse
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