PerformAction em Dimensions of Singularity II: post-performance enquanto criação
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| Publication Date: | 2023 |
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| Language: | por |
| Source: | Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) |
| Download full: | http://hdl.handle.net/10773/40546 |
Summary: | A relação entre computação e a arte musical tem conduzido a um estado de articulação permanente, potenciando o desenvolvimento criativo e performativo. Desde o final do século XX, é evidente a proliferação de uma multiplicidade de géneros e expressões musicais de acordo com dois princípios: a integração da tradição e dos meios tecnológicos; a ruptura de todos os contextos que não podem ser vistos como directamente derivados da tecnologia digital. Isto significa que a trajectória a partir do processo de criação baseia-se na compreensão e adaptação das realidades técnicas ao mesmo tempo que estabelece uma consciência das potencialidades tecnológicas, como meio de atingir e estabelecer determinado resultado artístico. Enquanto estudo de caso, em Dimensions of Singularity II para Saxofone Alto e Eletrónica, a origem de todos os sons é proveniente do instrumento acústico, sendo estes posteriormente processados, para além das possibilidades organológicas do instrumento acústico, através do recurso à eletrónica, amplificando assim as suas referências. A relação tímbrica entre instrumento acústico e eletrónica assume um caracter formal e estrutural no discurso de cada peça, sendo o tratamento do som objeto de permanente variação, numa perspetiva de organização e diálogo entre diferentes dimensões da produção do som, desafiando a ideia de limite da psicoacústica. Cada um dos instrumentos, acústico e eletrónico, tem intervenções de destaque, colocando o instrumento acústico numa dimensão a solo e a eletrónica numa dimensão orquestral. Som, silêncio, impulso, energia e ruído, abraçam-se num processo unitário, o qual agrupa as duas fontes sonoras, acústica e eletroacústica, num único instrumento, não obstante a sua diferente dimensão. A desconstrução de obras musicais nos seus elementos primordiais revela-as como acumulações complexas de singularidades, como amálgamas multi-camadas de 'coisas' (Brown 2001), revelando possibilidades abertas de infinitas novas montagens. Seguindo este pressuposto é aplicada uma noção de forma, não como um conjunto de moldes, mas como um princípio orgânico em que as identidades sonoras podem projectar morfologias estruturais fundamentais, que incluem: representação, materiais, comportamento de audição, comportamento dos materiais, ordenação, espaço, elementos performativos, intenção e recepção. A tecnologia está a avançar mais rapidamente do que as práticas musicais, estando-se a reter de modo superficial as técnicas aplicadas na composição e performance musical, técnicas cuja materialidade será rapidamente substituída por novas, mas cujas estruturas incorporadas continuam e tornam-se novamente implementadas em objectos técnicos posteriores, como uma reciclagem de competências. Compreender como o conceito de PerformAction traça a sua definição, design e funcionalidade à prática musical vigente, contribuiu para a compreensão, das epístolas conceptuais e dos paradigmas performativos, do mesmo modo como a performance está a transformar a criação. |
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