Júlio Dinis, apologista da Kunstreligion : influência de uma corrente de pensamento europeu no percurso literário dinisiano
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| Publication Date: | 2016 |
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| Source: | Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) |
| Download full: | http://hdl.handle.net/10400.2/5717 |
Summary: | O principal objetivo desta tese consiste na análise da possível influência de uma corrente de pensamento europeu no percurso literário dinisiano. Considera-se que esse percurso inicia em 1861, quando Joaquim Guilherme Gomes Coelho – usando pela primeira vez o pseudónimo de Júlio Dinis – publica três poemas num «periódico de poesias inéditas», A Grinalda, e termina nos primeiros dias de setembro de 1871, com a revisão do manuscrito da sua última Crónica da Aldeia, Os Fidalgos da Casa Mourisca. A corrente de pensamento acima referida constituiu-se como um paradigma filosófico da modernidade, de influência hegeliana, e é comummente designada por Kunstreligion (religião da arte), por ter conhecido o seu centro teórico na Alemanha, embora, a partir de 1850, se tenha expandido por outros países europeus, onde a sua receção se efetuou, pri-meiramente, de forma pontual, por parte de alguns artistas – entre eles o nosso Júlio Dinis, mas também Antero de Quental – que começaram então a exaltar a arte como religião, da qual o artista, assumindo funções ministeriais, se apresenta como sacerdote. A missão a cumprir seria a de educar e civilizar o povo europeu, num tempo em que as sociedades da Europa ocidental experienciam um acelerado processo de secularização. Desta forma, na segunda metade do século XIX, o conceito de Kunstreligion radicaliza-se, começando a exprimir uma relação de concorrência, no espaço público, entre a arte e a religião oficial – no caso português, entre a arte e o catolicismo. Essa concorrência expressa-se, sobretudo, através da atitude dos artistas, que, com a sua prática artística, intervêm criticamente na sociedade, com o intento de ajudar a (re)construí-la, veiculando os valores inerentes à ideo-logia que defendem – e a Kunstreligion difunde enquanto corrente estético-filosófica. |
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Júlio Dinis, apologista da Kunstreligion : influência de uma corrente de pensamento europeu no percurso literário dinisianoJúlio Dinis, pseud.Literatura portuguesaQuestão CoimbrãCultura portuguesaKunstreligion (Art Religion)CivilizationSecularizationCoimbra questionO principal objetivo desta tese consiste na análise da possível influência de uma corrente de pensamento europeu no percurso literário dinisiano. Considera-se que esse percurso inicia em 1861, quando Joaquim Guilherme Gomes Coelho – usando pela primeira vez o pseudónimo de Júlio Dinis – publica três poemas num «periódico de poesias inéditas», A Grinalda, e termina nos primeiros dias de setembro de 1871, com a revisão do manuscrito da sua última Crónica da Aldeia, Os Fidalgos da Casa Mourisca. A corrente de pensamento acima referida constituiu-se como um paradigma filosófico da modernidade, de influência hegeliana, e é comummente designada por Kunstreligion (religião da arte), por ter conhecido o seu centro teórico na Alemanha, embora, a partir de 1850, se tenha expandido por outros países europeus, onde a sua receção se efetuou, pri-meiramente, de forma pontual, por parte de alguns artistas – entre eles o nosso Júlio Dinis, mas também Antero de Quental – que começaram então a exaltar a arte como religião, da qual o artista, assumindo funções ministeriais, se apresenta como sacerdote. A missão a cumprir seria a de educar e civilizar o povo europeu, num tempo em que as sociedades da Europa ocidental experienciam um acelerado processo de secularização. Desta forma, na segunda metade do século XIX, o conceito de Kunstreligion radicaliza-se, começando a exprimir uma relação de concorrência, no espaço público, entre a arte e a religião oficial – no caso português, entre a arte e o catolicismo. Essa concorrência expressa-se, sobretudo, através da atitude dos artistas, que, com a sua prática artística, intervêm criticamente na sociedade, com o intento de ajudar a (re)construí-la, veiculando os valores inerentes à ideo-logia que defendem – e a Kunstreligion difunde enquanto corrente estético-filosófica.Repositório AbertoGrieben, Fernanda Alves Afonso2016-11-14T10:30:14Z2016-09-292016-11-142016-09-29T00:00:00Zdoctoral thesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/10400.2/5717urn:tid:101429789porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)instname:FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiainstacron:RCAAP2025-02-26T10:00:04Zoai:repositorioaberto.uab.pt:10400.2/5717Portal AgregadorONGhttps://www.rcaap.pt/oai/openaireinfo@rcaap.ptopendoar:https://opendoar.ac.uk/repository/71602025-05-28T21:15:00.210009Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) - FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiafalse |
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O principal objetivo desta tese consiste na análise da possível influência de uma corrente de pensamento europeu no percurso literário dinisiano. Considera-se que esse percurso inicia em 1861, quando Joaquim Guilherme Gomes Coelho – usando pela primeira vez o pseudónimo de Júlio Dinis – publica três poemas num «periódico de poesias inéditas», A Grinalda, e termina nos primeiros dias de setembro de 1871, com a revisão do manuscrito da sua última Crónica da Aldeia, Os Fidalgos da Casa Mourisca. A corrente de pensamento acima referida constituiu-se como um paradigma filosófico da modernidade, de influência hegeliana, e é comummente designada por Kunstreligion (religião da arte), por ter conhecido o seu centro teórico na Alemanha, embora, a partir de 1850, se tenha expandido por outros países europeus, onde a sua receção se efetuou, pri-meiramente, de forma pontual, por parte de alguns artistas – entre eles o nosso Júlio Dinis, mas também Antero de Quental – que começaram então a exaltar a arte como religião, da qual o artista, assumindo funções ministeriais, se apresenta como sacerdote. A missão a cumprir seria a de educar e civilizar o povo europeu, num tempo em que as sociedades da Europa ocidental experienciam um acelerado processo de secularização. Desta forma, na segunda metade do século XIX, o conceito de Kunstreligion radicaliza-se, começando a exprimir uma relação de concorrência, no espaço público, entre a arte e a religião oficial – no caso português, entre a arte e o catolicismo. Essa concorrência expressa-se, sobretudo, através da atitude dos artistas, que, com a sua prática artística, intervêm criticamente na sociedade, com o intento de ajudar a (re)construí-la, veiculando os valores inerentes à ideo-logia que defendem – e a Kunstreligion difunde enquanto corrente estético-filosófica. |
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