Fatores associados a expansão do Hematoma Intracerebral após Acidente Vascular Hemorrágico

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Silva, Pedro Gonçalo de André e Alves
Data de Publicação: 2016
Tipo de documento: Dissertação
Idioma: por
Título da fonte: Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10400.6/5369
Resumo: Introdução: A Hemorragia Intracerebral corresponde a até 15% de todos os Acidentes Vasculares Cerebraiss, e apresenta elevada mortalidade. A expansão do volume hemorrágico após a primeira Tomografia Computorizada ocorre em até 32% dos pacientes e está associada a pior prognóstico de sobrevivência e independência. Até à data estudos de intervenções para diminuir a ocorrência desta complicação não têm produzido benefícios clínicos, apesar de diminuirem efetivamente a expansão. A ausência de critérios estabelecidos para identificar subgrupos em maior risco de expansão do hematoma e como tal maior probabilidade de resposta clínica às intervenções pode explicar estes resultados. O objetivo deste estudo é a identificação de fatores de risco clinicamente acessíveis para expansão do hematoma que permitamidentificar doentes com maiores probabilidades de benefício com tratamento. Métodos: Recolheram-se no estudo todos os doentes com diagnóstico de “Hemorragia Intracerebral” que estiveram internados na Unidade de Acidente Vascular Cerebral do Centro Hospitalar Cova da Beira entre 1 de Janeiro de 2013 e 31 de Dezembro de 2014. Excluiram-se pacientes com hemorragia subdural ou subaracnoidea pura, hemorragia secundária a evento isquémico, e hemorragia secundária a neoplasia. Da população inserida no estudo foram recolhidas variáveis imagiológicas, clínicas e analíticas e avaliadas para associação com ocorrência de expansão de hematoma. Resultados: Dos 43 casos em que foi possível o seguimento do volume hemorrágico, ocorreu expansão em 41,9% (18 casos). O grupo com expansão do hematoma apresentou valores medianos superiores de pressão arterial diastólica (84,0 contra 78,0 mmHg; p=0,033), aspartato aminotransferase (33,0 contra 24,0 U/L; p=0,010), lactato desidrogenase (480,5 contra 368,0 U/L; p=0,002), volume inicial de hematoma (21,04 contra 8,18 mL; p=0,013), volume inicial de edema vasogénico (15,25 contra 5,26 mL; p=0,005) e desvio da linha mediana (5,72 contra 2,72 mm; p=0,000). A ocorrência de expansão foi mais frequente em pacientes com desenvolvimento de infeção (44,4% contra 12,0%; p=0,031) e hidrocefalia (33,3% contra 0%; p=0,003) ao longo do internamento, e falecimento (38,9% contra 8,0%; p=0,023). Em modelo de regressão logística, foram preditores de expansão o desvio da linha mediana(odds ratio: 5,181 com p=0,05) e os valores de aspartato aminotransferase (odds ratio: 1,087 com p=0,023). Discussão: O volume inicial de hematoma, volume inicial de edema vasogénico, desvio da linha mediana, aspartato aminotransferase e lactato desidrogenase estão associados a maior risco de expansão hemorrágica. O desvio da linha mediana e a aspartato aminotransferase permitiam prever com precisão a ocorrência de expansão, mas a sua utilidade necessita de validação prospetiva.
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O objetivo deste estudo é a identificação de fatores de risco clinicamente acessíveis para expansão do hematoma que permitamidentificar doentes com maiores probabilidades de benefício com tratamento. Métodos: Recolheram-se no estudo todos os doentes com diagnóstico de “Hemorragia Intracerebral” que estiveram internados na Unidade de Acidente Vascular Cerebral do Centro Hospitalar Cova da Beira entre 1 de Janeiro de 2013 e 31 de Dezembro de 2014. Excluiram-se pacientes com hemorragia subdural ou subaracnoidea pura, hemorragia secundária a evento isquémico, e hemorragia secundária a neoplasia. Da população inserida no estudo foram recolhidas variáveis imagiológicas, clínicas e analíticas e avaliadas para associação com ocorrência de expansão de hematoma. Resultados: Dos 43 casos em que foi possível o seguimento do volume hemorrágico, ocorreu expansão em 41,9% (18 casos). O grupo com expansão do hematoma apresentou valores medianos superiores de pressão arterial diastólica (84,0 contra 78,0 mmHg; p=0,033), aspartato aminotransferase (33,0 contra 24,0 U/L; p=0,010), lactato desidrogenase (480,5 contra 368,0 U/L; p=0,002), volume inicial de hematoma (21,04 contra 8,18 mL; p=0,013), volume inicial de edema vasogénico (15,25 contra 5,26 mL; p=0,005) e desvio da linha mediana (5,72 contra 2,72 mm; p=0,000). A ocorrência de expansão foi mais frequente em pacientes com desenvolvimento de infeção (44,4% contra 12,0%; p=0,031) e hidrocefalia (33,3% contra 0%; p=0,003) ao longo do internamento, e falecimento (38,9% contra 8,0%; p=0,023). Em modelo de regressão logística, foram preditores de expansão o desvio da linha mediana(odds ratio: 5,181 com p=0,05) e os valores de aspartato aminotransferase (odds ratio: 1,087 com p=0,023). Discussão: O volume inicial de hematoma, volume inicial de edema vasogénico, desvio da linha mediana, aspartato aminotransferase e lactato desidrogenase estão associados a maior risco de expansão hemorrágica. O desvio da linha mediana e a aspartato aminotransferase permitiam prever com precisão a ocorrência de expansão, mas a sua utilidade necessita de validação prospetiva.Introduction: Intracerebral hemorrhage comprises up to 15% of all strokes, and has high mortality. Expansion of hemorrhagic volume after the first computer tomography occurs in up to 32% of patients and is associated with worse survival and independency outcomes. So far, studies of interventions designed to avoid this complication have failed to produce clinical benefit, despite effective decrease of expansion. The absence of established criteria that identify subgroups at greater risk of hematoma expansion and as such higher chances of clinical response to interventions might explain these results. The goal of this study is to identify clinically accessible risk factors for hematoma expansion that will allow identification of patients with greater probability of benefitting from treatment directed at controlling hemorrhage. Methods: Data was retrieved from every patient admitted to the Stroke Care Unit at the Centro Hospitalar Cova da Beira with the diagnosis of Intracerebral Hemorrhage from January 1, 2013 to December 31, 2014. Patients with pure subdural or subarachnoid hemorrhage, hemorrhage secondary to an ischemic event and hemorrhage secondary to neoplasia were excluded from the study. Radiological, clinical and analytical variables were collected for the study population, and evaluated for association with development of hematoma expansion. Results: Of the 43 cases in which fit was possible to track the evolution of hematoma volumes, expansion was present in 41.9% (18 cases). The group with hematoma expansion had higher median values of diastolic arterial pressure (84.0 versus 78.0 mmHg; p=0.033), aspartate aminotransferase (33.0 versus 24.0 U/L; p=0.010), lactate dehydrogenase (480.5 versus 368.0 U/L; p=0.002), initial hematoma volume (21.04 against 8.18 mL; p=0.013), initial perihematomal edema volume (15.25 versus 5.26 mL; p=0.005) and median line deviation (5.72 versus 2.72 mm; p=0.000). Occurrence of expansion was more frequent in patients that developed infections (44.4% versus 12.0%; p=0.031) e hydrocephalus (33.3% versus 0.0%; p=0.003) during the course of hospital stay, and death (38.9% versus 8.0%; p=0.023). In a logistic regression model, the following two factors were predictive of expansion: median line deviation (odds ratio: 5.181 com p=0.05) and aspartate aminotransferase (odds ratio: 1.087 com p=0.023). Discussion: The initial hematoma volume, the initial perihematomal edema volume, median line deviation, aspartate aminotransferase and lactate dehydrogenase are associated with increased risk of hemorrhagic expansion. Deviation of the median line and aspartate aminotransferase levels were capable of accurately predicting hematoma expansion, but their usefulness requires validation in a prospective study.Alvarez Pérez, Francisco JoséuBibliorumSilva, Pedro Gonçalo de André e Alves2018-07-23T15:21:02Z2016-5-162016-06-282016-06-28T00:00:00Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/10400.6/5369urn:tid:201774321porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)instname:FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiainstacron:RCAAP2025-03-11T14:53:01Zoai:ubibliorum.ubi.pt:10400.6/5369Portal AgregadorONGhttps://www.rcaap.pt/oai/openaireinfo@rcaap.ptopendoar:https://opendoar.ac.uk/repository/71602025-05-29T01:21:42.223Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) - FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiafalse
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