Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento Industrial no Portugal Oitocentista (O caso dos Lanifícios do Alentejo)

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Barata, Ana Maria dos Santos Cardoso de Matos Temudo
Data de Publicação: 1997
Idioma: por
Título da fonte: Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10174/11034
Resumo: "Sem resumo feito pelo autor"; - Os historiadores da economia têm-se preocupado em analisar as razões do atraso económico português. Tomam normalmente esse atraso como decorrente de uma multiplicidade de factores: o carácter arcaico da economia portuguesa, em que até muito tarde o predomínio de uma agricultura tradicional continuou a ser a nota dominante; a dependência face aos outros países; a desorganização da política que marcou a primeira metade do século XIX; e as políticas económicas seguidas pelos governos oitocentistas. Como referiu Peter Mathias em 1972, os historiadores económicos quando se interessam pela história da ciência fazem-no "for his own utilitarism prurposes", ou seja preocupam-se em saber em que medida a ciência teve influência na mudança dos processos tecnológicos e, mais especificamente, até que ponto a Revolução Industrial Inglesa esteve associada ao desenvolvimento científico 1. Na maior parte dos estudos realizados sobre o caso português o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e as possibilidades de transmitir e aplicar novas técnicas são, em geral, remetidas para plano secundário 2. Ao analisar as ligações entre a ciência e o desenvolvimento da tecnologia as posições dos historiadores não têm sido unâmimes. Se alguns consideram, pelo menos até meados do século XIX, pouco significativas as ligações entre ciência, tecnologia e desenvolvimento económicos, outros consideram mais estreitas essas ligações. Peter Mathias, "Who unbound Prometheus?. Science and tecnhical change 1600-1800", in Peter Mathias (ed), Science and Society. 1600-1900, Cambridge, 1972, p. 54. 2 Refira-se, no entanto, que nos últimos anos têm surgido importantes trabalhos em que estas questões são abordadas, como é caso do trabalho de Jorge Pedreira, Estrutura industrial e mercado colonial. Portugal e o Brasil (1780-1830), Lisboa, Ed. Difel, 1994. 3 Vejam-se os casos de A. R. Hall. The Historical Relations of Science and Tecnhology, Londres, 1962; David Landes, The Unbound Promotheus. Technological Change and Industrial Development. Os estudos mais recentes quer de historiadores económicos, quer de historiadores da ciência e da tecnologia têm feito intervir um número maior de variantes nas relações entre ciência/tecnologia e desenvolvimento económico. A análise deixou de considerar apenas as influências mais ou menos directas entre uma e outra para passar a privilegiar aspectos como a atitude científicas, a existência de sociedades vocacionadas para a produção de uma ciência aplicada e nas quais conviviam homens com formações e interesses diversos, a difusão da ciência, a criação de um ambiente intelectual mais predisposto para a aplicação de novos conhecimentos, as ligações entre os homens de indústria e os cientistas ou o papel desempenhado pelos homens de ciência no desenvolvimento económico dos países. Por outro, lado os estudos realizados em torno da evolução tecnológica têm in Westem Europe froco 1750 to the Present, Cambridge, 1969; John D. Bemal, Science in history Veja-se T.S. Asthon, A Revolução Industrial, Lisboa, Publicações Europa América, 1977 , A. E. Musson e E. Robinson "Science and Industry in the late 18th Century", Economic History Review, XIII (1910), A. E. Musson e E. Robinson, Science and tecnology in the Industrial Revolution, Manchester, 1957, Maurice Daumas, "The History of Technology: its Aims, its Limits, its Methods", in A. Rupert Hall and Norman Smith (ed.), History of Tecnhology, London, 1976, pp. 851112. Veja-se, por exemplo, a obra J. Sanmartín, S.H. cutcliffe, S.L. Goldman, M. Medira (ed.), Estudios sobre sociedad y tecnologia, Barcelona, Ed. Anthropos, 1992. "scientific altitudes were much more widespread than scientific knowiedge. Attitutes of challenging traditional authority, deciding lines; of development by observation, testing, exprimentation and adopting - indeed, actively stimulating the development of -scientif devices such as the thermometer and hydrometer, wich enable industrialist to reduce their empírica/ pratices to role wherever possible, were certainly being strengthened". Peter Mathias, "Who unbound Prometheus?. Science and tecnhical change 1600-1800", ob. cit., p. 79. Peter Mathias, "Who unbound Prometheus?. Science and tecnhical change 1600-1800", ob. cit., p.80. Sobre o assunto veja-se, também, Bemadette Bensaude-Vincent e Isabelle Stengers, Histoire de La chimie, Paris, ed. La Decouverte, 1993, pp. 1213 e Antonio Lafuente y Juan J. Saldara, (coord.), Historia de Las Ciências, Madrid, C.S. I.C., 1987. Demonstrado a necessidade de os articular com a evolução das técnicas de organização social. Na primeira parte deste trabalho pretendemos analisar até que ponto Portugal estava desfasado em termos científicos e tecnológicos daquilo que era feito nos outros países da Europa, procurando analisar as possibilidades de circulação e transmissão desses conhecimentos e a aproximação que, ao longo do período em análise, se verificou entre o mundo científico e a actividade económica e política. Análise que passa necessáriamente pela acção das instituições públicas e privadas como as academias, as sociedades e as associações, e das estruturas administrativas como a Junta do Comércio ou o Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, e pelo papel desempenhado pelas principais individualidades ligadas a essas instituições. No início do primeiro capítulo procuramos fazer uma aproximação à importância que a ciência e tecnologia, enquanto promotoras e incentivadoras do desenvolvimento industrial, tiveram no discurso dos homens e das instituições públicas e privadas de finais do século XVIII e do séc. XIX. Esta análise ainda que não seja exaustiva permite-nos perceber a forma como a sociedade, ou pelo menos alguns dos representantes da élite científica, económica e política do país, se posicionaram face a estas questões. A química foi uma das ciências que durante o período da nossa análise foi objecto de um importante esforço de sistematização e definição dos seus objectos e métodos de análise. Por essa razão e porque foi uma das ciências cujos avanços mais condicionaram o desenvolvimento industrial - sobretudo a nível de sectores como os lanifícios que são o objecto de análise da segunda parte deste trabalho -, O estudo da difusão da arma de fogo portátil na Europa realçou a necessidade de estudar em conjunto a evolução da "técnica instrumental" e das técnicas de organização social. Luis Pablo Martínez Sanmartín, "Historia de Ia Técnica. Quê es? En quê contribuye a clarificar Ias relaciones entre tecnologia y sociedad? Cuáles son sus Imitaciones? Hay alternativas?", Estudios sobre sociedad y tecnología, ob. cit., p.28. incluímos um ponto sobre as ligações entre a química e a indústria. Como referia em 1814 o Investigador Português em Inglaterra, "Entre as Ciências, que têm atraído a maior atenção dos sábios, a Química é sem dúvida a principal. E não é sem razão que ela é cultivada com tanta parcialidade, quando consideramos que nenhuma outra ciência compreende um tão vasto número de objectos; que ela é a primeira coluna das mais úteis e necessárias artes; e que sem as suas luzes nunca haveríamos obtido os ricos e inestimáveis frutos que tão eficazmente tem cooperado para o nosso engrandecimento tanto moral, como físico". O séc. XIX aliou a ideia de progresso à componente tecnológica e a máquina passou a ser o símbolo do progresso10. A apologia das vantagens da mecanização das actividades económicas foi um discurso que percorreu todo o século XIX, ainda que paralelamente alguns autores colocassem reticências a essa mecanização e outros relembrassem as desvantagens sociais da mesma. As possibilidades de idealizar, realizar ou aplicar novas máquinas e adaptar ou potencializar as já conhecidas, estavam directamente condicionadas pelo desenvolvimento que a física e, posteriomente, a engenharia mecânica tiveram no país. Daí procurarmos fazer uma aproximação a esta questão no segundo ponto deste capítulo. O aproveitamento dos recursos energéticos e a aplicação da máquina a vapor foram temas centrais nos textos oitocentistas que se debruçaram sobre as ligações entre a ciência, a tecnologia e o desenvolvimento económico do país e, por isso, se procurará analisar alguns dos textos mais relevantes produzidos sobre o assunto . A divulgação científica foi a forma como a ciência e a tecnologia passaram da esfera de um mundo restrito para o conjunto da sociedade, influindo na cultura e mentalidade das populações e criando deste modo as possibilidades de uma maior 9 Investigador Português em Inglaterra, vol X, n° XXXIX, Setembro de 1814, p.541. 10 Sobre o assunto veja-se Cecília Barreira, Contributos para uma visão do conceito de progresso técnico nos modelos de desnvolvimento económico-sociais (meados de oitocentos), dissertação de mestrado, Lisboa, 1985, pp. 8, 61 e 73, e Paula Diogo, A construção de uma identidade profissional. A Associação dos Engenheiros Civis Portugueses. 1869-1937, dissertação de doutoramento, Lisboa, 1994, p.37.
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Como referiu Peter Mathias em 1972, os historiadores económicos quando se interessam pela história da ciência fazem-no "for his own utilitarism prurposes", ou seja preocupam-se em saber em que medida a ciência teve influência na mudança dos processos tecnológicos e, mais especificamente, até que ponto a Revolução Industrial Inglesa esteve associada ao desenvolvimento científico 1. Na maior parte dos estudos realizados sobre o caso português o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e as possibilidades de transmitir e aplicar novas técnicas são, em geral, remetidas para plano secundário 2. Ao analisar as ligações entre a ciência e o desenvolvimento da tecnologia as posições dos historiadores não têm sido unâmimes. Se alguns consideram, pelo menos até meados do século XIX, pouco significativas as ligações entre ciência, tecnologia e desenvolvimento económicos, outros consideram mais estreitas essas ligações. Peter Mathias, "Who unbound Prometheus?. 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Science and tecnhical change 1600-1800", ob. cit., p.80. Sobre o assunto veja-se, também, Bemadette Bensaude-Vincent e Isabelle Stengers, Histoire de La chimie, Paris, ed. La Decouverte, 1993, pp. 1213 e Antonio Lafuente y Juan J. Saldara, (coord.), Historia de Las Ciências, Madrid, C.S. I.C., 1987. Demonstrado a necessidade de os articular com a evolução das técnicas de organização social. Na primeira parte deste trabalho pretendemos analisar até que ponto Portugal estava desfasado em termos científicos e tecnológicos daquilo que era feito nos outros países da Europa, procurando analisar as possibilidades de circulação e transmissão desses conhecimentos e a aproximação que, ao longo do período em análise, se verificou entre o mundo científico e a actividade económica e política. 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A divulgação científica foi a forma como a ciência e a tecnologia passaram da esfera de um mundo restrito para o conjunto da sociedade, influindo na cultura e mentalidade das populações e criando deste modo as possibilidades de uma maior 9 Investigador Português em Inglaterra, vol X, n° XXXIX, Setembro de 1814, p.541. 10 Sobre o assunto veja-se Cecília Barreira, Contributos para uma visão do conceito de progresso técnico nos modelos de desnvolvimento económico-sociais (meados de oitocentos), dissertação de mestrado, Lisboa, 1985, pp. 8, 61 e 73, e Paula Diogo, A construção de uma identidade profissional. 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Na maior parte dos estudos realizados sobre o caso português o desenvolvimento da ciência e da tecnologia e as possibilidades de transmitir e aplicar novas técnicas são, em geral, remetidas para plano secundário 2. Ao analisar as ligações entre a ciência e o desenvolvimento da tecnologia as posições dos historiadores não têm sido unâmimes. Se alguns consideram, pelo menos até meados do século XIX, pouco significativas as ligações entre ciência, tecnologia e desenvolvimento económicos, outros consideram mais estreitas essas ligações. Peter Mathias, "Who unbound Prometheus?. Science and tecnhical change 1600-1800", in Peter Mathias (ed), Science and Society. 1600-1900, Cambridge, 1972, p. 54. 2 Refira-se, no entanto, que nos últimos anos têm surgido importantes trabalhos em que estas questões são abordadas, como é caso do trabalho de Jorge Pedreira, Estrutura industrial e mercado colonial. Portugal e o Brasil (1780-1830), Lisboa, Ed. Difel, 1994. 3 Vejam-se os casos de A. R. Hall. The Historical Relations of Science and Tecnhology, Londres, 1962; David Landes, The Unbound Promotheus. Technological Change and Industrial Development. Os estudos mais recentes quer de historiadores económicos, quer de historiadores da ciência e da tecnologia têm feito intervir um número maior de variantes nas relações entre ciência/tecnologia e desenvolvimento económico. A análise deixou de considerar apenas as influências mais ou menos directas entre uma e outra para passar a privilegiar aspectos como a atitude científicas, a existência de sociedades vocacionadas para a produção de uma ciência aplicada e nas quais conviviam homens com formações e interesses diversos, a difusão da ciência, a criação de um ambiente intelectual mais predisposto para a aplicação de novos conhecimentos, as ligações entre os homens de indústria e os cientistas ou o papel desempenhado pelos homens de ciência no desenvolvimento económico dos países. Por outro, lado os estudos realizados em torno da evolução tecnológica têm in Westem Europe froco 1750 to the Present, Cambridge, 1969; John D. Bemal, Science in history Veja-se T.S. Asthon, A Revolução Industrial, Lisboa, Publicações Europa América, 1977 , A. E. Musson e E. Robinson "Science and Industry in the late 18th Century", Economic History Review, XIII (1910), A. E. Musson e E. Robinson, Science and tecnology in the Industrial Revolution, Manchester, 1957, Maurice Daumas, "The History of Technology: its Aims, its Limits, its Methods", in A. Rupert Hall and Norman Smith (ed.), History of Tecnhology, London, 1976, pp. 851112. Veja-se, por exemplo, a obra J. Sanmartín, S.H. cutcliffe, S.L. Goldman, M. Medira (ed.), Estudios sobre sociedad y tecnologia, Barcelona, Ed. Anthropos, 1992. "scientific altitudes were much more widespread than scientific knowiedge. Attitutes of challenging traditional authority, deciding lines; of development by observation, testing, exprimentation and adopting - indeed, actively stimulating the development of -scientif devices such as the thermometer and hydrometer, wich enable industrialist to reduce their empírica/ pratices to role wherever possible, were certainly being strengthened". Peter Mathias, "Who unbound Prometheus?. Science and tecnhical change 1600-1800", ob. cit., p. 79. Peter Mathias, "Who unbound Prometheus?. Science and tecnhical change 1600-1800", ob. cit., p.80. Sobre o assunto veja-se, também, Bemadette Bensaude-Vincent e Isabelle Stengers, Histoire de La chimie, Paris, ed. La Decouverte, 1993, pp. 1213 e Antonio Lafuente y Juan J. Saldara, (coord.), Historia de Las Ciências, Madrid, C.S. I.C., 1987. Demonstrado a necessidade de os articular com a evolução das técnicas de organização social. Na primeira parte deste trabalho pretendemos analisar até que ponto Portugal estava desfasado em termos científicos e tecnológicos daquilo que era feito nos outros países da Europa, procurando analisar as possibilidades de circulação e transmissão desses conhecimentos e a aproximação que, ao longo do período em análise, se verificou entre o mundo científico e a actividade económica e política. Análise que passa necessáriamente pela acção das instituições públicas e privadas como as academias, as sociedades e as associações, e das estruturas administrativas como a Junta do Comércio ou o Ministério das Obras Públicas, Comércio e Indústria, e pelo papel desempenhado pelas principais individualidades ligadas a essas instituições. No início do primeiro capítulo procuramos fazer uma aproximação à importância que a ciência e tecnologia, enquanto promotoras e incentivadoras do desenvolvimento industrial, tiveram no discurso dos homens e das instituições públicas e privadas de finais do século XVIII e do séc. XIX. Esta análise ainda que não seja exaustiva permite-nos perceber a forma como a sociedade, ou pelo menos alguns dos representantes da élite científica, económica e política do país, se posicionaram face a estas questões. A química foi uma das ciências que durante o período da nossa análise foi objecto de um importante esforço de sistematização e definição dos seus objectos e métodos de análise. Por essa razão e porque foi uma das ciências cujos avanços mais condicionaram o desenvolvimento industrial - sobretudo a nível de sectores como os lanifícios que são o objecto de análise da segunda parte deste trabalho -, O estudo da difusão da arma de fogo portátil na Europa realçou a necessidade de estudar em conjunto a evolução da "técnica instrumental" e das técnicas de organização social. Luis Pablo Martínez Sanmartín, "Historia de Ia Técnica. Quê es? En quê contribuye a clarificar Ias relaciones entre tecnologia y sociedad? Cuáles son sus Imitaciones? Hay alternativas?", Estudios sobre sociedad y tecnología, ob. cit., p.28. incluímos um ponto sobre as ligações entre a química e a indústria. Como referia em 1814 o Investigador Português em Inglaterra, "Entre as Ciências, que têm atraído a maior atenção dos sábios, a Química é sem dúvida a principal. E não é sem razão que ela é cultivada com tanta parcialidade, quando consideramos que nenhuma outra ciência compreende um tão vasto número de objectos; que ela é a primeira coluna das mais úteis e necessárias artes; e que sem as suas luzes nunca haveríamos obtido os ricos e inestimáveis frutos que tão eficazmente tem cooperado para o nosso engrandecimento tanto moral, como físico". O séc. XIX aliou a ideia de progresso à componente tecnológica e a máquina passou a ser o símbolo do progresso10. A apologia das vantagens da mecanização das actividades económicas foi um discurso que percorreu todo o século XIX, ainda que paralelamente alguns autores colocassem reticências a essa mecanização e outros relembrassem as desvantagens sociais da mesma. As possibilidades de idealizar, realizar ou aplicar novas máquinas e adaptar ou potencializar as já conhecidas, estavam directamente condicionadas pelo desenvolvimento que a física e, posteriomente, a engenharia mecânica tiveram no país. 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