A componente ambiental e a depressão na Região de Évora

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Marques, Maria de Fátima dos Santos Rosado
Data de Publicação: 1998
Tipo de documento: Dissertação
Idioma: por
Título da fonte: Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10174/13289
Resumo: Introdução - "Tudo tem que ver com Tudo... e nada está separado de coisa nenhuma." (Júlio Roberto, 1996). Fazendo parte do relato de velhos documentos sobre as patologias psiquiátricas, a depressão hoje mais do que nunca, assume valores verdadeiramente preocupantes entre os Homens da sociedade contemporânea. A formação específica que possuímos no âmbito da Enfermagem de saúde mental e psiquiátrica, permitiu-nos contactar de perto com indivíduos manifestando afecções psíquicas, sendo a maior incidência liderada pela patologia depressiva. De rosto inexpressivo, olhos sem brilho, marcha lenta e arrastada, o sujeito deprimido emana uma tristeza profunda traduzida no desinteresse pela vida, que constrange os que com ele vivem. O sofrimento silencioso a que os indivíduos deprimidos estão votados, impede-os de realizar algumas das actividades de vida mais primárias, bloqueando toda a sua actuação sócio-profissional, o que gera grandes conflitos internos. Numa sociedade que prima pela busca incessante de bem-estar e de realização, desenvolvendo processos complexos e variados, com o objectivo de tornar o quotidiano mais aprazível, é racionalmente antagónico o aumento marcante da patologia depressiva. Para os peritos nesta área, a criação de grandes espaços habitacionais onde as relações humanas são diminutas, a não identificação com novos locais de residência para onde se partiu à procura de melhores condições de vida, a separação da família e a transformação do seu papel social, entre outros, poderão de algum modo constituir factores explicativos deste fenómeno. Em consequência de todo este processo, regiões como o Alentejo, outrora votadas ao abandono devido à sua interioridade, são procuradas pelos habitantes dos grandes centros populacionais, no sentido de encontrar um pouco de tranquilidade e uma forma mais saudável de viver, preservando a saúde mental. Mas aqui reside a grande antinomia, constituindo esta a força motriz para a presente investigação. Se viver no Alentejo pressupõe de algum modo uma existência menos exposta, aos factores ambientais nocivos à saúde e bem-estar do indivíduo, por que razão a taxa de suicídio e de depressão é tão elevada entre os habitantes fixados nesta zona? Escassamente povoado e detentor de cerca de 1/3 da superfície total do país, o Alentejo segundo os dados estatísticos, apresenta a menor densidade populacional de Portugal. Por este motivo, algumas vezes, as informações fornecidas pela comunicação social acerca das taxas de suicídio e de depressão existentes nesta zona, comparativamente a outras regiões do País, conduzem-nos erroneamente a falsos juízos. Contudo, sendo a realidade nacional por nós desconhecida, tivemos oportunidade de constatar na prática como já referimos, a elevada incidência e prevalência de depressão, entre a população do Distrito de Évora. Será o Homem alentejano pelas suas características psicológicas mais propensas à depressão? Ou será a componente ambiental nas suas várias vertentes, a grande responsável por esta situação? Na verdade, como a maioria das perturbações de natureza psíquica, a depressão é extremamente sui generis. Isenta de etiologia bem definida, resulta de uma mescla de factores biológicos, psicológicos, sociais e culturais, que lhe conferem o grau de doença da modernidade. Dada a escassa informação sobre os factores ambientais, presentes na problemática depressiva dos indivíduos que residem no Distrito de Évora, e assumindo nós um papel de observador, questionámo-nos sobre a importância da componente ambiental no surgimento deste quadro. Quando falamos em componente ambiental referimo-nos a tudo o que integra o Ambiente, sendo este um conceito extremamente complexo, dada a sua magnitude. Em nosso entender, Ambiente não é só o que rodeia o Homem, mas também o próprio Homem. Cada pessoa é dotada de uma estrutura interna (ambiente interno) e uma estrutura externa (ambiente externo), que constitui ambiente para os que estão à sua volta. A primeira refere-se não só à organização dos vários órgãos e sistemas internos, mas também à personalidade, factores genéticos e hereditários, que conferem ao indivíduo o direito de ser único. A estrutura externa constitui o corpo, sendo este a materialização do Eu, que permite a relação directa e objectiva com os outros. A dualidade Homem/Ambiente conduz-nos por excelência a um ramo especializado da Ecologia Geral, denominado Ecologia Humana, a qual estuda as relações entre o Homem e os seus semelhantes, e entre estes e o Ambiente, qualquer que ele seja. Procuramos assim estudar o fenómeno depressivo no contexto da Ecologia Humana, considerando a importância do papel ambiental e factores que o constituem, na génese e manifestação desta perturbação. Sendo a depressão um processo patológico, os indivíduos que a vivem carecem de ajuda específica para colmatar e regredir a sua sintomatologia, até atingirem um estado satisfatório de equilíbrio psíquico. Para tal, existem algumas profissões no sector da saúde, que desenvolvem áreas de especialidade no campo da psiquiatria.
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Em consequência de todo este processo, regiões como o Alentejo, outrora votadas ao abandono devido à sua interioridade, são procuradas pelos habitantes dos grandes centros populacionais, no sentido de encontrar um pouco de tranquilidade e uma forma mais saudável de viver, preservando a saúde mental. Mas aqui reside a grande antinomia, constituindo esta a força motriz para a presente investigação. Se viver no Alentejo pressupõe de algum modo uma existência menos exposta, aos factores ambientais nocivos à saúde e bem-estar do indivíduo, por que razão a taxa de suicídio e de depressão é tão elevada entre os habitantes fixados nesta zona? Escassamente povoado e detentor de cerca de 1/3 da superfície total do país, o Alentejo segundo os dados estatísticos, apresenta a menor densidade populacional de Portugal. Por este motivo, algumas vezes, as informações fornecidas pela comunicação social acerca das taxas de suicídio e de depressão existentes nesta zona, comparativamente a outras regiões do País, conduzem-nos erroneamente a falsos juízos. Contudo, sendo a realidade nacional por nós desconhecida, tivemos oportunidade de constatar na prática como já referimos, a elevada incidência e prevalência de depressão, entre a população do Distrito de Évora. Será o Homem alentejano pelas suas características psicológicas mais propensas à depressão? Ou será a componente ambiental nas suas várias vertentes, a grande responsável por esta situação? Na verdade, como a maioria das perturbações de natureza psíquica, a depressão é extremamente sui generis. Isenta de etiologia bem definida, resulta de uma mescla de factores biológicos, psicológicos, sociais e culturais, que lhe conferem o grau de doença da modernidade. Dada a escassa informação sobre os factores ambientais, presentes na problemática depressiva dos indivíduos que residem no Distrito de Évora, e assumindo nós um papel de observador, questionámo-nos sobre a importância da componente ambiental no surgimento deste quadro. Quando falamos em componente ambiental referimo-nos a tudo o que integra o Ambiente, sendo este um conceito extremamente complexo, dada a sua magnitude. Em nosso entender, Ambiente não é só o que rodeia o Homem, mas também o próprio Homem. Cada pessoa é dotada de uma estrutura interna (ambiente interno) e uma estrutura externa (ambiente externo), que constitui ambiente para os que estão à sua volta. A primeira refere-se não só à organização dos vários órgãos e sistemas internos, mas também à personalidade, factores genéticos e hereditários, que conferem ao indivíduo o direito de ser único. A estrutura externa constitui o corpo, sendo este a materialização do Eu, que permite a relação directa e objectiva com os outros. A dualidade Homem/Ambiente conduz-nos por excelência a um ramo especializado da Ecologia Geral, denominado Ecologia Humana, a qual estuda as relações entre o Homem e os seus semelhantes, e entre estes e o Ambiente, qualquer que ele seja. Procuramos assim estudar o fenómeno depressivo no contexto da Ecologia Humana, considerando a importância do papel ambiental e factores que o constituem, na génese e manifestação desta perturbação. Sendo a depressão um processo patológico, os indivíduos que a vivem carecem de ajuda específica para colmatar e regredir a sua sintomatologia, até atingirem um estado satisfatório de equilíbrio psíquico. 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Numa sociedade que prima pela busca incessante de bem-estar e de realização, desenvolvendo processos complexos e variados, com o objectivo de tornar o quotidiano mais aprazível, é racionalmente antagónico o aumento marcante da patologia depressiva. Para os peritos nesta área, a criação de grandes espaços habitacionais onde as relações humanas são diminutas, a não identificação com novos locais de residência para onde se partiu à procura de melhores condições de vida, a separação da família e a transformação do seu papel social, entre outros, poderão de algum modo constituir factores explicativos deste fenómeno. Em consequência de todo este processo, regiões como o Alentejo, outrora votadas ao abandono devido à sua interioridade, são procuradas pelos habitantes dos grandes centros populacionais, no sentido de encontrar um pouco de tranquilidade e uma forma mais saudável de viver, preservando a saúde mental. Mas aqui reside a grande antinomia, constituindo esta a força motriz para a presente investigação. Se viver no Alentejo pressupõe de algum modo uma existência menos exposta, aos factores ambientais nocivos à saúde e bem-estar do indivíduo, por que razão a taxa de suicídio e de depressão é tão elevada entre os habitantes fixados nesta zona? Escassamente povoado e detentor de cerca de 1/3 da superfície total do país, o Alentejo segundo os dados estatísticos, apresenta a menor densidade populacional de Portugal. Por este motivo, algumas vezes, as informações fornecidas pela comunicação social acerca das taxas de suicídio e de depressão existentes nesta zona, comparativamente a outras regiões do País, conduzem-nos erroneamente a falsos juízos. Contudo, sendo a realidade nacional por nós desconhecida, tivemos oportunidade de constatar na prática como já referimos, a elevada incidência e prevalência de depressão, entre a população do Distrito de Évora. 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Cada pessoa é dotada de uma estrutura interna (ambiente interno) e uma estrutura externa (ambiente externo), que constitui ambiente para os que estão à sua volta. A primeira refere-se não só à organização dos vários órgãos e sistemas internos, mas também à personalidade, factores genéticos e hereditários, que conferem ao indivíduo o direito de ser único. A estrutura externa constitui o corpo, sendo este a materialização do Eu, que permite a relação directa e objectiva com os outros. A dualidade Homem/Ambiente conduz-nos por excelência a um ramo especializado da Ecologia Geral, denominado Ecologia Humana, a qual estuda as relações entre o Homem e os seus semelhantes, e entre estes e o Ambiente, qualquer que ele seja. Procuramos assim estudar o fenómeno depressivo no contexto da Ecologia Humana, considerando a importância do papel ambiental e factores que o constituem, na génese e manifestação desta perturbação. 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