Formação pedagógica no ensino superior: desafios e oportunidades

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Salgado, Ana
Data de Publicação: 2019
Outros Autores: Freitas, Ana, Oliveira, Nuno, Sá, Sofia
Idioma: por
Título da fonte: Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10400.22/20472
Resumo: Historicamente, no contexto do ensino superior, os critérios de recrutamento e seleção de professores para integração no corpo docente baseiam-se quase exclusivamente no grau académico e mérito/produção científica do candidato. Durante décadas, prolongou-se a tradição de que um docente com competências científicas era, naturalmente, competente a nível pedagógico, vigorando assim o modelo do ‘aprende-se a ensinar, ensinando’, de forma intuitiva, por ‘tentativa-erro’. Contrariando a perspetiva acima descrita, reconhecendo a atividade docente como tarefa complexa e exigente, que carece de mais do que apenas capacidades inatas e para a qual é necessário um conjunto de saberes que potencie a efetiva aprendizagem dos estudantes e promova a qualidade do ensino, diversas instituições do ensino superior (IES) têm apostado na formação pedagógica dos seus docentes, um pouco por todo o país, contando para tal com formadores pedagógicos. Estes formadores são, geralmente, da área psicoeducativa, integrados ou não nas instituições, que trabalham, com os docentes, estratégias reconhecidas pela investigação como eficazes, ao mesmo tempo que promovem reflexões sobre o processo de ensino-aprendizagem, avaliação e outros aspetos relevantes. Esta proposta visa apresentar boas práticas internacionalmente reconhecidas na promoção de formação pedagógica para docentes, discutindo à luz das mesmas o que tem sido implementado em várias IES nacionais. É ainda intenção dos autores refletir sobre o potencial da promoção e implementação de formação pedagógica para docentes no sentido de partilhar estratégias que conduzam a um modelo eficaz de desenvolvimento da carreira docente. Esta proposta apresenta assim, nas várias fases do planeamento da formação pedagógica para docentes, questões que concernem: o formato da formação (e.g. workshops de curta duração, ações de formação de duração média e longa e formação on-the-job); a duração da mesma (workshops de 90 a 180 minutos, uma manhã/uma tarde, vários dias, um semestre...); a metodologia utilizada pelos formadores (utilização de metodologias ativas que promovam a integração dos conteúdos e a reflexão) assim como os próprios temas da formação (orientações top-down ou baseadas em análises de necessidades - bottom up). Um aspeto importante a abordar será ainda o modelo da formação - o modelo teasers pedagógicos, em que os docentes adquirem conhecimento de novas ferramentas pedagógicas para utilizar em sala de aula (e.g.: mindmaps, quizzes, apresentações dinâmicas) ou uma perspetiva conceptual com o objetivo de promover reflexão sobre temas fulcrais como planificação de aulas, aspetos ensino aprendizagem e/ou avaliação. Por outro lado, em formação on-the-job surge ainda o modelo de observações de aulas com feedback posterior, permitindo ao docente receber, de forma profissional e detalhada, informações sobre a sua prática em sala de aula com vista a posteriores melhorias e mudanças, num ambiente colaborativo e isento de processos avaliativos. A este propósito discute-se ainda a questão do público-alvo. Ainda neste âmbito convirá refletir se os modelos e temas da formação deverão ser os mesmos para docentes recém integrados e docentes experientes, discutindo-se a necessidade de diferentes formas de planeamento consoante a população-alvo. Serão ainda abordados desafios e constrangimentos relacionados com a parte burocrática e logística do planeamento da formação pedagógica como a questão do financiamento necessário para o desenvolvimento destas iniciativas e o número de participantes por ação, entre outro. Este trabalho apresenta-se como uma reflexão, fruto do trabalho desenvolvido por 4 profissionais da formação pedagógica, ligados pelos mais de 10 anos de experiência. A paixão pela área pedagógica nasce do desejo de contribuir para melhores processos de ensino aprendizagem e é alimentada pela abertura, disponibilidade e vontade dos docentes em adquirir conhecimentos que lhes permitam assumir a atividade docente com mais confiança e com novas estratégias fundamentadas na investigação.
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