O horror da vingança na 'Medeia' de Séneca

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Duarte, Ricardo
Data de Publicação: 2013
Idioma: por
Título da fonte: Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10451/32992
Resumo: O mito de Medeia é talvez um dos mais célebres da Antiguidade Clássica. A feiticeira neta do Sol, sobrinha de Circe e que ousa matar os próprios filhos é uma das personagens mais terrivelmente fascinantes da mitologia greco-latina, por despertar sentimentos contraditórios e profundamente cruéis, que inspiraram incontáveis artistas. Do tratamento que esse mito recebeu na tradição latina, avulta a 'Medeia' de Séneca, advogado, escritor, mas sobretudo filósofo, estóico. Tendo composto uma vastíssima obra de conteúdo moral, Séneca terá visto no género trágico um meio mais acessível para expressar a sua preocupação com o bem moral. São propósitos da nossa comunicação dar conta do retrato que, à luz da doutrina estóica, Séneca faz de Medeia, de modo a, partindo dele, mostrarmos como esse retrato é negativo, porque a distancia das outras mulheres e das atitudes que de uma mulher então se esperavam; acompanhar a evolução do comportamento de Medeia ao longo da peça, a fim de ressaltar o que ele traduz de dúvida e contradição num espírito em evidente desvario; prestar particular atenção ao final da peça, em que, levando a cabo o inconcebível, Medeia se transmuta de mãe em monstro, legando para a posteridade a atrocidade a que sempre estará associada.
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