Os estados-membros credores e a crise do euro: a imparcialidade da Comissão Europeia em jogo?

Detalhes bibliográficos
Autor(a) principal: Righi, Stefanie
Data de Publicação: 2021
Tipo de documento: Dissertação
Idioma: por
Título da fonte: Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)
Texto Completo: http://hdl.handle.net/10773/30925
Resumo: A dicotomia entre Estados mais ou menos influentes é uma condição quase tão antiga quanto a própria existência do Estado. As questões relativas a poder e influência têm sido largamente debatidas ao longo dos anos e extensivamente exploradas pela literatura, podendo ser consideradas como constantes no cenário político. Recentemente, a partir do contexto acarretado pela crise da zona euro, as discussões em relação à disparidade entre Estados voltaram ao protagonismo no continente europeu. Aos Estados-membros credores, responsáveis por contribuir com os fundos de resgate financeiro, foi muitas vezes atribuída a pressuposição de influência sobre o âmbito institucional da União Europeia durante o período da crise. Dois Estados membros sobressaem na discussão acerca da influência: Alemanha e França. O histórico do eixo franco-alemão na integração europeia associado ao facto de terem estado entre os Estados-membros que mais contribuíram para os fundos de resgate financeiro contribuiu para que estes estivessem no centro dos debates acerca da influência de Estados mais fortes sobre o âmbito institucional da União Europeia. Porém, até o momento, o nível de influência da Alemanha e da França neste contexto não foi mensurado. Neste trabalho o que buscamos investigar é se Alemanha e França foram capazes de influenciar as medidas tomadas durante a crise da zona euro. Para tal, a instituição Europeia de escolha foi a Comissão Europeia – órgão cuja função pressupõe imparcialidade. Esta investigação foi feita a partir de análise de conteúdo por meio de método misto, com uma fase quantitativa e uma qualitativa. Foram analisados documentos de chefes de governo e ministros responsáveis por assuntos da zona euro do ano de 2006 a 2016, de modo que fosse possível identificar a variação de influência antes, durante e após a crise. Na fase quantitativa os documentos foram analisados a partir de um código em R chamado Wordfish, cuja função é analisar as frequências de palavras em determinados documentos de texto para estimar posicionamentos políticos. Já na fase qualitativa, a análise de conteúdo foi feita por meio de hand-coding com um codebook adaptado que incorpora variáveis do Projeto Manifesto. Através desta análise, neste trabalho os resultados encontrados sugerem que a influência sobre a Comissão Europeia no momento da crise parte maioritariamente da Alemanha. Portanto, os resultados desta investigação indicam maior preponderância dos interesses alemães durante a crise.
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O histórico do eixo franco-alemão na integração europeia associado ao facto de terem estado entre os Estados-membros que mais contribuíram para os fundos de resgate financeiro contribuiu para que estes estivessem no centro dos debates acerca da influência de Estados mais fortes sobre o âmbito institucional da União Europeia. Porém, até o momento, o nível de influência da Alemanha e da França neste contexto não foi mensurado. Neste trabalho o que buscamos investigar é se Alemanha e França foram capazes de influenciar as medidas tomadas durante a crise da zona euro. Para tal, a instituição Europeia de escolha foi a Comissão Europeia – órgão cuja função pressupõe imparcialidade. Esta investigação foi feita a partir de análise de conteúdo por meio de método misto, com uma fase quantitativa e uma qualitativa. Foram analisados documentos de chefes de governo e ministros responsáveis por assuntos da zona euro do ano de 2006 a 2016, de modo que fosse possível identificar a variação de influência antes, durante e após a crise. Na fase quantitativa os documentos foram analisados a partir de um código em R chamado Wordfish, cuja função é analisar as frequências de palavras em determinados documentos de texto para estimar posicionamentos políticos. Já na fase qualitativa, a análise de conteúdo foi feita por meio de hand-coding com um codebook adaptado que incorpora variáveis do Projeto Manifesto. Através desta análise, neste trabalho os resultados encontrados sugerem que a influência sobre a Comissão Europeia no momento da crise parte maioritariamente da Alemanha. Portanto, os resultados desta investigação indicam maior preponderância dos interesses alemães durante a crise.The dichotomy between more or less influential States is a condition almost as ancient as the very existence of the State. Issues related to power and influence have been widely debated over the years and extensively explored by the literature and can be considered as constant on the political scene. Recently, based on the context brought about by the eurozone crisis, discussions regarding the disparity between States have gained, once again, relevance in the European continent. Creditor Member States, responsible for contributing to bailout funds, have often been attributed to the presumption of influence over the institutional framework of the European Union during the period of the crisis. Two Member States stand out in the discussion about influence: Germany and France. The history of the Franco-German axis in European integration associated with them being the two Member States that contributed the most to the bailout funds played an important role in putting Germany and France at the centre of the debates about the influence of stronger states upon the institutional scope of the European Union. However, to date, the level of influence of Germany and France in this context has not been measured. In this work, what we seek to investigate is whether Germany and France were able to influence measures taken during the eurozone crisis. To this end, the European institution of choice was the European Commission – the institution which its role presupposes impartiality. This investigation was made from content analysis using a mixed method, with a quantitative and a qualitative phase. Speeches by heads of government and ministers responsible for eurozone affairs from 2006 to 2016 were analysed to identify the variation in influence before, during and after the crisis. In the quantitative phase, speeches were analysed using an R code called Wordfish, which function consists in analysing the frequency of words in certain text documents to estimate political positions. In the qualitative phase, the content analysis was done through hand-coding with an adapted codebook that incorporates variables from the Manifesto Project. Through this analysis, in this work the data suggests that the influence over the European Commission during the crisis is exerted mainly by Germany. Therefore, based on the results of this investigation, the preponderance of interests during the crisis was mostly favourable to Germany’s benefit.2021-03-18T15:00:05Z2021-02-24T00:00:00Z2021-02-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://hdl.handle.net/10773/30925porRighi, Stefanieinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP)instname:FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiainstacron:RCAAP2024-05-06T04:30:59Zoai:ria.ua.pt:10773/30925Portal AgregadorONGhttps://www.rcaap.pt/oai/openaireinfo@rcaap.ptopendoar:https://opendoar.ac.uk/repository/71602025-05-28T14:11:14.871457Repositórios Científicos de Acesso Aberto de Portugal (RCAAP) - FCCN, serviços digitais da FCT – Fundação para a Ciência e a Tecnologiafalse
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