A relação sociedade/divindades/natureza no templo Espírita de Umbanda Abaçá de Oxalá em Pato Branco - PR: modos plurais de existência
Ano de defesa: | 2018 |
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Autor(a) principal: | |
Orientador(a): | |
Banca de defesa: | , , , |
Tipo de documento: | Dissertação |
Tipo de acesso: | Acesso aberto |
Idioma: | por |
Instituição de defesa: |
Universidade Tecnológica Federal do Paraná
Pato Branco |
Programa de Pós-Graduação: |
Programa de Pós-Graduação em Desenvolvimento Regional
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Departamento: |
Não Informado pela instituição
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País: |
Brasil
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Palavras-chave em Português: | |
Área do conhecimento CNPq: | |
Link de acesso: | http://repositorio.utfpr.edu.br/jspui/handle/1/3262 |
Resumo: | Investigações etnográficas imergidas no contexto do Terceiro Mundo exploraram diferentes e diversas práticas de pensar, irmanar, experimentar e codificar dimensões biológicas e naturais. Entre os diversos agregados sociais que se mobilizam no mundo por meio de racionalidades contra-hegemônicas, os cultos afro-brasileiros foram anunciados como religiosidades múltiplas, de grande importância ecológica e revestidos de conexões com os mais diversos e contraditórios actantes do cosmo, que resistem no Terceiro Mundo, com suas subjetividades descolonizadoras que se multiplicam em cada local de culto. Nesta conjuntura, esta pesquisa foi efetuada junto ao Centro Espírita de Umbanda Abaça de Oxalá, tendo por objetivo analisar a rede que se conforma nas inter-relações entre seres humanos/divindades/natureza. A Teoria Ator-Rede tal como apresentada por Latour (1994; 2004; 2012) forneceu ferramentas para que uma etnografia adequada à realidade deste terreiro fosse elaborada, expandindo o número de atores ocultos que se relacionam, agem e falam. Assim, durante o período de 19 meses a pesquisa foi operacionalizada por mediação da técnica Observação Participante, a partir de anotações no diário de campo, fotografias, transcrições de entrevistas e desenhos. A forma dos registros se desenvolveram na análise documental, através das anotações no próprio material analisado, objetivando engendrar um relato Ator-Rede para desdobrar um maior número de atores, mediadores e controvérsias que se conectam às práticas associadas as relações entre seres humanos/divindades/natureza no Abaça de Oxalá. Os humanos que configuram o local são caracterizados pelo pai-de-santo, filhos-de-corrente e clientes, que tecem relações com os Orixás em diferentes estratos e níveis de comprometimento com as normativas locais, almejando favores espirituais a partir de suas motivações subjetivas, as quais incluem as esferas da saudabilidade, das questões afetivos-familiares, da prosperidade financeira e desenvolvimento espiritual (no caso dos filhos-de-corrente). Os favores dos Orixás são logrados a partir de um rico e complexo regime de permutas, que permite agenciar lugares da natureza (pontos-de-força), elementos naturais (vegetação, minerais), alimentos, fogo, água, e múltiplos elementos que são relativos à subjetividade de cada humano conectado na rede, que emergem na forma de oferendas, chás medicinais, banhos de ervas, defumações, etc. Estas permutas são subsidiadas por um arcabouço de conhecimentos sobre suas naturezas, especificidades, associações e ações. Estes saberes são indissociáveis dos fazeres, e sua fonte primordial são os Orixás. A partir destes saberes foi possível identificar um total de 159 entidades espirituais mobilizadas nos discursos e atividades do terreiro e 140 vegetais empregados para as mais diversas finalidades que os humanos necessitam. O processamento das atividades ritualísticas no contexto religioso afro-brasileiro remete a uma realidade complexa, engendrada pelas profundas intersecções entre as esferas do mundo social, sobrenatural e natural. O conceito êmico de energia se mostra substancial para que tais conexões emerjam e ajam no cotidiano do terreiro, pois o Orixá é energia e se conecta com a energia dos humanos e da natureza para que transformações no mundo real sejam engendradas. |