Efeitos de impermeabilização superficial na mobilização de contaminantes e na comunidade microbiana em depósito de resíduos sólidos urbanos desativado

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2020
Autor(a) principal: Morita, Alice Kimie Martins
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/18/18138/tde-21062021-152619/
Resumo: Nesta pesquisa buscou-se avaliar a efetividade de impermeabilização superficial na mitigação dos impactos gerados por depósito de resíduos sólidos urbanos desativado (lixão) no município de São Carlos-SP. Para tanto, foram realizadas análises físico-químicas e microbiológicas (sequenciamento do RNAr 16S) de amostras de lixiviado e de resíduos aterrados, em etapas anterior e posterior à impermeabilização. Tomografias elétricas foram realizadas complementarmente, visando auxiliar na avaliação da mobilização de contaminantes nas duas etapas. Paralelamente, foi realizado um estudo da área de influência, com condução de ensaios geofísicos na área de entorno, análise físico-química de amostras de água subterrânea e ensaios ecotoxicológicos, permitindo a construção de modelos conceituais e a verificação da efetividade da atenuação natural na remediação da pluma de contaminantes. O diagnóstico da área de estudo permitiu verificar a existência de altas concentrações de contaminantes no interior do depósito de resíduos, mas considerável diminuição a jusante, seja nos poços de monitoramento, seja a cerca de 500 m nos pontos de coleta de água superficial. As concentrações de poluentes nos poços de monitoramento permaneceram estáveis ao longo de 20 anos, sem indícios de depleção, e os metais Pb e Co puderam ser encontrados a distâncias de 200 m do depósito, mostrando sua mobilidade nas condições ácidas encontradas em zonas de recarga do Aquífero Guarani. Adicionalmente, os ensaios geofísicos mostraram a evolução da pluma de contaminantes após 20 anos do fechamento do depósito, atingindo cerca de 200 m de distância do mesmo e 60 m de profundidade. A cobertura superficial não se mostrou efetiva na redução do volume de lixiviado produzido, mas permitiu a criação de condições redutoras na região imediatamente abaixo da impermeabilização, contribuindo para a precipitação de metais como Pb, Cd, Ni, Co, As e Zn na forma de minerais sulfetados e favorecendo a sua imobilização. As populações microbianas adaptaram-se às condições anaeróbias criadas, com a verificação de representantes dos filos Firmicutes, Chloroflexi e Euryarchaeota e dos gêneros Methanosaeta, Hydrogenispora, Smithella e Gelria. A ocorrência de respiração anaeróbia com a utilização de NO3, Fe (III) e Mn (IV) como aceptores de elétrons pôde ser verificada pelo aumento das concentrações de NH4, Fe (II) e Mn (II) na região impermeabilizada. Desta maneira, conclui-se que a impermeabilização superficial de depósitos de resíduos sólidos urbanos antigos traz benefícios para a redução da mobilidade de contaminantes.