Aspectos clínicos e laboratoriais da síndrome de Guillain-Barré nos primeiros 15 anos de vida

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2000
Autor(a) principal: Alves, Denise Moretto
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-01092025-160947/
Resumo: No presente estudo foram avaliadas retrospectivamente 72 crianças até 15 anos de idade, acompanhadas no HC-FMRP-USP com o diagnóstico de Síndrome de Guillain-Barré de 1977 a 1999. Não houve predomínio quanto à distribuição por faixa etária ou sexo. Evento precedente e ou concomitante foi identificado em 62% das crianças, sendo IVAS o mais freqüente. O período de latência entre o evento precedente e o início da síndrome em 70% dos pacientes foi de uma semana. Fraqueza nos MMII foi o primeiro sintoma neurológico referido por 86%. Em 75% dos casos o nadir foi alcançado ao longo da primeira semana. A duração do platô variou de 1 a 34 dias (média de 9,2). A maioria das crianças teve como comprometimento neurológico inicial, tetraparesia flácida de predomínio nos MMII e arreflexia global. Alteração dos nervos cranianos ocorreu em 46%, sendo o facial o mais freqüente (37,5%). Disfunção autonômica esteve presente em 29%, insuficiência respiratória em 12,5% e 7% necessitaram de ventilação mecânica. Dor ocorreu em 72%, de forma mais significativa nos membros inferiores. O tempo médio de internação foi de 14 dias. Das 72 crianças, 56 (78%) tiveram seguimento por pelo menos 1 ano. A maioria andou sem apoio até o 3° mês e todas com 5 meses. Cinqüenta (88%), apresentaram recuperação completa. Em cerca de 60% essa recuperação ocorreu até o 6° mês e em 75,5% até 1 ano. Houve seqüela em 12,5% dos casos e recidiva em 4%. A taxa de fatalidade foi de 1,3%. Realizou-se exame eletroneuromiográfico (ENMG) em 69% das crianças, havendo características desmielinizante em 84% e axonal em 8%. Setenta e uma (98,6%), foram submetidas à punção liquórica, ocorrendo dissociação proteíno-citológica em 77,4%. Nove (12,6%), apresentaram mais de 10 células no LCR, sendo que apenas uma apresentou sinais de meningorradiculoneurite. O tratamento com lglV em 40% dos pacientes, independente do tempo de início, reduziu a duração do platô, e quando iniciado na primeira semana diminuiu o tempo para alcançar o nadir. Tais dados confirmam a menor duração da síndrome de Guillain-Barré em crianças, bem como melhor prognóstico.